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sábado, 30 de setembro de 2017

Atividades Musicais - Idosos Demenciados



Dando continuidade a proposta de atividades com idosos, hoje falaremos sobre a Demência e as possibilidades de estímulo através da música.

A demência é uma síndrome que se caracteriza pelo declínio da memória associado a déficit de, pelo menos, uma outra função cognitiva (linguagem, gnosias*, praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no desempenho social ou profissional do indivíduo.

Tipos de Demencias

Há várias causas de demência, cujo diagnóstico específico depende de conhecimento das diferentes manifestações clínicas e de uma sequência específica e obrigatória de exames complementares. 
As quatro causas mais frequentes de demência são:


  • Doença de Alzheimer - responsável por mais de 50% dos casos
  • Demência com corpos de Lewy - cujos sintomas são similares aos do Alzheimer e cuja incidência é a segunda maior entre as demências (perdendo apenas para o próprio Alzheimer)
  • Demência vascular - resultante de uma série de pequenos acidentes vasculares cerebrais (AVC)
  • Demência frontotemporal - que é uma degeneração que ocorre no lóbulo frontal do cérebro e que pode se espalhar para o lóbulo temporal.


Sintomatologia
Abordagens
Alteração de memória recente, de natureza leve, moderada e severa
Resgate da linha sonoro-musical preservada e mascarada
Falha sequencial do pensamento verbal, musical e posterior ecolalia
Estimulação rítmica e melódica da fala pelo ato de cantar
Dificuldade de comunicação verbal (expressão e compreensão)
Exercício integrado (fala, canto, ritmo do corpo, inflexões sonoras)
Fuga de ideias, desorientação temporo-espacial
Estimulação cognitiva sonoro-musical com complementação de melodia e letra
Dificuldade de deambulação, com andar lentificado, claudicante e sem regularidade rítmica
Estimulação do movimento através de canções e ritmos (canções de ação)
Comprometimento afetivo (possível depressão, baixa autoestima)
Trabalhar através de canções, a linguagem verbal e emocional

Na tabela acima já podemos visualizar algumas abordagens e possíveis atividades que poderão ser realizadas para cada dificuldade apresentada pelo individuo demenciado.

Outras Atividades

Trabalhar a agnosia - Adivinhar o instrumento: Colocar dentro de um saco grande, instrumentos e objetos que produzam som. Manipular os objetos e os instrumentos sem serem vistos pelos idosos .Eles deverão identificar o som dos mesmos pelo seu timbre/som. 
Uma variação pode ser feita com os idosos manipulando o instrumento pedido pelo dirigente. Assim ele procura através do tato o instrumento requisitado.

Rolinhos sensoriais – Atividade que pode ser aplicada com idosos de todos os níveis de demências, inclusive acamados. Confeccione chocalhos coloridos a partir de rolos de papel higiênico. Dentro dos rolos coloque diferentes materiais (feijão, arroz, milho, areia..). Os chocalhos podem ser usados de diversas maneiras : apenas tocar ao ritmo de músicas, fazer diferenciação de cores ( tocar somente os azuis, agora os amarelos..) adivinhar o que tem dentro, trabalhar lateralidade (tocar com a mão direita, esquerda, as duas..) entre outras. É também possivel reforçar o estímulo sensorial encapando o rolinho com materiais como barbante, grãos, tecido, lixa... Assim, além do sentido auditivo e visual, será estimulado também o sentido tátil. 

Cartelas de Compositores - Confeccione cartelas com figuras de compositores/cantores conhecidos dos idosos. Toque ou cante trechos de músicas e veja se eles são capazes de reconhecer e associar. Coloque no verso das cartelas informações sobre o compositor (Datas, maiores sucessos...etc) Assim fornecemos resgate e também o enriquecimento de informações.  Estimula a memoria visual, auditiva e os processos cognitivos.

Acesse aqui outras postagens que abordam os indivíduos idosos e sugestões de atividades!


Bom trabalho!


*Gnosia -  É uma função que permite a pessoa interpretar estímulos que vêm do exterior através dos órgãos dos sentidos.


Referências

CASTRO PINTO, S. P. L. et al. O Desafio Multidisciplinar: Um Modelo de instituição de Longa Permanência para Idosos. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006.


ZANINI, R. S. Demência no idoso: aspectos neuropsicológicos. Revista Neurociência 2010;18(2):220-226. UFSC, Florianópolis,SC, 2010.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Musicoterapia e Idosos - Doença de Alzheimer




O emprego da música no tratamento de idosos portadores de Doença de Alzheimer tem se mostrado ser uma forma terapêutica eficaz.
Sabe-se que as habilidades musicais são geralmente preservadas em portadores de DA, mesmo quando os níveis de comprometimento da memória e linguagem estão se tornando mais acentuados.
Segundo pesquisa realizada no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, que oferece o atendimento de Musicoterapia desde 1968, a música é a última atividade cognitiva a ser perdida num quadro demencial. A importância dessa terapia reside, principalmente, na capacidade da música de fazer com que o idoso entre em contato consigo mesmo, resgatando e revivendo experiências do passado, expressando sentimentos, refletindo e se concentrando numa atividade (CAYRES, 2006).
Para Oliver Sacks, a musicoterapia se mostra eficiente com indivíduos acometidos por demência, mesmo nos casos mais avançados: “A resposta à música, em especial é preservada, mesmo quando a demência está muito avançada” (SACKS, 2007, p. 320).
O autor ainda cita objetivos importantes alcançados pelo tratamento musicoterápico:
O objetivo da musicoterapia para as pessoas com demência é bem mais amplo: atingir as emoções, as faculdades cognitivas, os pensamentos e memórias, o self sobrevivente desse indivíduo, para estimulá-los e fazê-los aflorar. A intenção é enriquecer e ampliar a existência, dar liberdade, estabilidade, organização e foco (SACKS, 2007, p. 320).


Atendimento musicoterapêutico em uma instituição asilar

A musicoterapia, portanto, utiliza-se da música enquanto linguagem e meio de expressão de natureza não verbal, favorece a exteriorização das potencialidades, proporciona a expressão de emoções e promove o desenvolvimento da criatividade, ampliando perspectivas de vida através do fortalecimento da auto-estima e das conexões cerebrais.
Ao utilizar-se da música e de sua qualidade polissêmica, ou seja, das mais variadas significações que ela pode representar para o sujeito idoso, a musicoterapia atua de forma global, seja no estímulo das potencialidades funcionais, mas principalmente, nos processos afetivos e mentais.

A bagagem musical do idoso oferece recursos para que o terapeuta possa acionar canais de comunicação e assim, promover a valorização da identidade pessoal do indivíduo, facilitando a participação efetiva no processo terapêutico e, consequentemente, conduzindo o idoso a uma melhor qualidade de vida.

“Acredita-se que a função da Musicoterapia é criar, manter e fomentar a comunicação, resgatando a espontaneidade perdida pelo homem ao longo de sua existência, estimulando a criatividade e liberando o indivíduo de condutas estereotipadas, de sua rigidez e cristalizações, comportamentos adquiridos durante o processo e envelhecimento” (GODINHO IN CASTRO E  PINTO ET AL, 2006).

Referências
CASTRO PINTO, S. P. L. et al. O Desafio Multidisciplinar: Um Modelo de instituição de Longa Permanência para Idosos. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006.  
CAYRES, K. Quem Canta, Seus Males Espanta. Artigo disponível em: http://www.amtrj.com.br/arquivos/jornalUFRJ.pdf.
SACKS, Oliver. Alucinações Musicais: Relatos sobre a Música e o Cérebro. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.


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