sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Dia do Musicoterapeuta!!



Em abril de 1991, Luiz Antônio Fleury Filho, então governador de São Paulo,  decretou a data de 15 de setembro como o Dia do Musicoterapeuta.


Mas o que é Musicoterapia?

Segundo a definição atualizada,"Musicoterapia é a utilização profissional da música e seus elementos, para a intervenção em ambientes médicos, educacionais e cotidiano com indivíduos, grupos, famílias ou comunidades que procuram otimizar a sua qualidade de vida e melhorar suas condições físicas, sociais, comunicativas, emocionais, intelectuais, espirituais e de saúde e bem estar. Investigação, a educação, a prática e o ensino clínico em musicoterapia são baseados em padrões profissionais de acordo com contextos culturais, sociais e políticos”.( World Federation of Music Therapy (WFMT), em 2011)

Quem é o Musicoterapeuta?

O musicoterapeuta é um profissional da saúde graduado, capacitado para utilizar a música na  prevenção, reabilitação e/ou manutenção da saúde. No Brasil a graduação se dá em quatro anos e o aluno deve cumprir centenas de horas de estágio em distintas áreas de atuação: clínica, educacional, hospitalar, empresarial, social, etc.  A prática baseia-se na musicoterapia ativa (ou interativa) onde o paciente faz música junto com o musicoterapeuta, o que inclui várias atividades, como dança, manuseio de instrumentos musicais, canto, e tantas outras práticas, dentro das inúmeras possibilidades que a música oferece. Embora menos comum, em determinadas situações alguns musicoterapeutas utilizam-se de técnicas da musicoterapia receptiva (audição musical, por exemplo).

 A atual formação brasileira, graduação ou especialização, contempla os fundamentos dos modelos citados e de outras abordagens que foram surgindo ao longo do tempo. Além das disciplinas específicas de musicoterapia o musicoterapeuta estuda filosofia, psicologia humana, etnomusicologia, psiquiatria, neurofisiologia, percepção musical, pedagogia musical, aulas de instrumentos, entre outros. 

A Musicoterapia é uma prática terapêutica séria, baseada em pesquisas que buscam constante atualização e conhecimentos sólidos. Assim o profissional que a aplica deve estar bem preparado com técnicas próprias da musicoterapia e capaz de estruturar um trabalho consciente afim de alcançar resultados duradouros.
Não basta ter conhecimento musical para aplicar a musicoterapia. Um músico fará atividades musicais, NÃO musicoterapia.

Portanto, só aceite musicoterapia com um musicoterapeuta graduado e qualificado!






quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Cuidados com a Voz Infantil Cantada


A Voz Da Criança - Relação Entre A Voz E A Idade

A voz da criança até à puberdade não manifesta diferença. A tessitura da voz cantada é igual em ambos os sexos. Só depois da mudança da voz, na altura da puberdade, o timbre infantil e as características pueris desaparecem para dar lugar à voz do adulto. 

A mudança da voz dá-se por volta dos doze anos nas meninas e por volta dos catorze anos nos rapazes. Não há, porém, um limite rígido. Trata-se de um fenômeno fisiológico em que há um crescimento da laringe e um alargamento das cordas vocais. De acordo com Bloch (2003), no fim da puberdade, as cordas vocais masculinas revelam um aumento de um centímetro de comprimento, enquanto as femininas só crescem cerca de três a quatro milímetros.

Na fase da mudança da voz, a tessitura também muda. Entre os especialistas estudiosos da voz há os que defendem a suspensão da atividade vocal dos rapazes durante esse período. A maioria, porém, não concorda com tal suspensão, aconselhando, contudo, prudência e uma orientação adequada.


Os Cuidados ao Cantar

De acordo com Gordon (2000), a aquisição da voz cantada deve começar na primeira infância. Considera ainda que, excetuando casos patológicos, todas as crianças podem cantar e defende que é entre os nove e os doze meses que se deve começar a guiar a sua voz, incitando a criança a responder aos estímulos musicais, propondo-lhe modelos corretos de voz cantada.

Para começar o trabalho vocal com as crianças, a imitação constitui o fator principal. Assim, o professor deve empregar todos os esforços para ser um bom modelo. Este supõe, necessariamente, uma voz afinada e clara. Para isso, deve praticar com regularidade os mesmos vocalizes propostos e que servem para preparar a voz das crianças. Contudo, Ward (1962) chama a atenção para o fato de que o verdadeiro bom modelo, aquele que é mais eficaz, é uma criança ou várias crianças. Por isso o cantar em grupo, tendo um professor que faça um bom papel como modelo e outras crianças compartilhando a experiência musical é essencial.

Sugestão de cronograma técnico para trabalhar com as crianças

1.  Exercitar inicialmente as notas médias da voz, notas fáceis e cômodas, que saem naturalmente. Ensinar ataque do som e exercitar a respiração;
2. Exercitar em seguida as regiões agudas e graves;
3. Desenvolver as qualidades da voz: intensidade, timbre, extensão, amplitude...usando exercícios agradáveis e músicas que estimulem o trabalho de forma atrativa. Vale também trabalhar a musicalidade com atividades lúdicas e jogos musicais (veja abaixo outras postagens em que abordo atividades e jogos)
4. Trabalhar articulação,  pronúncia e dicção com boa orientação e vocalizes atraentes. As crianças em geral gostam muito de exercícios que ofereçam desafios, como os trava-língua;
5. Obter um som sem contrações e esforço, usando adequadamente as cavidades de ressonância.


Veja aqui artigos com sugestões de atividades para trabalhar a musicalidade com as crianças e tornar a aula mais atrativa e dinâmica:

Atividades de duração
Atividades para trabalhar timbre
Atividades de Intensidade
Atividades de Altura
Jogo de apresentação
Jogo de improvisação
Jogo de comunicação
Jogo teste
Jogo de concentração
Jogo de escuta



Bom trabalho!


Referências

R. Z. Penteado, A. M. D. de Camargo, C. F. Rodrigues, C. R. da Silva, D. Rossi,J. T. C. e Silva, P. Gonzales, S. L. de S. G. Silva.  Vivência de voz com crianças: análise do processo educativo em saúde vocal. Distúrb Comun, São Paulo, 19(2): 237-246, agosto, 2007

GIGA, I. A Educação Vocal da Criança. Revista Música, Psicologia e Educação;N.º 6. Instituto Politécnico do Porto, 2004

MÁRSICO, L. O. A Voz Infantil e o Desenvolvimento Músico-vocal. Editora Est. Porto Alegre, 1979.


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Atividades musicais para Idosos com Doença de Parkinson



Na postagem de hoje vou iniciar uma série de sugestões de atividades para idosos de acordo com a patologia apresentada.

Lembrando que somente um musicoterapeuta qualificado pode avaliar e planejar a melhor atividade e procedimentos terapêuticos para cada idoso.

Hoje abordaremos a Doença de Parkinson (ou Mal de Parkinson)

A Doença de Parkinson

É uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. É causada por uma diminuição intensa da produção de dopamina, que é um neurotransmissor (substância química que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas). A dopamina ajuda na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, não precisamos pensar em cada movimento que nossos músculos realizam, graças à presença dessa substância em nossos cérebros. Na falta dela, particularmente numa pequena região encefálica chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido, ocasionando  basicamente quatro sinais principais:


  •  tremores;
  •  acinesia ou bradicinesia (lentidão e diminuição dos movimentos voluntários); 
  • rigidez (enrijecimento dos músculos, principalmente no nível das articulações); 
  • instabilidade postural (dificuldades relacionadas ao equilíbrio, com quedas freqüentes).


A Doença de Parkinson e o Idoso

Com o envelhecimento, todos os indivíduos saudáveis apresentam morte progressiva das células nervosas que produzem dopamina. Algumas pessoas, entretanto, perdem essas células (e conseqüentemente diminuem muito mais seus níveis de dopamina) num ritmo muito acelerado e, assim, acabam por manifestar os sintomas da doença. 
Não se sabe exatamente quais os motivos que levam a essa perda progressiva e exagerada de células nervosas (degeneração), muito embora o empenho de estudiosos deste assunto seja muito grande. Admitimos que mais de um fator deve estar envolvido no desencadeamento da doença.

Tratamento da Doença

Existe sim tratamento medicamentoso para a Doença de Parkinson . Entretanto, tais medicamentos são sintomáticos, ou seja, eles repõem parcialmente a dopamina que está faltando e, desse modo, melhoram os sintomas da doença. Ainda não existem drogas disponíveis comercialmente que possam curar ou evitar de forma efetiva a progressão da degeneração de células nervosas que causam a doença. Assim, é muito recomendável um suporte  que inclua várias propostas terapêuticas, sendo a musicoterapia uma importante ferramenta terapêutica. 
O objetivo do tratamento, incluindo medicamentos, musicoterapia, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte psicológico e nutricional, é reduzir o prejuízo funcional decorrente da doença, permitindo que o paciente tenha uma vida independente, com qualidade, por muitos anos.

Musicoterapia e Parkinson


Sintomatologia
Atividade/Abordagem
Alteração rítimico-sonora
Hipertonia, oligocinesia
Tremor de repouso
Deambulação claudicante
Face inexpressiva
Linguagem lentificada

Relaxamento passivo e ativo
Instrumentos de grande potência sonora e manuseio
Consciência corporal, deambulação, lateralidade e respiração
Canção de ação

Sugestões de Atividades

  • Relaxamento e respiração: Iniciar a sessão com um relaxamento com música instrumental ao fundo, incluindo exercícios de respiração;
  • Tocando no ritmo: Utilizar instrumentos com área ampla para fazer a marcação do ritmo de música escolhida pelo idoso (evitar instrumentos pequenos demais). Ex: grande tambor (surdo, zabumba, taiko, grande pandeiro, clavas se o idoso ainda consegue segurar com firmeza, etc)
  • Variação da "estátua": Ao som de uma música lenta porém com ritmo marcante (o andamento da música deve ser escolhido com base na velocidade que o idoso consegue caminhar) andar com o idoso segurando ou apoiando seus braços de frente a ele (o terapeuta andará de costas) Assim ele terá apoio constante. Parar quando a música parar (sugiro editar pequenas paradas na música, ou pedir para alguém fazer pausas aleatórias). Cuidado para não puxar o idoso, o terapeuta se coloca apenas como apoio. Uma variação dessa atividade - quando a música parar, cada um pode falar algo escolhido como um compositor, um cantor, cor, fruta..qualquer palavra mas sem repetir. Assim também será realizado um estímulo cognitivo.
  • Gestos e Música: Escolher músicas que possuam gestos, ou crie gestos e movimentos a partir de uma canção escolhida. Escolha movimentos que o idoso realize sem muita dificuldade para não gerar frustração. Com o idoso envolvido com a música, o foco no movimento ficará menos evidenciado e além disso, o ritmo musical pode ajudar na sincronização dos movimentos do idoso, diminuindo a rigidez e movimentos descoordenados. 

No vídeo abaixo, veremos algumas atividades realizadas com pacientes parksonianos:






Muitas outras atividades poderão ser realizadas a partir dos conceitos apresentados. 

Bom trabalho!


Referências:

CASTRO PINTO, S. P. L. et al. O Desafio Multidisciplinar: Um Modelo de instituição de Longa Permanência para Idosos. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006.   

Academia Brasileira de Neurologia: O que é Doença de Parkinson. Disponível em http://www.cadastro.abneuro.org/site/conteudo.asp?id_secao=31&id_conteudo=34&ds_secao





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