quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Código Nacional de Ética, Orientação e Disciplina do Musicoterapeuta



Embora a profissão do Musicoterapeuta seja atuante desde meados do século 20  (o primeiro curso acadêmico de formação de musicoterapeutas surgiu em 1946 na Universidade de Kansas e em 1950 fundou-se a Associação Nacional de Musicoterapia) ainda levanta algumas confusões e dúvidas sobre a atuação e qualificações desse profissional.

A falta de esclarecimentos à grande parte da população, leva muitos, na vontade de se tornar um musicoterapeuta (que bom! precisamos de mais musicoterapeutas atuantes - porém qualificados), a procurar cursos rápidos e rasos que não qualificam para a atuação e não tornam esse profissional um musicoterapeuta.

Assim como também podemos encontrar músicos, psicólogos, psicopedagogos e tantos outros profissionais (sem formação superior em musicoterapia) que pelo fato de utilizar a música em seus atendimentos chamam suas atuações de musicoterapia.

Infelizmente, toda essa falta de conhecimento atinge de imediato a outra ponta, ou seja, os pais que procuram atendimento para seus filhos, pacientes em busca de ajuda, que não sabendo o que esperar de um musicoterapeuta, aderem a tratamentos com profissionais não qualificados

Quem é o Musicoterapeuta?

O profissional musicoterapeuta é um profissional com curso superior em Musicoterapia, graduação ou pós graduação, e ainda filiado a uma associação de musicoterapia.

A formação em Musicoterapia oferece profundos conhecimentos específicos e extensas horas de estágio, preparando o profissional para atuar na prevenção, restauração ou reabilitação da saúde física, mental e psíquica dos seus clientes/pacientes, portanto não podemos permitir a atuação de profissionais despreparados.

Afim de nortear e oferecer um guia, tanto para os profissionais musicoterapeutas, população e instituições, foi elaborado o Código Nacional de Ética, Orientação e Disciplina do Musicoterapeuta.

Baixe AQUI documento completo, leia e divulgue!

Não aceite um profissional despreparado! 






sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Atividades nas Instituições de Longa Permanência para Idosos

Atividades Musicais em Instituição de Longa Permanência para Idosos

As instituições que abrigam idosos está em acelerado crescimento. Com o envelhecimento populacional ocorrendo em um contexto de grandes mudanças sociais, culturais, econômicas e institucionais, espera-se para o futuro próximo um crescimento a taxas elevadas da população de 80 anos e mais.

No entanto, a certeza do crescimento da população idosa está  acompanhada pela incerteza das boas condições de cuidados que estes receberão.

Embora a legislação brasileira estabeleça que o cuidado dos membros dependentes deva ser responsabilidade das famílias, este se torna cada vez mais difícil, por diversos fatores como:

  • redução da fecundidade,  
  • mudanças na nupcialidade e 
  • crescente participação da mulher - tradicional cuidadora - no mercado de trabalho. 


Isto passa a requerer que o Estado e as instituições  privadas dividam com a família as responsabilidades no cuidado com a população idosa. Diante desse contexto, uma das alternativas de cuidados não-familiares existentes corresponde às instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), sejam públicas ou privadas.

Mas o que é uma ILPI?

No Brasil, não há consenso sobre o que seja uma ILPI. Sua origem está ligada aos asilos, inicialmente dirigidos à população carente que necessitava de abrigo, frutos da caridade cristã diante da ausência de políticas públicas.

Para a Anvisa, ILPIs são instituições governamentais ou não-governamentais, de caráter residencial, destinadas a domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania.

Casa de Repouso ou Instituição de Saúde?
O envelhecimento da população e o aumento da sobrevivência de pessoas com redução da capacidade física, cognitiva e mental estão requerendo que os asilos deixem de fazer parte apenas da rede de assistência social e integrem a rede de assistência à saúde, ou seja, ofereçam algo mais que um abrigo.

Porém, as ILPIs não são estabelecimentos voltados à clinica ou à terapêutica, apesar de os residentes receberem - além de moradia, alimentação e vestuário - serviços médicos e medicamentos.

Os serviços médicos e de fisioterapia são os mais frequentes nas instituições brasileiras, encontrados em 66,1% e 56,0% delas, respectivamente. No entanto, 34,9% dos residentes são independentes.

Por outro lado, a oferta de atividades que geram renda, de lazer e/ou cursos diversos é menos frequente, declarada por menos de 50% das instituições pesquisadas. O papel dessas atividades é o de promover algum grau de integração entre os residentes e ajudá-los a exercer um papel social.

Assim, para que o idoso que se encontra numa situação de institucionalização, seja ele dependente ou não, possa desfrutar de uma vida com qualidade, entendemos que é necessário que as instituições ofereçam atividades que envolvam o sujeito de forma global, ou seja, ir além do atendimento das suas necessidades básicas (alimentação, vestuário, higiene) mas também contemplar atividades sociais e de lazer.

Atividades na Instituição

São diversas as atividades que podem ser desenvolvidas com a população idosa, tais como Artesanato, Arteterapia, Pintura, Dança, Música e tantas mais.

A Musicoterapia é uma modalidade terapêutica bastante aceita e que envolve todos os idosos, dependentes (acamados, demenciados..) e ativos.

A  música tem a capacidade de fazer com que o idoso entre em contato consigo mesmo, resgatando e revivendo experiências do passado, expressando sentimentos, refletindo e se concentrando numa atividade (CAYRES, 2006).
Além disso, o fazer musical implica na realização de várias tarefas: tocar um instrumento, cantar, memorizar peças e letras musicais, improvisar. Tais produções combinam rápidas respostas motoras e cognitivas (PERETZ e ZATORRE, 2005), tornando a musicoterapia uma poderosa ferramenta na reabilitação física e cognitiva, ao mesmo tempo que oferece ao idoso uma atividade prazerosa e facilitadora das relações sociais.

Para saber mais sobre a musicoterapia com idosos acesse AQUI os outros artigos disponíveis no Blog.

Referências Bibliográficas

Camarano A. A., Kanso, S. As instituições de longa permanência para idosos no Brasil. Rev. bras. estud. popul. vol.27 no.1 São Paulo Jan./June 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-30982010000100014

CAYRES, K. Quem Canta, Seus Males Espanta. Disponível em: http://www.amtrj.com.br/arquivos/jornalUFRJ.pdf.

PERETZ I., ZATORRE R. Brain Organization for music processing. Montreal: Annu Review Psychology, vol. 56, 2005.








sábado, 30 de setembro de 2017

Atividades Musicais - Idosos Demenciados



Dando continuidade a proposta de atividades com idosos, hoje falaremos sobre a Demência e as possibilidades de estímulo através da música.

A demência é uma síndrome que se caracteriza pelo declínio da memória associado a déficit de, pelo menos, uma outra função cognitiva (linguagem, gnosias*, praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no desempenho social ou profissional do indivíduo.

Tipos de Demencias

Há várias causas de demência, cujo diagnóstico específico depende de conhecimento das diferentes manifestações clínicas e de uma sequência específica e obrigatória de exames complementares. 
As quatro causas mais frequentes de demência são:


  • Doença de Alzheimer - responsável por mais de 50% dos casos
  • Demência com corpos de Lewy - cujos sintomas são similares aos do Alzheimer e cuja incidência é a segunda maior entre as demências (perdendo apenas para o próprio Alzheimer)
  • Demência vascular - resultante de uma série de pequenos acidentes vasculares cerebrais (AVC)
  • Demência frontotemporal - que é uma degeneração que ocorre no lóbulo frontal do cérebro e que pode se espalhar para o lóbulo temporal.


Sintomatologia
Abordagens
Alteração de memória recente, de natureza leve, moderada e severa
Resgate da linha sonoro-musical preservada e mascarada
Falha sequencial do pensamento verbal, musical e posterior ecolalia
Estimulação rítmica e melódica da fala pelo ato de cantar
Dificuldade de comunicação verbal (expressão e compreensão)
Exercício integrado (fala, canto, ritmo do corpo, inflexões sonoras)
Fuga de ideias, desorientação temporo-espacial
Estimulação cognitiva sonoro-musical com complementação de melodia e letra
Dificuldade de deambulação, com andar lentificado, claudicante e sem regularidade rítmica
Estimulação do movimento através de canções e ritmos (canções de ação)
Comprometimento afetivo (possível depressão, baixa autoestima)
Trabalhar através de canções, a linguagem verbal e emocional

Na tabela acima já podemos visualizar algumas abordagens e possíveis atividades que poderão ser realizadas para cada dificuldade apresentada pelo individuo demenciado.

Outras Atividades

Trabalhar a agnosia - Adivinhar o instrumento: Colocar dentro de um saco grande, instrumentos e objetos que produzam som. Manipular os objetos e os instrumentos sem serem vistos pelos idosos .Eles deverão identificar o som dos mesmos pelo seu timbre/som. 
Uma variação pode ser feita com os idosos manipulando o instrumento pedido pelo dirigente. Assim ele procura através do tato o instrumento requisitado.

Rolinhos sensoriais – Atividade que pode ser aplicada com idosos de todos os níveis de demências, inclusive acamados. Confeccione chocalhos coloridos a partir de rolos de papel higiênico. Dentro dos rolos coloque diferentes materiais (feijão, arroz, milho, areia..). Os chocalhos podem ser usados de diversas maneiras : apenas tocar ao ritmo de músicas, fazer diferenciação de cores ( tocar somente os azuis, agora os amarelos..) adivinhar o que tem dentro, trabalhar lateralidade (tocar com a mão direita, esquerda, as duas..) entre outras. É também possivel reforçar o estímulo sensorial encapando o rolinho com materiais como barbante, grãos, tecido, lixa... Assim, além do sentido auditivo e visual, será estimulado também o sentido tátil. 

Cartelas de Compositores - Confeccione cartelas com figuras de compositores/cantores conhecidos dos idosos. Toque ou cante trechos de músicas e veja se eles são capazes de reconhecer e associar. Coloque no verso das cartelas informações sobre o compositor (Datas, maiores sucessos...etc) Assim fornecemos resgate e também o enriquecimento de informações.  Estimula a memoria visual, auditiva e os processos cognitivos.

Acesse aqui outras postagens que abordam os indivíduos idosos e sugestões de atividades!


Bom trabalho!


*Gnosia -  É uma função que permite a pessoa interpretar estímulos que vêm do exterior através dos órgãos dos sentidos.


Referências

CASTRO PINTO, S. P. L. et al. O Desafio Multidisciplinar: Um Modelo de instituição de Longa Permanência para Idosos. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006.


ZANINI, R. S. Demência no idoso: aspectos neuropsicológicos. Revista Neurociência 2010;18(2):220-226. UFSC, Florianópolis,SC, 2010.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Dia do Musicoterapeuta!!



Em abril de 1991, Luiz Antônio Fleury Filho, então governador de São Paulo,  decretou a data de 15 de setembro como o Dia do Musicoterapeuta.


Mas o que é Musicoterapia?

Segundo a definição atualizada,"Musicoterapia é a utilização profissional da música e seus elementos, para a intervenção em ambientes médicos, educacionais e cotidiano com indivíduos, grupos, famílias ou comunidades que procuram otimizar a sua qualidade de vida e melhorar suas condições físicas, sociais, comunicativas, emocionais, intelectuais, espirituais e de saúde e bem estar. Investigação, a educação, a prática e o ensino clínico em musicoterapia são baseados em padrões profissionais de acordo com contextos culturais, sociais e políticos”.( World Federation of Music Therapy (WFMT), em 2011)

Quem é o Musicoterapeuta?

O musicoterapeuta é um profissional da saúde graduado, capacitado para utilizar a música na  prevenção, reabilitação e/ou manutenção da saúde. No Brasil a graduação se dá em quatro anos e o aluno deve cumprir centenas de horas de estágio em distintas áreas de atuação: clínica, educacional, hospitalar, empresarial, social, etc.  A prática baseia-se na musicoterapia ativa (ou interativa) onde o paciente faz música junto com o musicoterapeuta, o que inclui várias atividades, como dança, manuseio de instrumentos musicais, canto, e tantas outras práticas, dentro das inúmeras possibilidades que a música oferece. Embora menos comum, em determinadas situações alguns musicoterapeutas utilizam-se de técnicas da musicoterapia receptiva (audição musical, por exemplo).

 A atual formação brasileira, graduação ou especialização, contempla os fundamentos dos modelos citados e de outras abordagens que foram surgindo ao longo do tempo. Além das disciplinas específicas de musicoterapia o musicoterapeuta estuda filosofia, psicologia humana, etnomusicologia, psiquiatria, neurofisiologia, percepção musical, pedagogia musical, aulas de instrumentos, entre outros. 

A Musicoterapia é uma prática terapêutica séria, baseada em pesquisas que buscam constante atualização e conhecimentos sólidos. Assim o profissional que a aplica deve estar bem preparado com técnicas próprias da musicoterapia e capaz de estruturar um trabalho consciente afim de alcançar resultados duradouros.
Não basta ter conhecimento musical para aplicar a musicoterapia. Um músico fará atividades musicais, NÃO musicoterapia.

Portanto, só aceite musicoterapia com um musicoterapeuta graduado e qualificado!






quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Cuidados com a Voz Infantil Cantada


A Voz Da Criança - Relação Entre A Voz E A Idade

A voz da criança até à puberdade não manifesta diferença. A tessitura da voz cantada é igual em ambos os sexos. Só depois da mudança da voz, na altura da puberdade, o timbre infantil e as características pueris desaparecem para dar lugar à voz do adulto. 

A mudança da voz dá-se por volta dos doze anos nas meninas e por volta dos catorze anos nos rapazes. Não há, porém, um limite rígido. Trata-se de um fenômeno fisiológico em que há um crescimento da laringe e um alargamento das cordas vocais. De acordo com Bloch (2003), no fim da puberdade, as cordas vocais masculinas revelam um aumento de um centímetro de comprimento, enquanto as femininas só crescem cerca de três a quatro milímetros.

Na fase da mudança da voz, a tessitura também muda. Entre os especialistas estudiosos da voz há os que defendem a suspensão da atividade vocal dos rapazes durante esse período. A maioria, porém, não concorda com tal suspensão, aconselhando, contudo, prudência e uma orientação adequada.


Os Cuidados ao Cantar

De acordo com Gordon (2000), a aquisição da voz cantada deve começar na primeira infância. Considera ainda que, excetuando casos patológicos, todas as crianças podem cantar e defende que é entre os nove e os doze meses que se deve começar a guiar a sua voz, incitando a criança a responder aos estímulos musicais, propondo-lhe modelos corretos de voz cantada.

Para começar o trabalho vocal com as crianças, a imitação constitui o fator principal. Assim, o professor deve empregar todos os esforços para ser um bom modelo. Este supõe, necessariamente, uma voz afinada e clara. Para isso, deve praticar com regularidade os mesmos vocalizes propostos e que servem para preparar a voz das crianças. Contudo, Ward (1962) chama a atenção para o fato de que o verdadeiro bom modelo, aquele que é mais eficaz, é uma criança ou várias crianças. Por isso o cantar em grupo, tendo um professor que faça um bom papel como modelo e outras crianças compartilhando a experiência musical é essencial.

Sugestão de cronograma técnico para trabalhar com as crianças

1.  Exercitar inicialmente as notas médias da voz, notas fáceis e cômodas, que saem naturalmente. Ensinar ataque do som e exercitar a respiração;
2. Exercitar em seguida as regiões agudas e graves;
3. Desenvolver as qualidades da voz: intensidade, timbre, extensão, amplitude...usando exercícios agradáveis e músicas que estimulem o trabalho de forma atrativa. Vale também trabalhar a musicalidade com atividades lúdicas e jogos musicais (veja abaixo outras postagens em que abordo atividades e jogos)
4. Trabalhar articulação,  pronúncia e dicção com boa orientação e vocalizes atraentes. As crianças em geral gostam muito de exercícios que ofereçam desafios, como os trava-língua;
5. Obter um som sem contrações e esforço, usando adequadamente as cavidades de ressonância.


Veja aqui artigos com sugestões de atividades para trabalhar a musicalidade com as crianças e tornar a aula mais atrativa e dinâmica:

Atividades de duração
Atividades para trabalhar timbre
Atividades de Intensidade
Atividades de Altura
Jogo de apresentação
Jogo de improvisação
Jogo de comunicação
Jogo teste
Jogo de concentração
Jogo de escuta



Bom trabalho!


Referências

R. Z. Penteado, A. M. D. de Camargo, C. F. Rodrigues, C. R. da Silva, D. Rossi,J. T. C. e Silva, P. Gonzales, S. L. de S. G. Silva.  Vivência de voz com crianças: análise do processo educativo em saúde vocal. Distúrb Comun, São Paulo, 19(2): 237-246, agosto, 2007

GIGA, I. A Educação Vocal da Criança. Revista Música, Psicologia e Educação;N.º 6. Instituto Politécnico do Porto, 2004

MÁRSICO, L. O. A Voz Infantil e o Desenvolvimento Músico-vocal. Editora Est. Porto Alegre, 1979.


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Atividades musicais para Idosos com Doença de Parkinson



Na postagem de hoje vou iniciar uma série de sugestões de atividades para idosos de acordo com a patologia apresentada.

Lembrando que somente um musicoterapeuta qualificado pode avaliar e planejar a melhor atividade e procedimentos terapêuticos para cada idoso.

Hoje abordaremos a Doença de Parkinson (ou Mal de Parkinson)

A Doença de Parkinson

É uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. É causada por uma diminuição intensa da produção de dopamina, que é um neurotransmissor (substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas). A dopamina ajuda na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, não precisamos pensar em cada movimento que nossos músculos realizam, graças à presença dessa substância em nossos cérebros. Na falta dela, particularmente numa pequena região encefálica chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido, ocasionando  basicamente quatro sinais principais:


  •  tremores;
  •  acinesia ou bradicinesia (lentidão e diminuição dos movimentos voluntários); 
  • rigidez (enrijecimento dos músculos, principalmente no nível das articulações); 
  • instabilidade postural (dificuldades relacionadas ao equilíbrio, com quedas freqüentes).


A Doença de Parkinson e o Idoso

Com o envelhecimento, todos os indivíduos saudáveis apresentam morte progressiva das células nervosas que produzem dopamina. Algumas pessoas, entretanto, perdem essas células (e conseqüentemente diminuem muito mais seus níveis de dopamina) num ritmo muito acelerado e, assim, acabam por manifestar os sintomas da doença. 
Não se sabe exatamente quais os motivos que levam a essa perda progressiva e exagerada de células nervosas (degeneração), muito embora o empenho de estudiosos deste assunto seja muito grande. Admitimos que mais de um fator deve estar envolvido no desencadeamento da doença.

Tratamento da Doença

Existe sim tratamento medicamentoso para a Doença de Parkinson . Entretanto, tais medicamentos são sintomáticos, ou seja, eles repõem parcialmente a dopamina que está faltando e, desse modo, melhoram os sintomas da doença. Ainda não existem drogas disponíveis comercialmente que possam curar ou evitar de forma efetiva a progressão da degeneração de células nervosas que causam a doença. Assim, é muito recomendável um suporte  que inclua várias propostas terapêuticas, sendo a musicoterapia uma importante ferramenta terapêutica. 
O objetivo do tratamento, incluindo medicamentos, musicoterapia, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte psicológico e nutricional, é reduzir o prejuízo funcional decorrente da doença, permitindo que o paciente tenha uma vida independente, com qualidade, por muitos anos.

Musicoterapia e Parkinson


Sintomatologia
Atividade/Abordagem
Alteração rítimico-sonora
Hipertonia, oligocinesia
Tremor de repouso
Deambulação claudicante
Face inexpressiva
Linguagem lentificada

Relaxamento passivo e ativo
Instrumentos de grande potência sonora e manuseio
Consciência corporal, deambulação, lateralidade e respiração
Canção de ação

Sugestões de Atividades

  • Relaxamento e respiração: Iniciar a sessão com um relaxamento com música instrumental ao fundo, incluindo exercícios de respiração;
  • Tocando no ritmo: Utilizar instrumentos com área ampla para fazer a marcação do ritmo de música escolhida pelo idoso (evitar instrumentos pequenos demais). Ex: grande tambor (surdo, zabumba, taiko, grande pandeiro, clavas se o idoso ainda consegue segurar com firmeza, etc)
  • Variação da "estátua": Ao som de uma música lenta porém com ritmo marcante (o andamento da música deve ser escolhido com base na velocidade que o idoso consegue caminhar) andar com o idoso segurando ou apoiando seus braços de frente a ele (o terapeuta andará de costas) Assim ele terá apoio constante. Parar quando a música parar (sugiro editar pequenas paradas na música, ou pedir para alguém fazer pausas aleatórias). Cuidado para não puxar o idoso, o terapeuta se coloca apenas como apoio. Uma variação dessa atividade - quando a música parar, cada um pode falar algo escolhido como um compositor, um cantor, cor, fruta..qualquer palavra mas sem repetir. Assim também será realizado um estímulo cognitivo.
  • Gestos e Música: Escolher músicas que possuam gestos, ou crie gestos e movimentos a partir de uma canção escolhida. Escolha movimentos que o idoso realize sem muita dificuldade para não gerar frustração. Com o idoso envolvido com a música, o foco no movimento ficará menos evidenciado e além disso, o ritmo musical pode ajudar na sincronização dos movimentos do idoso, diminuindo a rigidez e movimentos descoordenados. 

No vídeo abaixo, veremos algumas atividades realizadas com pacientes parksonianos:






Muitas outras atividades poderão ser realizadas a partir dos conceitos apresentados. 

Bom trabalho!


Referências:

CASTRO PINTO, S. P. L. et al. O Desafio Multidisciplinar: Um Modelo de instituição de Longa Permanência para Idosos. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006.   

Academia Brasileira de Neurologia: O que é Doença de Parkinson. Disponível em http://www.cadastro.abneuro.org/site/conteudo.asp?id_secao=31&id_conteudo=34&ds_secao





terça-feira, 8 de setembro de 2015

Atividades Musicais com Idosos III



São inúmeros os comentários de leitores do blog me pedindo dicas e sugestões de atividades musicais com idosos.
Infelizmente não consigo enviar dicas e sugestões devido, principalmente, à escassez de tempo, dividido entre trabalho, filhos, casa, estudos, leituras...e o blog.

O Musica & Saúde andou bastante paradinho, já comentei aqui sobre isso. Peço desculpas e a compreensão de todos, mas agora que mudei de cidade (voltei pra minha terrinha Tatuí, -"capital da música"- embora continue trabalhando 3 dias intensivos em Osasco) acredito que consigo ter mais tempo para escrever.

Na postagem de hoje vou dar mais algumas sugestões de atividades que eu já fiz com meus grupos.
Espero que seja proveitoso!
Abraços a todos!

Telefone sem fio com instrumentos - Nesta atividade os idosos sentam-se em círculo. É escolhido um instrumento (eu gosto do pandeiro por ser leve e de fácil manuseio) e um idoso é escolhido para começar. O próprio idoso ou o dirigente da atividade  propõem uma célula rítmica simples, por exemplo 3 batidas: tá tá táa . Depois este passa o pandeiro para o vizinho que tem que reproduzir a mesma batida sem alteração. Quando todos terminarem, passa-se para outro idoso iniciar mas propondo uma batida mais complexa, se todos conseguiram realizar a anterior sem dificuldades.
Objetivo: Além de estimular a atenção e a memória, esta atividade proporciona integração social, treino motor, amplitude de movimentos e coordenação motora. O que parece simples para muitos, pode ser uma atividade complexa para idosos com comprometimento motor e/ou cognitivo.
Lembrando que a complexidade e número de batidas a serem repetidas deverá ser de acordo com a capacidade do grupo.

Grupo de Idosos Grupo Vida - Barueri
História Musical - Essa atividade eu realizei em atendimento individual, mas pode ser realizada com pequenos grupos ao longo de algumas sessões.
Numa cartolina/painel/quadro, traça-se uma linha (a linha da vida do (s) idoso (s), desde a data do seu nascimento até hoje. Pode-se fazer divisões como: Infância, Adolescência, Juventude, Casamento, Nascimento dos filhos,etc)
Em cada divisão/período é pedido ao idoso tentar recordar as músicas que ele ouvia ou o dirigente faz uma pesquisa das músicas  mais tocadas em cada período. Assim é possível registrar uma lista de músicas que fornecerão material para muitas atividades: audições das músicas listadas (que posteriormente podem ser gravadas), discussão sobre os compositores das épocas mencionadas, discussões sobre a própria história do Brasil e do mundo (ex. músicas do período da segunda guerra, política da boa vizinhança, ditadura no Brasil)

Bom trabalho!


segunda-feira, 6 de julho de 2015

A Importância da Musicalização Infantil



A Musicalização Infantil  é o processo no qual o educador se utiliza de brincadeiras, jogos e técnicas específicas para o aprendizado de música.
É através da Musicalização que a criança toma o primeiro contato com os elementos musicais e a partir das atividades, desperta o gosto pela música e pelo aprendizado musical.

Objetivos da musicalização

O objetivo central da educação musical é a educação pela música, que engloba vários aspectos do desenvolvimento humano.
A musicalização, além de transformar as crianças em indivíduos que usam os sons musicais, fazem e criam música, apreciam música, se expandem por meio da música, ainda auxilia no desenvolvimento e aperfeiçoamento da:
– Socialização 
- Alfabetização
- Inteligência
- Capacidade inventiva
- Expressividade
- Coordenação motora e tato fino
- Percepção sonora
- Percepção espacial
- Raciocínio lógico e matemático
- Estética

Educação Musical e Musicoterapia

O educador musical, quando está dirigindo uma atividade de criação em sala de aula, pode considerar que os seus objetivos foram atingidos quando seu aluno demonstra que apreendeu os conceitos abordados, que foi capaz de dar uma estrutura às suas criações com base nos conteúdos repassados pelo educador, entre outros fatores. Por outro lado, o musicoterapeuta, dependendo dos seus objetivos, ocupa-se  da postura do seu cliente como um todo, com o corpo, com a expressão fisionômica, com suas reações a determinado som ou à forma e ao conteúdo do que ele expressa através desse som (música).
 Dessa forma, seu trabalho objetiva principalmente o desenvolvimento de um processo que visa atender as necessidades dos seus alunos, sejam físicas, mentais, emocionais ou sociais. Além disso, o musicoterapeuta, com base nos seus conhecimentos específicos, terá como explicar todo o processo e como chegou aos seus objetivos.

Onde fazer:
Em Tatuí -Stimulus Terapias Integradas. Telefone 015 3251-8314
Musicoterapeutas e Educadoras Musicais: Roberta S. B. Florencio e Flávia B. Nogueira

Em Osasco - Scalla Music. Telefone 011 3682-6626 
Musicoterapeuta e Educadora Musical Flávia B. Nogueira
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