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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Atividades nas Instituições de Longa Permanência para Idosos

Atividades Musicais em Instituição de Longa Permanência para Idosos

As instituições que abrigam idosos está em acelerado crescimento. Com o envelhecimento populacional ocorrendo em um contexto de grandes mudanças sociais, culturais, econômicas e institucionais, espera-se para o futuro próximo um crescimento a taxas elevadas da população de 80 anos e mais.

No entanto, a certeza do crescimento da população idosa está  acompanhada pela incerteza das boas condições de cuidados que estes receberão.

Embora a legislação brasileira estabeleça que o cuidado dos membros dependentes deva ser responsabilidade das famílias, este se torna cada vez mais difícil, por diversos fatores como:

  • redução da fecundidade,  
  • mudanças na nupcialidade e 
  • crescente participação da mulher - tradicional cuidadora - no mercado de trabalho. 


Isto passa a requerer que o Estado e as instituições  privadas dividam com a família as responsabilidades no cuidado com a população idosa. Diante desse contexto, uma das alternativas de cuidados não-familiares existentes corresponde às instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), sejam públicas ou privadas.

Mas o que é uma ILPI?

No Brasil, não há consenso sobre o que seja uma ILPI. Sua origem está ligada aos asilos, inicialmente dirigidos à população carente que necessitava de abrigo, frutos da caridade cristã diante da ausência de políticas públicas.

Para a Anvisa, ILPIs são instituições governamentais ou não-governamentais, de caráter residencial, destinadas a domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania.

Casa de Repouso ou Instituição de Saúde?
O envelhecimento da população e o aumento da sobrevivência de pessoas com redução da capacidade física, cognitiva e mental estão requerendo que os asilos deixem de fazer parte apenas da rede de assistência social e integrem a rede de assistência à saúde, ou seja, ofereçam algo mais que um abrigo.

Porém, as ILPIs não são estabelecimentos voltados à clinica ou à terapêutica, apesar de os residentes receberem - além de moradia, alimentação e vestuário - serviços médicos e medicamentos.

Os serviços médicos e de fisioterapia são os mais frequentes nas instituições brasileiras, encontrados em 66,1% e 56,0% delas, respectivamente. No entanto, 34,9% dos residentes são independentes.

Por outro lado, a oferta de atividades que geram renda, de lazer e/ou cursos diversos é menos frequente, declarada por menos de 50% das instituições pesquisadas. O papel dessas atividades é o de promover algum grau de integração entre os residentes e ajudá-los a exercer um papel social.

Assim, para que o idoso que se encontra numa situação de institucionalização, seja ele dependente ou não, possa desfrutar de uma vida com qualidade, entendemos que é necessário que as instituições ofereçam atividades que envolvam o sujeito de forma global, ou seja, ir além do atendimento das suas necessidades básicas (alimentação, vestuário, higiene) mas também contemplar atividades sociais e de lazer.

Atividades na Instituição

São diversas as atividades que podem ser desenvolvidas com a população idosa, tais como Artesanato, Arteterapia, Pintura, Dança, Música e tantas mais.

A Musicoterapia é uma modalidade terapêutica bastante aceita e que envolve todos os idosos, dependentes (acamados, demenciados..) e ativos.

A  música tem a capacidade de fazer com que o idoso entre em contato consigo mesmo, resgatando e revivendo experiências do passado, expressando sentimentos, refletindo e se concentrando numa atividade (CAYRES, 2006).
Além disso, o fazer musical implica na realização de várias tarefas: tocar um instrumento, cantar, memorizar peças e letras musicais, improvisar. Tais produções combinam rápidas respostas motoras e cognitivas (PERETZ e ZATORRE, 2005), tornando a musicoterapia uma poderosa ferramenta na reabilitação física e cognitiva, ao mesmo tempo que oferece ao idoso uma atividade prazerosa e facilitadora das relações sociais.

Para saber mais sobre a musicoterapia com idosos acesse AQUI os outros artigos disponíveis no Blog.

Referências Bibliográficas

Camarano A. A., Kanso, S. As instituições de longa permanência para idosos no Brasil. Rev. bras. estud. popul. vol.27 no.1 São Paulo Jan./June 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-30982010000100014

CAYRES, K. Quem Canta, Seus Males Espanta. Disponível em: http://www.amtrj.com.br/arquivos/jornalUFRJ.pdf.

PERETZ I., ZATORRE R. Brain Organization for music processing. Montreal: Annu Review Psychology, vol. 56, 2005.








sábado, 30 de setembro de 2017

Atividades Musicais - Idosos Demenciados



Dando continuidade a proposta de atividades com idosos, hoje falaremos sobre a Demência e as possibilidades de estímulo através da música.

A demência é uma síndrome que se caracteriza pelo declínio da memória associado a déficit de, pelo menos, uma outra função cognitiva (linguagem, gnosias*, praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no desempenho social ou profissional do indivíduo.

Tipos de Demencias

Há várias causas de demência, cujo diagnóstico específico depende de conhecimento das diferentes manifestações clínicas e de uma sequência específica e obrigatória de exames complementares. 
As quatro causas mais frequentes de demência são:


  • Doença de Alzheimer - responsável por mais de 50% dos casos
  • Demência com corpos de Lewy - cujos sintomas são similares aos do Alzheimer e cuja incidência é a segunda maior entre as demências (perdendo apenas para o próprio Alzheimer)
  • Demência vascular - resultante de uma série de pequenos acidentes vasculares cerebrais (AVC)
  • Demência frontotemporal - que é uma degeneração que ocorre no lóbulo frontal do cérebro e que pode se espalhar para o lóbulo temporal.


Sintomatologia
Abordagens
Alteração de memória recente, de natureza leve, moderada e severa
Resgate da linha sonoro-musical preservada e mascarada
Falha sequencial do pensamento verbal, musical e posterior ecolalia
Estimulação rítmica e melódica da fala pelo ato de cantar
Dificuldade de comunicação verbal (expressão e compreensão)
Exercício integrado (fala, canto, ritmo do corpo, inflexões sonoras)
Fuga de ideias, desorientação temporo-espacial
Estimulação cognitiva sonoro-musical com complementação de melodia e letra
Dificuldade de deambulação, com andar lentificado, claudicante e sem regularidade rítmica
Estimulação do movimento através de canções e ritmos (canções de ação)
Comprometimento afetivo (possível depressão, baixa autoestima)
Trabalhar através de canções, a linguagem verbal e emocional

Na tabela acima já podemos visualizar algumas abordagens e possíveis atividades que poderão ser realizadas para cada dificuldade apresentada pelo individuo demenciado.

Outras Atividades

Trabalhar a agnosia - Adivinhar o instrumento: Colocar dentro de um saco grande, instrumentos e objetos que produzam som. Manipular os objetos e os instrumentos sem serem vistos pelos idosos .Eles deverão identificar o som dos mesmos pelo seu timbre/som. 
Uma variação pode ser feita com os idosos manipulando o instrumento pedido pelo dirigente. Assim ele procura através do tato o instrumento requisitado.

Rolinhos sensoriais – Atividade que pode ser aplicada com idosos de todos os níveis de demências, inclusive acamados. Confeccione chocalhos coloridos a partir de rolos de papel higiênico. Dentro dos rolos coloque diferentes materiais (feijão, arroz, milho, areia..). Os chocalhos podem ser usados de diversas maneiras : apenas tocar ao ritmo de músicas, fazer diferenciação de cores ( tocar somente os azuis, agora os amarelos..) adivinhar o que tem dentro, trabalhar lateralidade (tocar com a mão direita, esquerda, as duas..) entre outras. É também possivel reforçar o estímulo sensorial encapando o rolinho com materiais como barbante, grãos, tecido, lixa... Assim, além do sentido auditivo e visual, será estimulado também o sentido tátil. 

Cartelas de Compositores - Confeccione cartelas com figuras de compositores/cantores conhecidos dos idosos. Toque ou cante trechos de músicas e veja se eles são capazes de reconhecer e associar. Coloque no verso das cartelas informações sobre o compositor (Datas, maiores sucessos...etc) Assim fornecemos resgate e também o enriquecimento de informações.  Estimula a memoria visual, auditiva e os processos cognitivos.

Acesse aqui outras postagens que abordam os indivíduos idosos e sugestões de atividades!


Bom trabalho!


*Gnosia -  É uma função que permite a pessoa interpretar estímulos que vêm do exterior através dos órgãos dos sentidos.


Referências

CASTRO PINTO, S. P. L. et al. O Desafio Multidisciplinar: Um Modelo de instituição de Longa Permanência para Idosos. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006.


ZANINI, R. S. Demência no idoso: aspectos neuropsicológicos. Revista Neurociência 2010;18(2):220-226. UFSC, Florianópolis,SC, 2010.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Cuidados com a Voz Infantil Cantada


A Voz Da Criança - Relação Entre A Voz E A Idade

A voz da criança até à puberdade não manifesta diferença. A tessitura da voz cantada é igual em ambos os sexos. Só depois da mudança da voz, na altura da puberdade, o timbre infantil e as características pueris desaparecem para dar lugar à voz do adulto. 

A mudança da voz dá-se por volta dos doze anos nas meninas e por volta dos catorze anos nos rapazes. Não há, porém, um limite rígido. Trata-se de um fenômeno fisiológico em que há um crescimento da laringe e um alargamento das cordas vocais. De acordo com Bloch (2003), no fim da puberdade, as cordas vocais masculinas revelam um aumento de um centímetro de comprimento, enquanto as femininas só crescem cerca de três a quatro milímetros.

Na fase da mudança da voz, a tessitura também muda. Entre os especialistas estudiosos da voz há os que defendem a suspensão da atividade vocal dos rapazes durante esse período. A maioria, porém, não concorda com tal suspensão, aconselhando, contudo, prudência e uma orientação adequada.


Os Cuidados ao Cantar

De acordo com Gordon (2000), a aquisição da voz cantada deve começar na primeira infância. Considera ainda que, excetuando casos patológicos, todas as crianças podem cantar e defende que é entre os nove e os doze meses que se deve começar a guiar a sua voz, incitando a criança a responder aos estímulos musicais, propondo-lhe modelos corretos de voz cantada.

Para começar o trabalho vocal com as crianças, a imitação constitui o fator principal. Assim, o professor deve empregar todos os esforços para ser um bom modelo. Este supõe, necessariamente, uma voz afinada e clara. Para isso, deve praticar com regularidade os mesmos vocalizes propostos e que servem para preparar a voz das crianças. Contudo, Ward (1962) chama a atenção para o fato de que o verdadeiro bom modelo, aquele que é mais eficaz, é uma criança ou várias crianças. Por isso o cantar em grupo, tendo um professor que faça um bom papel como modelo e outras crianças compartilhando a experiência musical é essencial.

Sugestão de cronograma técnico para trabalhar com as crianças

1.  Exercitar inicialmente as notas médias da voz, notas fáceis e cômodas, que saem naturalmente. Ensinar ataque do som e exercitar a respiração;
2. Exercitar em seguida as regiões agudas e graves;
3. Desenvolver as qualidades da voz: intensidade, timbre, extensão, amplitude...usando exercícios agradáveis e músicas que estimulem o trabalho de forma atrativa. Vale também trabalhar a musicalidade com atividades lúdicas e jogos musicais (veja abaixo outras postagens em que abordo atividades e jogos)
4. Trabalhar articulação,  pronúncia e dicção com boa orientação e vocalizes atraentes. As crianças em geral gostam muito de exercícios que ofereçam desafios, como os trava-língua;
5. Obter um som sem contrações e esforço, usando adequadamente as cavidades de ressonância.


Veja aqui artigos com sugestões de atividades para trabalhar a musicalidade com as crianças e tornar a aula mais atrativa e dinâmica:

Atividades de duração
Atividades para trabalhar timbre
Atividades de Intensidade
Atividades de Altura
Jogo de apresentação
Jogo de improvisação
Jogo de comunicação
Jogo teste
Jogo de concentração
Jogo de escuta



Bom trabalho!


Referências

R. Z. Penteado, A. M. D. de Camargo, C. F. Rodrigues, C. R. da Silva, D. Rossi,J. T. C. e Silva, P. Gonzales, S. L. de S. G. Silva.  Vivência de voz com crianças: análise do processo educativo em saúde vocal. Distúrb Comun, São Paulo, 19(2): 237-246, agosto, 2007

GIGA, I. A Educação Vocal da Criança. Revista Música, Psicologia e Educação;N.º 6. Instituto Politécnico do Porto, 2004

MÁRSICO, L. O. A Voz Infantil e o Desenvolvimento Músico-vocal. Editora Est. Porto Alegre, 1979.


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Atividades musicais para Idosos com Doença de Parkinson



Na postagem de hoje vou iniciar uma série de sugestões de atividades para idosos de acordo com a patologia apresentada.

Lembrando que somente um musicoterapeuta qualificado pode avaliar e planejar a melhor atividade e procedimentos terapêuticos para cada idoso.

Hoje abordaremos a Doença de Parkinson (ou Mal de Parkinson)

A Doença de Parkinson

É uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. É causada por uma diminuição intensa da produção de dopamina, que é um neurotransmissor (substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas). A dopamina ajuda na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, não precisamos pensar em cada movimento que nossos músculos realizam, graças à presença dessa substância em nossos cérebros. Na falta dela, particularmente numa pequena região encefálica chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido, ocasionando  basicamente quatro sinais principais:


  •  tremores;
  •  acinesia ou bradicinesia (lentidão e diminuição dos movimentos voluntários); 
  • rigidez (enrijecimento dos músculos, principalmente no nível das articulações); 
  • instabilidade postural (dificuldades relacionadas ao equilíbrio, com quedas freqüentes).


A Doença de Parkinson e o Idoso

Com o envelhecimento, todos os indivíduos saudáveis apresentam morte progressiva das células nervosas que produzem dopamina. Algumas pessoas, entretanto, perdem essas células (e conseqüentemente diminuem muito mais seus níveis de dopamina) num ritmo muito acelerado e, assim, acabam por manifestar os sintomas da doença. 
Não se sabe exatamente quais os motivos que levam a essa perda progressiva e exagerada de células nervosas (degeneração), muito embora o empenho de estudiosos deste assunto seja muito grande. Admitimos que mais de um fator deve estar envolvido no desencadeamento da doença.

Tratamento da Doença

Existe sim tratamento medicamentoso para a Doença de Parkinson . Entretanto, tais medicamentos são sintomáticos, ou seja, eles repõem parcialmente a dopamina que está faltando e, desse modo, melhoram os sintomas da doença. Ainda não existem drogas disponíveis comercialmente que possam curar ou evitar de forma efetiva a progressão da degeneração de células nervosas que causam a doença. Assim, é muito recomendável um suporte  que inclua várias propostas terapêuticas, sendo a musicoterapia uma importante ferramenta terapêutica. 
O objetivo do tratamento, incluindo medicamentos, musicoterapia, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte psicológico e nutricional, é reduzir o prejuízo funcional decorrente da doença, permitindo que o paciente tenha uma vida independente, com qualidade, por muitos anos.

Musicoterapia e Parkinson


Sintomatologia
Atividade/Abordagem
Alteração rítimico-sonora
Hipertonia, oligocinesia
Tremor de repouso
Deambulação claudicante
Face inexpressiva
Linguagem lentificada

Relaxamento passivo e ativo
Instrumentos de grande potência sonora e manuseio
Consciência corporal, deambulação, lateralidade e respiração
Canção de ação

Sugestões de Atividades

  • Relaxamento e respiração: Iniciar a sessão com um relaxamento com música instrumental ao fundo, incluindo exercícios de respiração;
  • Tocando no ritmo: Utilizar instrumentos com área ampla para fazer a marcação do ritmo de música escolhida pelo idoso (evitar instrumentos pequenos demais). Ex: grande tambor (surdo, zabumba, taiko, grande pandeiro, clavas se o idoso ainda consegue segurar com firmeza, etc)
  • Variação da "estátua": Ao som de uma música lenta porém com ritmo marcante (o andamento da música deve ser escolhido com base na velocidade que o idoso consegue caminhar) andar com o idoso segurando ou apoiando seus braços de frente a ele (o terapeuta andará de costas) Assim ele terá apoio constante. Parar quando a música parar (sugiro editar pequenas paradas na música, ou pedir para alguém fazer pausas aleatórias). Cuidado para não puxar o idoso, o terapeuta se coloca apenas como apoio. Uma variação dessa atividade - quando a música parar, cada um pode falar algo escolhido como um compositor, um cantor, cor, fruta..qualquer palavra mas sem repetir. Assim também será realizado um estímulo cognitivo.
  • Gestos e Música: Escolher músicas que possuam gestos, ou crie gestos e movimentos a partir de uma canção escolhida. Escolha movimentos que o idoso realize sem muita dificuldade para não gerar frustração. Com o idoso envolvido com a música, o foco no movimento ficará menos evidenciado e além disso, o ritmo musical pode ajudar na sincronização dos movimentos do idoso, diminuindo a rigidez e movimentos descoordenados. 

No vídeo abaixo, veremos algumas atividades realizadas com pacientes parksonianos:






Muitas outras atividades poderão ser realizadas a partir dos conceitos apresentados. 

Bom trabalho!


Referências:

CASTRO PINTO, S. P. L. et al. O Desafio Multidisciplinar: Um Modelo de instituição de Longa Permanência para Idosos. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006.   

Academia Brasileira de Neurologia: O que é Doença de Parkinson. Disponível em http://www.cadastro.abneuro.org/site/conteudo.asp?id_secao=31&id_conteudo=34&ds_secao





terça-feira, 8 de setembro de 2015

Atividades Musicais com Idosos III



São inúmeros os comentários de leitores do blog me pedindo dicas e sugestões de atividades musicais com idosos.
Infelizmente não consigo enviar dicas e sugestões devido, principalmente, à escassez de tempo, dividido entre trabalho, filhos, casa, estudos, leituras...e o blog.

O Musica & Saúde andou bastante paradinho, já comentei aqui sobre isso. Peço desculpas e a compreensão de todos, mas agora que mudei de cidade (voltei pra minha terrinha Tatuí, -"capital da música"- embora continue trabalhando 3 dias intensivos em Osasco) acredito que consigo ter mais tempo para escrever.

Na postagem de hoje vou dar mais algumas sugestões de atividades que eu já fiz com meus grupos.
Espero que seja proveitoso!
Abraços a todos!

Telefone sem fio com instrumentos - Nesta atividade os idosos sentam-se em círculo. É escolhido um instrumento (eu gosto do pandeiro por ser leve e de fácil manuseio) e um idoso é escolhido para começar. O próprio idoso ou o dirigente da atividade  propõem uma célula rítmica simples, por exemplo 3 batidas: tá tá táa . Depois este passa o pandeiro para o vizinho que tem que reproduzir a mesma batida sem alteração. Quando todos terminarem, passa-se para outro idoso iniciar mas propondo uma batida mais complexa, se todos conseguiram realizar a anterior sem dificuldades.
Objetivo: Além de estimular a atenção e a memória, esta atividade proporciona integração social, treino motor, amplitude de movimentos e coordenação motora. O que parece simples para muitos, pode ser uma atividade complexa para idosos com comprometimento motor e/ou cognitivo.
Lembrando que a complexidade e número de batidas a serem repetidas deverá ser de acordo com a capacidade do grupo.

Grupo de Idosos Grupo Vida - Barueri
História Musical - Essa atividade eu realizei em atendimento individual, mas pode ser realizada com pequenos grupos ao longo de algumas sessões.
Numa cartolina/painel/quadro, traça-se uma linha (a linha da vida do (s) idoso (s), desde a data do seu nascimento até hoje. Pode-se fazer divisões como: Infância, Adolescência, Juventude, Casamento, Nascimento dos filhos,etc)
Em cada divisão/período é pedido ao idoso tentar recordar as músicas que ele ouvia ou o dirigente faz uma pesquisa das músicas  mais tocadas em cada período. Assim é possível registrar uma lista de músicas que fornecerão material para muitas atividades: audições das músicas listadas (que posteriormente podem ser gravadas), discussão sobre os compositores das épocas mencionadas, discussões sobre a própria história do Brasil e do mundo (ex. músicas do período da segunda guerra, política da boa vizinhança, ditadura no Brasil)

Bom trabalho!


segunda-feira, 6 de julho de 2015

A Importância da Musicalização Infantil



A Musicalização Infantil  é o processo no qual o educador se utiliza de brincadeiras, jogos e técnicas específicas para o aprendizado de música.
É através da Musicalização que a criança toma o primeiro contato com os elementos musicais e a partir das atividades, desperta o gosto pela música e pelo aprendizado musical.

Objetivos da musicalização

O objetivo central da educação musical é a educação pela música, que engloba vários aspectos do desenvolvimento humano.
A musicalização, além de transformar as crianças em indivíduos que usam os sons musicais, fazem e criam música, apreciam música, se expandem por meio da música, ainda auxilia no desenvolvimento e aperfeiçoamento da:
– Socialização 
- Alfabetização
- Inteligência
- Capacidade inventiva
- Expressividade
- Coordenação motora e tato fino
- Percepção sonora
- Percepção espacial
- Raciocínio lógico e matemático
- Estética

Educação Musical e Musicoterapia

O educador musical, quando está dirigindo uma atividade de criação em sala de aula, pode considerar que os seus objetivos foram atingidos quando seu aluno demonstra que apreendeu os conceitos abordados, que foi capaz de dar uma estrutura às suas criações com base nos conteúdos repassados pelo educador, entre outros fatores. Por outro lado, o musicoterapeuta, dependendo dos seus objetivos, ocupa-se  da postura do seu cliente como um todo, com o corpo, com a expressão fisionômica, com suas reações a determinado som ou à forma e ao conteúdo do que ele expressa através desse som (música).
 Dessa forma, seu trabalho objetiva principalmente o desenvolvimento de um processo que visa atender as necessidades dos seus alunos, sejam físicas, mentais, emocionais ou sociais. Além disso, o musicoterapeuta, com base nos seus conhecimentos específicos, terá como explicar todo o processo e como chegou aos seus objetivos.

Onde fazer:
Em Tatuí -Stimulus Terapias Integradas. Telefone 015 3251-8314
Musicoterapeutas e Educadoras Musicais: Roberta S. B. Florencio e Flávia B. Nogueira

Em Osasco - Scalla Music. Telefone 011 3682-6626 
Musicoterapeuta e Educadora Musical Flávia B. Nogueira

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Jogos de Expressão e Improvisação




Após uma longa pausa, hoje retornaremos com as atividades propostas no livro 100 Jogos Musicais.
Os jogos de hoje, classificados de Expressão e Improvisação, convidam os jogadores a exprimir as suas próprias idéias ou pontos de vista. Pouco a pouco, incentivam a auto confiança nas suas próprias capacidades inventivas e imaginativas, permitindo ao participante ultrapassar o medo da exposição e o receio de ser julgado.

Uma outra característica destes jogos é a experiência adquirida para, espontaneamente, inventar e encontrar soluções criativas perante situações novas e imprevisíveis.

Os Jogos

Instrumentos Imaginários - Todos os jogadores sentam-se em círculo e um saco grande passa de mão em mão. Cada jogador, na sua vez, tira um instrumento imaginário e passa a "tocá-lo" e emitir o som característico do instrumento imaginado. Aos demais, compete adivinhar o instrumento.

 Mímica de canções - Os participantes dispostos em círculo escolhem um para sentar-se no centro e iniciar o jogo. Este pensa em uma canção conhecida e passa a representá-la com gestos. O participante que adivinhar a canção primeiro deverá cantá-la, e posteriormente tomar o lugar do colega que estava no centro reiniciando assim o jogo. Este jogo pode ter regras variadas ex: Ganha o jogador que mais acertar as canções, ou todos participam, sendo que a cada rodada um jogador em sequencia vai para o centro, independente de ter acertado a resposta ou não.

Som e Sentimento - Duas séries de 6 palavras deverão ser escritas em um quadro (lousa, cartolina). A primeira série consiste em 6 maneiras diferentes de representar um som: 1. Grave, 2. Agudo, 3. Ligado, 4. Suave, 5. Forte, 6. Staccato. A segunda série de palavras consiste em categorias de sentimentos, tais como 1. Raiva, 2. Tristeza, 3. Alegria, 4. Medo, 5. Ternura, 6. Autoridade. Cada jogador deve jogar duas vezes um dado  e representar em instrumentos dispostos livremente a combinação das 2 séries. Ex: Se um jogador tirou um 4 e um 2, este deve escolher um instrumento e expressar com um som Suave (4) um sentimento de Tristeza (2).
Obs.: As palavras de ambos os quadros podem ser diferentes, assim como sua ordem. Porém é importante manter a ideia das colunas de palavras - um indicando a forma de tocar, outro a expressão de sentimentos.
Abaixo  figuras de dados para confeccionar.




Lembre-se que os jogos citados são apenas sugestões e podem ser modificados e adaptados conforme o objetivo e perfil do grupo.

Bom trabalho!

domingo, 11 de novembro de 2012

Atividades Musicais - Idosos Dependentes




O comprometimento funcional representa um dos principais aspectos a serem avaliados no planejamento da assistência ao idoso. O idoso que passa a depender de terceiros, isto é, de um cuidador, tem a realização de atividades diárias comprometidas, limitando sua independência. Nestes casos, é aconselhável estimulá-lo a executar outras tarefas que seja capaz. Em situações de dependência total, essas tarefas ficam sob a responsabilidade do cuidador e de seus familiares.

A autonomia é a capacidade de tomar decisão e sua execução, enquanto independência relaciona-se com conformação física, mental e social para realizar as atividades diárias. A independência pode ser parcial ou total e possui relação inversamente proporcional com a incapacidade, comprometimento e deficiência.
A incapacidade representa a restrição ou perda, transitória ou definitiva, da habilidade para realizar ao menos as atividades de vida diária. O comprometimento significa qualquer distúrbio físico, fisiológico ou psicológico.

Música na Promoção da Saúde

Além dos cuidados com higiene, medicação e alimentação, entre outros, (que são administrados por profissionais ou cuidadores preparados para tal), o idoso dependente necessita de outras medidas que lhe confiram melhor qualidade de vida.

Para cuidar bem de alguém é necessário minimizar o estresse do dia-a-dia e investir em conhecimento, lazer, além do autocuidado. Devem ser definidas prioridades como o equilíbrio entre trabalho e descanso e investimento em conhecimentos e experiências, lazer, arte e criatividade.

Neste âmbito, a música pode ser utilizada como uma ferramenta de promoção da saúde, melhorando a qualidade de vida e auxiliando na manutenção dos aspectos cognitivos do idoso.

A utilização da música com idosos dependentes, mesmo acamados, é bastante possível, já que o som "alcança" o idoso onde quer que se encontre.

Atividades

As atividades variam de acordo com a capacidade cognitiva do idoso. Assim, idosos cadeirantes ou acamados, mas que tenham as funções cognitivas preservadas, podem realizar muitas atividades. Abaixo veremos alguns exemplos de atividades que se utilizam de sons.

1. Bingo de sons. Idosos adoram bingo! (claro que nem todos) Trabalhe então com um bingo de sons. Esta atividade poderá ser realizada com mais de um idoso. Em uma instituição isso pode ser bem legal já que se pode jogar com idosos acamados no quarto. Distribua as cartelas e toque o cd com sons diversos. Será necessário, se possível, colocar o idoso em uma posição elevada, ou seja, sentá-lo. Normalmente a cama pode ser ajustada.  Baixe aqui Cd com diversos sons e imprima as cartelas abaixo (clique na imagem). A marcação poderá ser feita com tampinhas de refrigerante (minhas preferidas). Uma boa opção quando a marcação com tampinhas (ou outro meio) não é possível devido a posição do idoso, é plastificar as cartelas e marcar com canetinha esferográfica. Depois é só apagar. Caso necessário, ajude o idoso a fazer a marcação. Procure sempre deixar o idoso realizar a tarefa de forma mais independente possível e ajude quando julgar necessário. 







2. Sons e objetos do meio. Uma variação da atividade anterior. Esta atividade poderá ser realizada com idosos com perda cognitiva e que necessitam de estímulo. Mais uma vez os sons anteriores poderão ser utilizados. Imprima as cartelas e estimule o reconhecimento de objetos e sons em cada ambiente. Perguntas poderão ser feitas, por  exemplo: Que objetos ficam na cozinha?  Qual meio de transporte anda sobre trilhos?





A partir destas atividades e questões, poderão surgir conteúdos para inúmeras atividades.
Ainda que as atividades sugeridas acima não contenham "música", utilizamos os sons do ambiente (embora seja possível  incluir música. Ex: A partir da questão sobre o trem trabalhar a música "Trem das Onze"). Isso é importante para trabalhar a percepção auditiva dos idosos.

Lembrando que as atividades acima contemplam idosos com condições cognitivas e físicas de realizar as atividades propostas. A ideia principal é incluir os idosos cadeirantes ou acamados em atividades prazerosas possíveis.

Em uma próxima postagem, darei mais sugestões do uso da Música em atividades para idosos dependentes, inclusive com limitações físicas e cognitivas.

Bom trabalho!

Referências

CONCEIÇÃO, Luiz Fabiano Soriano. Saúde do idoso: orientações ao cuidador do idoso acamado. Revista Med Minas Gerais. Belo Horizonte, 2010; 20(1): 81-91.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Atividades Musicais com Idosos II



A realização de atividades é um meio privilegiado de o idoso obter bem-estar psicológico e físico.

O termo atividade pode incluir tanto atividades físicas como mentais, sejam estas individuais ou grupais. A atividade, quando praticada regularmente, oferece ao idoso significado e satisfação à existência, quer pelo compromisso e responsabilidade social, quer pela oportunidade de manter convívio social.

Atividades Musicais

As atividades musicais implicam na realização de várias tarefas: tocar um instrumento, cantar, memorizar peças e letras musicais, improvisar. Porém, é necessário ficar atento e conhecer as possíveis limitações dos idosos. Pode ser necessário adaptar as atividades para que mesmo indivíduos com dificuldades motoras possam realizar a proposta. Idosos acamados também podem se beneficiar da musicoterapia e atividades musicais, através de audições e atividades guiadas por um musicoterapeuta.

Abaixo, algumas sugestões de atividades que podem ser realizadas com grupos de idosos ou mesmo em atendimentos individuais:

Atividade 1 - Relaxamento e respiração:

Os exercícios respiratórios facilitam a eliminação de secreções e melhoram a ventilação pulmonar, prevenindo complicações pulmonares e preparando o idoso para as atividades cantadas.

Respiração abdominal - puxar o ar pelo nariz lentamente e soltar pela boca, levando o ar para "barriga".
Respiração profunda - puxar o ar o máximo que conseguir e soltar pela boca devagar.
Respiração em 2 tempos - puxa um pouco de ar, segura, puxa tudo e solta devagar pela boca.

Um musicoterapeuta pode escolher uma música para colocar de fundo enquanto a atividade é realizada. A escolha da música deve ser cuidadosa pois pode provocar sentimentos de melancolia, tristeza e  despertar lembranças. A não ser que este seja o objetivo do terapeuta, este é um momento de relaxamento que precede as atividades.

Atividade 2 - Desenvolvimento Físico/Motor

Escolher uma música com um ritmo bem marcante. Com os idosos sentados em círculo, propor movimentos que sigam o ritmo da música. Os movimentos devem ser suaves e não muito rápidos para não provocar lesões, porém, combinados e sincronizados. Esta atividade baseia-se na Dança Sênior. Criada em 1974, a dança sênior busca inspiração nas danças folclóricas e de salão de todas as partes do mundo. 
No vídeo abaixo, vemos uma atividade com dança sênior ao som de Cidade Maravilhosa:



Atividade 3 - Jogral de Canções

Escolha uma canção curta e bem conhecida pelo grupo. Divida a música em frases e escreva cada frase em um pedaço de papel/cartolina (é bom que as letras sejam grandes; verifique também se todos são capazes de ler). Primeiro distribua as folhas para cada um na ordem em que estão sentados. Assim, a música obedecerá uma sequência mais fácil. A música é então cantada, cada um na sua vez. Se o resultado for bom ou seja, se todos conseguirem cantar na sequência certa, recolha as folhas e distribua novamente, porém aleatoriamente e cante novamente a música cada um na sua vez, seguindo a sequência da música, mas não na ordem dos idosos. 
Se os idosos não forem capaz de ler, (ou mesmo para os que leem), pode-se fazer a atividade apontando ou tocando no ombro do idoso que irá cantar a sequência (verifique se todos conhecem a letra da música ).

Atividade 4 -  Passando a bola

Com uma bola ou uma bexiga, escolha uma música conhecida gravada em CD. Com os idosos sentados, passe a bola ou bexiga de mão em mão enquanto todos cantam. Dê pausa na música e o idoso que ficou com a bola deve continuar a música. Continuar até a música acabar.

É isso amigos. Lembrem-se que são apenas sugestões e podem ser alteradas e adaptadas conforme o grupo e objetivos do musicoterapeuta.

Veja outras atividades em  Atividade Musicais com Idosos.


Referências:

Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina. Cuidando do Cuidador: Guia Prático para cuidadores informais. São Paulo, 2011.

YOKOYAMA Cláudia E., CARVALHO, Renata S., VIZZOTTO, Marília M. Qualidade de vida na velhice segundo a percepção de idosos frequentadores de um centro de referência. inFormação ano 10, nº 10, jan./dez. 2006.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Jogos Musicais - Jogos de Comunicação





A intenção dos jogos de comunicação é "ensinar" os membros de um grupo a reagir reciprocamente num quadro pouco estruturado. Eles aprenderão a pôr -se em contato uns com os outros, numa situação em que o resultado não está pré concebido.

Assim, neste tipo de jogo, o que interessa não é o jogo em si, mas as numerosas interações em que um grupo é confrontado antes de poder colocar-se de acordo com a iniciativa do outro.



Características:

  • Trata-se principalmente de jogos de movimento apresentando uma estrutura pouco rígida;
  • A música atua com um apoio que permite o prosseguimento do jogo, não sendo portanto, o elemento principal;
  • São baseados na comunicação e nas capacidades de reação frente aos outros. Assim, não conta o resultado e nem o fato de haver ou não um vencedor.

Os Jogos

1 - Espelho animado - Os membros do grupo ficam posicionados em pares, frente a frente com cerca de um metro de distância. Cada par escolhe quem comandará o jogo, e ao som de uma música de andamento inicialmente moderado, o membro escolhido realiza movimentos livres de acordo com o andamento da música. Ao mesmo tempo, seu par deve realizar os mesmos movimentos, como num espelho. Ao terminar a música, invertem-se as funções.

2 -  Completemos a canção - Com o grupo sentado em círculo, um membro é escolhido para iniciar e canta  a primeira frase de uma canção. Uma outra pessoa canta a segunda frase, uma outra a terceira a assim por diante, até terminar a canção ou até que um membro não consiga completar a canção. As canções escolhidas devem ser conhecidas por todos os membros do grupo. Este jogo permite inúmeras variações: exemplos - se a música é muito fácil pode-se acelerar o andamento; - a escolha dos participantes que realizam a sequencia das canções podem ser aleatórias utilizando uma bola jogada pelo último jogador; muitas outras.

3 - Que direção tomar? - Este jogo é realizado com apenas três participantes. Dois jogadores posicionam-se a uma distância de 8 a 10 metros, enquanto o terceiro jogador, de olhos vendados e sem conhecer a identidade dos outros dois, se coloca entre eles. O objetivo do jogo é atrair o jogador de olhos vendados para si pela emissão de sons vocais. Cada vez que o jogador vendado escuta um som que, por uma razão ou outra, o atraia, anda em direção ao jogador que emitiu o som. Se ao contrário, o som o repelir, se afasta. Ao ouvir um som que lhe seja indiferente, fica imóvel. Ganha o jogador que conseguir atrair o jogador para perto de si. 
Observação: Após o jogo, deverá seguir-se uma discussão sobre a atividade, abordando a atração e repulsa aos sons, se o jogador vendado reconheceu os participantes e se isso o influenciou a direção dos seus movimentos.
Variação: Pode-se usar instrumentos musicais no lugar de sons vocais.

É isso aí amigos. Lembrando que esta série de jogos é baseada no livro 100 Jogos Musicais - Coleção Práticas Pedagógicas. 

Você pode acessar aqui os outros jogos e atividades já postados no blog. 

Bom trabalho!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Jogos Musicais - Jogos de aproximação e de apresentação


Em continuidade da série Jogos Musicais, baseados no livro 100 Jogos Musicais - Coleção Práticas Pedagógicas, apresentamos hoje os jogos de desenvolvimento da sociabilidade.

Como nos grupos apresentados anteriormente, os Jogos de Desenvolvimento da Sociabilidade são formados por um conjunto de jogos, subdivididos em:
  • Jogos de aproximação e de apresentação
  • Jogos de comunicação
  • Jogos baseados na confiança
São jogos que buscam reforçar e favorecer a unidade do grupo, bem como a comunicação. De acordo com o jogos escolhido, poder-se-á assistir e desenvolver os processos de dinâmica de grupo e visam:

  • aprender a conhecer-se (auto conhecimento);
  • a pôr-se a vontade (espontaneidade);
  • vencer a timidez;
  • criar um sentimento de segurança;
  • desenvolver a auto confiança;
  • compartilhar os próprios sentimentos assim como dos outros;
  • assumir risco;
  • e tantos outros objetivos que o educador ou musicoterapeuta puder traçar.
Embora estes jogos sejam especialmente concebidos para os primeiros encontros, poderão ser realizados posteriormente, sempre que se considerar a necessidade de um reforço na harmonia do grupo.

Jogos de aproximação e de apresentação
 

São jogos que estimulam a espontaneidade e o prazer  dos participantes, dando-lhes a oportunidade de se aproximarem uns dos outros, evoluindo em uma situação livre e natural.

Caracteriza-se por sua estrutura simples e de curta duração. Normalmente baseiam-se em jogos conhecidos,  como o jogo da cadeira e sempre requerem a participação de todos.

Os jogos

  • Estação pirata -  Materiais Utilizados: instrumentos diversos e um apito - Os participantes são divididos em três grupos - Os emissores, os receptores e os "piratas". Os grupos de receptores e emissores ficarão dispostos em paredes opostas da sala separados pelo grupo de piratas. Os emissores combinam entre si uma canção conhecida que deverá ser transmitida aos receptores dispostos do outro lado, somente a melodia, sem letra. Com a ajuda de um apito, o educador ou musicoterapeuta dá o comando para iniciar a transmissão, ao mesmo tempo, os "piratas" passam a tocar seus instrumentos que somente eles dispõem, afim de que a mensagem não seja reconhecida pelos receptores. Após alguns segundos (cerca de 30 seg.) o apito novamente é tocado dando fim a transmissão. Só então os receptores demonstram se conseguiram reconhecer a canção entoada pelos emissores. Trocam-se os papéis até que todos participem dos três grupos.
  • À Procura da própria canção - Material: Folhas de papel. Antecipadamente, o educador/musicoterapeuta escreve o título de três canções bem conhecidas (Ex Marcha Soldado, Atirei o pau no gato, Cai cai balão) dividindo nos papéis em partes iguais (se possível). É importante que cada canção seja escrita mais de uma vez. Distribui-se as folhas dobradas para cada participante e ao comando do mediador, todos passam a cantar a canção escrita na folha recebida ao mesmo tempo que caminham pela sala. O objetivo é reconhecer  quais estão cantando a mesma canção, e ao fim do jogo, três grupos deverão estar reunidos.
  • Apanhemo-nos com música - Material: Apito ou flauta. Este jogo deverá ser realizado em um espaço amplo, de preferencia em campo aberto como uma quadra ou jardim. O espaço deve ser delimitado e divido em dois, como num campo de queimada. Divide-se os participantes em dois grupos. Um participante é escolhido para iniciar o jogo tocando a flauta ou apito. Este jogador deve tomar folego e sustentar uma nota pelo máximo de tempo sem pausas. Enquanto soa a nota, lhe é permitido passar ao campo 'adversário' e apanhar o máximo de 'inimigos' que conseguir (os inimigos tocados sairão do jogo).  Aos inimigos é permitido fugir, porém, sem sair do seu campo. Quando o participante que está tocando o instrumento sentir que não aguenta mais soar a nota, deve imediatamente voltar para a segurança do seu campo, caso não consiga chegar ao seu campo a tempo, será desclassificado e seus prisioneiros poderão voltar aos seus próprios campos e continuar o jogo.

Os jogos propostos são apenas sugestões e podem ser alterados e adaptados, conforme a clientela, o número de participantes, a faixa etária e os objetivos.

É isso, bom trabalho a todos!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Construção de Instrumentos e Musicoterapia




A construção de instrumentos musicais é um recurso bastante utilizado pela educação musical, especialmente na musicalização infantil.  Ao estimular a pesquisa, a imaginação, o planejamento, a organização e a criatividade; a construção também pode ser uma ferramenta interessante  para a musicoterapia, sendo um ótimo meio para desenvolver nos participantes de qualquer idade, a capacidade de elaborar projetos. 

Construção de Instrumentos em Musicoterapia

Embora o uso de instrumentos construídos à partir de sucata e outros materiais não ser aceito por todos os musicoterapeutas, encontramos na literatura autores que defendem a confecção de instrumentos durante o processo terapêutico.
 Para Benenzon (1988), os instrumentos criados são aqueles fabricados ou improvisados pelos pacientes ou pelo musicoterapeuta. Esses instrumentos são fabricados com quanto e qual material se encontre na vida cotidiana do paciente.
Para o autor um instrumento musical será de interesse para a Musicoterapia se tiver as seguintes características:
  • Simples manejo;
  • Fácil deslocamento; 
  • Grande potencia sonora;
  • Que tenda à expansão e não à introversão; 
  • Que suas possibilidades sonoras sejam de estruturas rítmicas, melódicas, inteligíveis e claras; 
  • Que a sua simples presença seja suficiente estímulo como objeto intermediário.
A variedade de instrumentos que podem ser construídos são diversas e dependem de alguns critérios básicos:
  • Grau de dificuldade na construção - estar atento às limitações do paciente/cliente;
  • Recursos materiais acessíveis;
  • Disponibilidade de tempo.                                                                                                                            
Entre os instrumentos mais simples está o  chocalho. A facilidade na confecção e acesso a variados materiais  - latinhas, potes, tubos de papel, grãos diversos, pedrinhas, tampinhas, entre outros; além da variedade de timbres resultantes dos materiais diversos utilizados, faz com que seja um  dos instrumentos mais acessíveis.


Chocalhos de Latinhas


Nos vídeos abaixo, veja como construir instrumentos mais elaborados:




Flauta de Pã

Flauta em Si em em Dó

Tamborim


Flauta de Êmbolo

Metalofone



Quando utilizada em musicoterapia, é importante ressaltar que a construção de instrumentos musicais deve fazer parte do processo terapêutico, e não substituem a aquisição de instrumentos de qualidade no setting musicoterapêutico.



Referências:

FLORENCIO, Roberta S. B, MAGALHÃES, Natália Elisa. Dos Rolinhos aos Chocalhos: Como a Sucata se Transforma em um Importante Instrumento Terapêutico. 

TANGARIFE, Ana Sheila, PETERSEN, Elizabeth, MOUTA, Dayse, Dr.JERMANN, Paulo Eugênio.
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