segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo!



O Blog Música & Saúde fecha o ano com um agradecimento a todos que nos acompanharam ao longo de 2012, seja visitando, lendo as postagens, deixando seus comentários..

Este foi um ano de bastante trabalho (não estou reclamando!), o que prejudicou a atualização das postagens, mas espero que neste novo ano as publicações sejam mais frequentes. Vários projetos propostos em 2012 não foram finalizados, neste ano espero poder concluí-los.

Assim, conto com a participação de vocês que acompanham nosso trabalho. Que 2013 seja um ano de realizações e crescimento! Que nossos projetos possam ser finalmente alcançados!

Falando em projetos, não percam a primeira postagem do ano que irá ao ar no dia 03/01, dia que o blog comemora 2 anos de vida! O artigo dará dicas de como preparar um projeto.

Finalizo este pequeno post  com a letra de uma música (não poderia ser diferente!) e os votos de Feliz Ano Novo!



Feliz Ano Novo

Ligue a vitrola, vamos dançar
São tantas horas, não importa agora
Toque uma valsa, um tango,
Ou mesmo um rock'n'roll
Não tenha pressa, poucas palavras
Um agrado pra nós dois
Eu vou sonhar...
Eu vou contar mais uma história
De amor eu vou chorar

Toque uma valsa, um tango,

Ou mesmo um rock'n'roll

Feliz ano novo!!!

(Música: Pato Fu)

domingo, 11 de novembro de 2012

Atividades Musicais - Idosos Dependentes




O comprometimento funcional representa um dos principais aspectos a serem avaliados no planejamento da assistência ao idoso. O idoso que passa a depender de terceiros, isto é, de um cuidador, tem a realização de atividades diárias comprometidas, limitando sua independência. Nestes casos, é aconselhável estimulá-lo a executar outras tarefas que seja capaz. Em situações de dependência total, essas tarefas ficam sob a responsabilidade do cuidador e de seus familiares.

A autonomia é a capacidade de tomar decisão e sua execução, enquanto independência relaciona-se com conformação física, mental e social para realizar as atividades diárias. A independência pode ser parcial ou total e possui relação inversamente proporcional com a incapacidade, comprometimento e deficiência.
A incapacidade representa a restrição ou perda, transitória ou definitiva, da habilidade para realizar ao menos as atividades de vida diária. O comprometimento significa qualquer distúrbio físico, fisiológico ou psicológico.

Música na Promoção da Saúde

Além dos cuidados com higiene, medicação e alimentação, entre outros, (que são administrados por profissionais ou cuidadores preparados para tal), o idoso dependente necessita de outras medidas que lhe confiram melhor qualidade de vida.

Para cuidar bem de alguém é necessário minimizar o estresse do dia-a-dia e investir em conhecimento, lazer, além do autocuidado. Devem ser definidas prioridades como o equilíbrio entre trabalho e descanso e investimento em conhecimentos e experiências, lazer, arte e criatividade.

Neste âmbito, a música pode ser utilizada como uma ferramenta de promoção da saúde, melhorando a qualidade de vida e auxiliando na manutenção dos aspectos cognitivos do idoso.

A utilização da música com idosos dependentes, mesmo acamados, é bastante possível, já que o som "alcança" o idoso onde quer que se encontre.

Atividades

As atividades variam de acordo com a capacidade cognitiva do idoso. Assim, idosos cadeirantes ou acamados, mas que tenham as funções cognitivas preservadas, podem realizar muitas atividades. Abaixo veremos alguns exemplos de atividades que se utilizam de sons.

1. Bingo de sons. Idosos adoram bingo! (claro que nem todos) Trabalhe então com um bingo de sons. Esta atividade poderá ser realizada com mais de um idoso. Em uma instituição isso pode ser bem legal já que se pode jogar com idosos acamados no quarto. Distribua as cartelas e toque o cd com sons diversos. Será necessário, se possível, colocar o idoso em uma posição elevada, ou seja, sentá-lo. Normalmente a cama pode ser ajustada.  Baixe aqui Cd com diversos sons e imprima as cartelas abaixo (clique na imagem). A marcação poderá ser feita com tampinhas de refrigerante (minhas preferidas). Uma boa opção quando a marcação com tampinhas (ou outro meio) não é possível devido a posição do idoso, é plastificar as cartelas e marcar com canetinha esferográfica. Depois é só apagar. Caso necessário, ajude o idoso a fazer a marcação. Procure sempre deixar o idoso realizar a tarefa de forma mais independente possível e ajude quando julgar necessário. 







2. Sons e objetos do meio. Uma variação da atividade anterior. Esta atividade poderá ser realizada com idosos com perda cognitiva e que necessitam de estímulo. Mais uma vez os sons anteriores poderão ser utilizados. Imprima as cartelas e estimule o reconhecimento de objetos e sons em cada ambiente. Perguntas poderão ser feitas, por  exemplo: Que objetos ficam na cozinha?  Qual meio de transporte anda sobre trilhos?





A partir destas atividades e questões, poderão surgir conteúdos para inúmeras atividades.
Ainda que as atividades sugeridas acima não contenham "música", utilizamos os sons do ambiente (embora seja possível  incluir música. Ex: A partir da questão sobre o trem trabalhar a música "Trem das Onze"). Isso é importante para trabalhar a percepção auditiva dos idosos.

Lembrando que as atividades acima contemplam idosos com condições cognitivas e físicas de realizar as atividades propostas. A ideia principal é incluir os idosos cadeirantes ou acamados em atividades prazerosas possíveis.

Em uma próxima postagem, darei mais sugestões do uso da Música em atividades para idosos dependentes, inclusive com limitações físicas e cognitivas.

Bom trabalho!

Referências

CONCEIÇÃO, Luiz Fabiano Soriano. Saúde do idoso: orientações ao cuidador do idoso acamado. Revista Med Minas Gerais. Belo Horizonte, 2010; 20(1): 81-91.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As Bases Neurobiológicas da Música: Implicações Educacionais e Terapêuticas


As Bases Neurobiológicas da Música: Implicações Educacionais e Terapêuticas segundo o Prof. Paulo Estevão Andrade

Dia 24 de novembro de 2012 – sábado – das 08h00 às 17h30

Ministrado por: Paulo Estevão Andrade

Professor de musicalização do Colégio Criativo, Marília-SP. Professor de Neurociência Cognitiva e Neurocognição Musical do Fundepe - Fundação para o Desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Extensão da Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP - Campus de Marília. Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Neurociências e Comportamento: Memória, Plasticidade, Envelhecimento e Qualidade de Vida" da Faculdade de Filosofia e Ciências - UNESP - Campus de Marília. Pesquisador do Grupo de Pesquisa do CNPq Linguagem, Aprendizagem, Escolaridade liderado pela Profa. Dra. Simone Ap. Capellini (FFC/UNESP). Pesquisador do Grupo Análise do Comportamento e Ensino-Aprendizagem da Matemática do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR.
Desenvolve pesquisas com publicações nacionais e internacionais sobre a cognição musical e suas bases neurobiológicas, as relações entre o processamento musical e outros domínios (linguagem, emoção, motricidade, etc.) e suas implicações para a educação, transtornos de aprendizagem, e a musicoterapia.

Horário
Programação
   07h50 – 08h00
Entrega de Material e Novas Inscrições (se houver vagas disponíveis)
08h00 – 08h50
O bebê esperto: percepção, memória dos bebês e as origens evolucionárias da linguagem, música, matemática e cognição social.
08h50 – 09h40
Bases comportamentais, psicológicas e neurológicas da linguagem e da música: diferenças, semelhanças e suas implicações educacionais e terapêuticas.
09h40 – 10h30
Bases comportamentais e neurológicas da cognição social e sua relação com a música: implicações educacionais e terapêuticas.
10h30 – 10h50
Intervalo
10h50 – 12h00
Discussão sobre a importância da musica na educação, terapia e qualidade de vida: percepção e movimento de padrões sequenciais, emoção e linguagem.
12h00 – 13h00
Almoço
13h00 – 15h00
Oficina: música e linguagem nas crianças
15h00 – 15h15
Intervalo
15h15 – 17h30
Oficina: música e emoções nas crianças

Encerramento e Entrega de Certificado  



Público alvo:
Musicoterapia, Educação Musical, Psicologia, Pedagogia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Fisioterapia.

Vagas Limitadas: 45

Valor do investimento:
Estudantes: R$ 150,00 / Profissionais: R$ 200,00

Local:
Sala da Pós Graduação AACD – Ibirapuera (Av. Prof. Ascendino Reis, 724 - Vila Clementino - SP – SP)

Inscrições: www.aacd.org.br > cursos e eventos
Contato: Roberto Fonseca - rfonseca@aacd.org.br 
 Fone: (11) 5576-0979

                                                          

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

1 º Congresso Iberoamericano de Investigação em Musicoterapia




1 º Congresso Iberoamericano de Investigação em Musicoterapia


“Desenvolvimentos e atualizações em musicoterapia”
10, 11 e 12 de Outubro de 2013
Municipio de Lousada, distrito do Porto, Portugal

Apresentação de trabalhos e pôsteres:

Poderão apresentar trabalhos e pôsteres musicoterapeutas e estudantes de musicoterapia que desejam transmitir conhecimentos sobre pesquisa em musicoterapia.

Para a aprovação do trabalho ou pôster, deve-se enviar um resumo em espanhol ou português, no formato Word, Arial 12, indicando o seguinte:

• Titulo.
• Nome(s) de autor(es)
• Palavras chave.
• Sinopse (máximo 200 palavras).
• Breve texto indicando a área onde foi realizada a investigação,objetivos da investigação e síntese dos resultados (máximo 500 palavras).
• Bibliografia utilizada (4 autores mais importantes).
• Email de contato.

A duração para cada apresentação de trabalhos será de 45 minutos, a qual poderá ser modificada conforme a quantidade de trabalhos aprovados pelo comitê científico.

Formato de Pôsteres. Os pôsteres deverão ser apresentados no formato 90 cm. x 1,20 cm. Deve-se poder ler o pôster a um metro de distância.

Data limite para o envio de resumos de trabalhos e pôsteres:: até 31 de Maio de 2013.

Para Maiores Informações Acesse http://giimt.org/2.html





segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dia Internacional do Idoso - Quem ama cuida



Neste 1º de Outubro é comemorado o Dia Internacional do Idoso.

Refletir sobre o envelhecimento não é uma tarefa somente daqueles que vivenciam esta fase, mas de toda a população, já que a expectativa de  vida tem se elevado no mundo todo e no Brasil não é diferente. O constante aumento da população idosa sem dúvida é um ganho, mas por outro lado, levanta desafios a serem superados.

Estima-se que em 2025 a população idosa corresponderá a aproximadamente 15% da população brasileira, porém, se a família está desestruturada, essa fase pode ser vista como um problema.

O idoso e os Cuidados

Idosos saudáveis, que gozam de boa saúde física, cognitiva e mantêm relações sociais favoráveis podem não necessitar de cuidadores, mesmo em idade avançada.

Já idosos que apresentam problemas de saúde mais sérios, que impõe riscos à sua integridade física e mental, necessitam de cuidados o que geralmente gera uma série de problemas e constrangimentos não só para o idoso, mas para os familiares.

Quando o idoso não tem condições de viver sozinho, a família deve buscar alternativas menos traumáticas para todos, de acordo com o perfil e modelo de vida da família. O objetivo é que o idoso resida em segurança e o cuidador também possa gozar de uma boa qualidade de vida.

O idoso e a Instituição

Muitas famílias tem medo de encaminhar o idoso para uma Instituição de Longa Permanência - ILPI (também conhecidos como asilos, casas de repouso), pois essa opção pode parecer abandono, mas não precisa ser assim. Uma instituição pode ser a melhor alternativa quando a casa do idoso não lhe oferece infraestrutura adequada ou quando ele precisa de supervisão profissional em tempo integral.

Os familiares devem se conscientizar que levar o idoso para uma ILPI não significa isentar-se das responsabilidades. Além de cumprir com os compromissos financeiros (suprir os gastos necessários), devem estar sempre presentes para não romper os vínculos familiares e para verificar se o idoso está sendo bem assistido.

Desta forma, a institucionalização do idoso não significa de forma alguma abandonar e sim oferecer uma estrutura que não seria possível disponibilizar em casa. Lembremos que cerca de 80% dos acidentes com idosos ocorrem dentro da própria casa.

Enfim, cada caso deve ser avaliado e as medidas tomadas de acordo com a necessidade e condições do idoso e das famílias, sempre visando o melhor para aqueles que já se doaram tanto para o mundo e merecem respeito e uma velhice digna.

O Idoso e a Música

Para encerrar este post, eu não poderia deixar de falar de música!

Abaixo, coloco a relação de títulos de músicas que abordam a velhice. É só escolher!

Quando você ficar velho (Zé Rodrix)

O Velho (Chico Buarque)

O Homem Velho (Caetano Veloso)

O Velho Francisco (Chico Buarque)

O Velho e o Novo (Taiguara)

Carro Velho (Milionário e José Rico)

Preto Velho (Tião Carreiro e Pardinho)

A voz do velho (Gian e Giovani)

Velho Peão (Matogrosso e Mathias)

Velho Pai (Tonico e Tinoco)

Velho Ateu (Beth Carvalho)

Cajueiro Velho (Alcione)

Velha Demais (Bezerra da Silva)

Caco Velho (Elizeth Cardoso)

Velho Estácio (Cartola)

O Velho e o Moço (Los Hermanos)

Carro Velho (Hebert Viana)

Velho Demais (Placa Luminosa)

Velhice (Dorsal Atlântica)

Velho no Metrô (Karnak)

O Moço Velho (Roberto Carlos)

O Velho (Antônio Marcos)

Sapato Velho (Roupa Nova)

Velho, Profissão Esperança (Benito de Paula)

Velha Morena (Roupa Nova)

Saudades do meu Velho Pai (Padre Zezinho)

Pretos Velhos (Paulo Rodrigues)

Velho (Grupo Logos)

O Velho Homem (Militantes)

Blues do Velho João (Erlan Ribeiro)

Tropeiro Velho (Teixeirinha)

Cavalo Velho (Pinduca)

Velho Salvador (Tonino Arcoverde)

É Disso que o Velho Gosta (Berenice Azambuja)

Quando a velhice Chegar (Teixeirinha)

O Velho Agricultor (Luis Wilson)

Forró do Velho Inácio (Antônio Barros)

O Novo já nasce velho (O Rappa)

Coração Velho (Mastruz com Leite)

Velho Amigo (Ponto de Equilíbrio)

Breve Conto do Velho Babão (Jay Vaquer)

Velhos e Velhas (O Bando do Velho Jack)

Velho Jovem (Questão de Honra)

Velhos (Jane Fonda)

O Velho Homem ainda está na UTI (Sceptre 52)


Veja o post Musicoterapia e Idosos Institucionalizados

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mês do Musicoterapeuta - Juliette Alvin




Continuando as postagens sobre os pioneiros da musicoterapia mundial, apresento hoje a musicoterapeuta Juliette Louise Alvin  (1897 - 1982) .

Breve história 

O uso da música nos hospitais foi documentada pela primeira vez após a Segunda Guerra Mundial e, em 1950, profissionais britânicos de diversas áreas formaram uma organização denominada Sociedade de Musicoterapia e Música Corretiva, entre eles  Juliette Alvin. Esta entidade se tornou a Sociedade Britânica de Musicoterapia em 1967 e levou ao primeiro curso de formação - dirigido por Juliette Alvin. Em 1971, Alvin ensinou na Escola de Música e Drama Gildholla (Guildhall School of Music and Drama) em Londres.

Com atuação no Reino Unido, a violoncelista Juliette Alvin desenvolveu um trabalho pioneiro especialmente com crianças que apresentavam dificuldades de aprendizagem e pessoas com transtornos psiquiátricos. Juliette teve também uma importante participação na formação de musicoterapeutas, fundando bases sólidas para a profissão no Reino Unido, sendo que sua influência sobre a atual geração de professores e musicoterapeutas britânicos continua forte.

O Modelo Alvin - Terapia de Livre Improvisação

Desenvolvido por Juliette Alvin, nesse modelo a música é utilizada como força para revelar aspectos do inconsciente. Alvin acreditava que “música é uma criação do homem, portanto, o homem pode ver a si próprio na música que ele cria”. Na terapia de livre improvisação, clientes e terapeutas podem improvisar sem regras musicais e a música pode ser uma expressão do caráter e personalidade do indivíduo. Dentro desse contexto, ocorrem naturalmente descargas terapêuticas.
Do ponto de vista teórico e psicoterapêutico, a autora trabalhou com o conceito de “igualdade na relação” onde o terapeuta e o cliente dividem experiências musicais no mesmo nível, e tem igual controle sobre a situação musical. Autistas e crianças excepcionais respondem bem dentro dessa abordagem, uma vez que ela oferece uma significativa e sensível organização musical.
Alvin enfatizou a importância dos musicoterapeutas compreenderem a fisiologia humana e a forma como o corpo reage à música e ao som para se inteirarem plenamente das formas de aplicação da musicoterapia.

Autismo e Musicoterapia

Juliette foi uma das primeiras a usar a música para trabalhar com crianças autistas.
Em 1974, ela trabalhou em um centro para ajudar crianças com autismo de Chinnor em Oxfordshire (Chinnor Unidade de Recursos para crianças autistas).
Ela é a autora de diversos  livros, entre eles - A musicoterapia para crianças com autismo. O livro foi publicado pela primeira vez em 1978. Foi o primeiro livro sobre os efeitos da musicoterapia no desenvolvimento de uma criança com autismo, e ainda é uma das diretrizes básicas nesta área.


 Outros livros:




Influências no Japão

Juliette visitou o Japão duas vezes, uma em 1967 e outra em 1969. Apesar da brevidade de suas estadias, exerceu forte influência para a introdução da profissão no país. Associações profissionais foram lançadas, catalisadas por sua visita. Alvin lançou as primeiras manifestações clínicas e inspirou os pioneiros da musicoterapia japonesa, não só para explorar uma filosofia própria, mas uma visão abrangente da direção futura da musicoterapia japonesa. Um jovem músico, que trabalhou como assistente em sessões de Alvin adotou sua abordagem e se tornou um ícone na musicoterapia japonesa.

Juliette Alvin morreu aos 85 anos.


Referências:

FOWLER, Viviane Rose. A Musicoterapia e suas Interações com os Ritmos Biológicos. São Paulo: FACULDADES METROPOLITANAS UNIDAS, 2008

HANEISHI, E. Juliette Alvin: Her legacy for music therapy in Japan. Journal of Music Therapy 42(4), 273-95., 2005.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Mês do Musicoterapeuta - Os primórdios



No mês de setembro comemoramos o dia do musicoterapeuta - mais precisamente dia 15 de setembro.

Em comemoração, pretendo postar artigos sobre os pioneiros da musicoterapia no mundo e também no Brasil.

Sei que foram muitos os que contribuíram para que a nossa profissão fosse construída e fundamentada, mas como o espaço, e principalmente o tempo é restrito, escolhi alguns nomes que  não só foram importantes para a solidificação da profissão, mas que marcaram a minha formação como musicoterapeuta.

O escolhido para abrir essa série de artigos é Thayer Gaston.

O Pai da Musicoterapia Norte Americana

Everett Thayer Gaston nasceu  em Woodward, Oklahoma em 4 de julho de 1901.

Gaston pode não ser muito conhecido  fora da educação musical e da musicoterapia, mas suas teorias acompanham muitos dos grandes pioneiros da psicologia. Com  teorias e idéias que foram abordados pelos primeiros filósofos e psicólogos, tais como Platão, Aristóteles, Skinner, Pavlov e Jung, Gaston começou a perceber as grandes realizações que poderiam ser feitas  incorporando a música e psicologia.

Com formação musical, Gaston começou a carreira de professor de música e se tornou respeitado na área.  Após seu doutorado em  psicologia educacional na Universidade de Kansas, no qual  formou-se em 1940,  Gaston finalmente percebeu que havia uma possibilidade de verdade para usar a música em sessões terapêuticas.

Ao longo de sua carreira, a preocupação central de Gaston era a função da música. Era claro para ele que a música era eficaz para satisfazer as necessidades, tanto para a qualidade de vida como na cura de doenças. Gaston concentrou-se profundamente não só na música, mas também sobre os pensamentos relativos de seus antecessores em Psicologia. Foi através de pesquisas sobre a biologia e cultura (ciências médicas e sociais) que Gaston (1968) fundamentou a criação da musicoterapia.


Ao escrever o tratado de Musicoterapia (Gaston, 1968),  diz que "a música e terapia têm sido íntimos companheiros, muitas vezes inseparáveis, durante a maior parte da história do homem." Ele continua na introdução de sua tese sobre o Homem e a Música, declarando , "como em todas as ciências, a musicoterapia se esforça para trazer a organização, classificação e descrição até que surja um sistema, um sistema que é comportamental, lógico e psicológico" (1968).


Com a crença de que a música pode falar onde as palavras falham (Gaston, 1968). Gaston acreditava que a música poderia desempenhar um papel importante no cérebro. Ele sentiu que o principal objetivo da terapia foi de capacitar o indivíduo a viver melhor, vendo a música como um estímulo, assim, terapeutas treinados poderiam utilizar a música para obter determinadas respostas mensuráveis ​​(excitação, relaxamento, associações, etc).

Participação da construção da musicoterapia como profissão

Altshuler, Willem van de Wall e E. Thayer Gaston

Em 1940, três pessoas desempenharam papel chave no desenvolvimento da musicoterapia como profissão: Altshuler, Willem van de Wall e E. Thayer Gaston. 
No ano de 1944, iniciou-se o primeiro plano de estudos destinado a formação de musicoterapeutas. Com a participação de Gaston, em 1946 é fundado na Universidade de Kansas, EUA, o primeiro curso acadêmico de formação de musicoterapeutas. A partir daí, surgiram cursos acadêmicos em vários lugares do mundo.

Até então, as atividades terapêutico-musicais eram desenvolvidas por músicos, voluntários, terapeutas ocupacionais, psicólogos e até mesmo médicos.

Em 1954, depois de uma revisão das aplicações clínicas e investigações, Gaston estabeleceu os princípios da musicoterapia:

  • O estabelecimento ou restabelecimento de relações interpessoais.
  • O alcance da auto-estima através da auto-realização.
  • Emprego do potencial único de ritmo para dotar de energia e organizar.
E. Thayer Gaston faleceu em 1970.

Referências:

GASTON, Thayer. Tratado de Musicoterapia. Traduzido por Marta Fernández. Enrique Díaz, Sara Elena Hassan. de Music in Therapy. Buenos Aires: Paidós, 1968




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quando a Música faz Mal



Quando se fala dos efeitos da música sobre as pessoas, normalmente se trata dos benefícios, seja para o aprendizado, estímulo cerebral,  diminuição do estresse, e tantos mais.

Porém pouco se fala dos malefícios, ou seja, dos efeitos nocivos que a música pode provocar nas pessoas.

Hoje falaremos de alguns casos em que a música faz mal à saúde, seja na saúde física ou mental, e deve ser evitada. Falaremos também de alguns mitos sobre os efeitos da música, baseando-se em pesquisas científicas recentes.

A overdose musical

A audição demasiada, especialmente pelo uso constante do fone de ouvido, tem preocupado organizações da saúde em todo o mundo.

Vemos na população, especialmente no meio jovem, a audição ininterrupta de música por várias horas. Sabe-se que a audição musical estimula várias áreas cerebrais, o que pode ser tomado como um ponto positivo, já que este estímulo mantém o cérebro em atividade saudável. O problema reside no fato que, embora tal estímulo seja positivo, em demasia pode sobrecarregar o sistema auditivo e as atividades neurais.

 Não que nosso cérebro seja limitado, mas é necessário momentos de descanso, para que os processamentos das diversas atividades requeridas por ele ocorram adequadamente. Ao ouvir música constantemente, o cérebro se mantém em atividade complexa, e isso pode sim ser prejudicial, pois gera cansaço, e após um longo dia de audições, a pessoa pode encontrar dificuldade de concentração, para dormir e relaxar. 

Este efeito nocivo se agrava consideravelmente quando a audição é feita através de fones de ouvido (mp3, ipods), pois estes aparelhos têm um sistema que limita a fuga do som, por isso, a intensidade que atinge o ouvido interno é muito maior.

Segundo alguns médicos, o uso e abuso de MP3 faz com que os jovens tenham um envelhecimento da audição igual a uma pessoa com 60 anos.

Um relatório encomendado pela Comissão Européia alerta que quem ouvir música acima dos 80 decibéis, durante uma hora, todos os dias, tem uma grande probabilidade de ficar surdo após cinco anos. Se a audição de uma hora diária é capaz de todo esse “estrago”, imagine a audição de horas, como é bem comum.

  Earworms e Brainworms 

O neurologista americano Oliver Sacks em seu  livro “Alucinações Musicais”,  relata vários casos que demonstra os efeitos da música no cérebro humano. Dentre eles, há vários em que os efeitos foram considerados nocivos. 

Entre os casos citados, há os chamados Earworms (vermes de ouvido) ou Brainworms (vermes de cérebro). São casos que podem soar comuns a muitas pessoas, porém, são considerados nocivos e até patológicos quando ultrapassam um nível normal.

Os vermes de ouvido/cérebro são aqueles trechos de música que ficam em nossa mente por horas, até dias a fio. Podem ser desde músicas que gostamos até àquelas que abominamos. Ficar com músicas na cabeça é normal quando elas logo passam, e não chegam a incomodar muito. Porém, quando elas “martelam” nossa cabeça por dias sem parar, podem se tornar insuportáveis e atrapalhar o sono, o trabalho, o rendimento escolar.

Ao fim do capítulo, o autor cita a audição constante a que somos expostos, como agravantes dessa problemática.

Epilepsia musicogênica

 Outros casos comuns de efeito nocivo são os ataques epiléticos causados pela audição musical.

 Ainda no livro de Oliver Sacks, o autor cita a Epilepsia musicogênica.  Desenvolvida geralmente à partir dos vinte anos de idade, segundo estudos, os indivíduos acometidos pela epilepsia musicogênica eram “interessados em música”, ou seja, a música fazia parte constante das suas vidas.

Os ataques ocorridos pelos indivíduos acometidos pela epilepsia apresentavam formas variadas: alguns caiam inconscientes, mordiam a língua, e outros apresentavam breves ausências, mal notadas pelas pessoas ao redor. Assim também as músicas que desencadeavam os ataques variavam de uma pessoa para outra e poderiam ser desde o rock até músicas clássicas.

Mitos

Quando procuramos saber mais a respeito dos efeitos nocivos da música, frequentemente encontramos artigos que “acusam” certos estilos musicais. O rock é o estilo mais atacado como música maléfica, enquanto a música erudita e o new age são consideradas ideais e benéficas.

Por sua característica “agressiva”, muitos falam que o rock não é uma música adequada ao relaxamento, incita a violência, promove agitação, rebeldia, baixo rendimento escolar e tantas outras influências nocivas ocasionadas por sua audição e outros estilos com características similares (segundo os autores).

Como musicoterapeuta, nunca encontrei nenhuma base sólida que corrobore com essa afirmação. Ao contrário, em uma tese de doutorado apresentada na USP, foi realizada uma pesquisa utilizando-se da música Trilogy do Malmsteen ( famoso por sua "veloz" guitarra)

No estudo, a intenção era expor crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (hiperativos) à música citada e comparar os efeitos com àquelas que não ouviram.

Ao contrário do que muitos poderiam pensar, os movimentos do hiperativo foram menores durante a música e a análise funcional do movimento revelou que o hiperativo olhou o caderno e escreveu mais enquanto ouvia a música do que em silêncio. O estudo concluiu que a música favorece a diminuiçäo da movimentaçäo em sala de aula e a torna mais atenta.

Segundo a pesquisadora, ouvir a música de Malmsteen contribuiu, não para deixar as crianças mais agitadas, mas para diminuir a agitação e colaborar na concentração.

Como vimos acima, não é o estilo da música que exerce influência negativa ou positiva. Nos casos da epilepsia citada acima, muitos pacientes apresentaram ataques ouvindo peças eruditas e músicas “calmas e relaxantes”. Portanto, representa um mito associar de maneira arbitrária os estilos musicais como bons e ruins. 

Especialmente pelo fato de cada indivíduo reagir diferentemente às músicas ouvidas, não é possível formar "receitas" musicais prontas. Assim, o musicoterapeuta é o  profissional preparado para utilizar a terapeuticamente a música de maneira adequada e evitar que em certos casos, a música possa resultar em efeitos iatrogênicos.


Referências

SACKS, Oliver. Alucinações Musicais: Relatos sobre a Música e o Cérebro. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

SOUZA, Vera Helena Pessôa. Contribuiçöes ao estudo da hiperatividade: determinaçäo de índices para avaliaçäo de comportamento irrequieto e alternativas de tratamento através da música. Tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de Säo Paulo para obtenção do grau de Doutor. Säo Paulo; s.n; 1995. 462 p.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Atividades Musicais com Idosos II



A realização de atividades é um meio privilegiado de o idoso obter bem-estar psicológico e físico.

O termo atividade pode incluir tanto atividades físicas como mentais, sejam estas individuais ou grupais. A atividade, quando praticada regularmente, oferece ao idoso significado e satisfação à existência, quer pelo compromisso e responsabilidade social, quer pela oportunidade de manter convívio social.

Atividades Musicais

As atividades musicais implicam na realização de várias tarefas: tocar um instrumento, cantar, memorizar peças e letras musicais, improvisar. Porém, é necessário ficar atento e conhecer as possíveis limitações dos idosos. Pode ser necessário adaptar as atividades para que mesmo indivíduos com dificuldades motoras possam realizar a proposta. Idosos acamados também podem se beneficiar da musicoterapia e atividades musicais, através de audições e atividades guiadas por um musicoterapeuta.

Abaixo, algumas sugestões de atividades que podem ser realizadas com grupos de idosos ou mesmo em atendimentos individuais:

Atividade 1 - Relaxamento e respiração:

Os exercícios respiratórios facilitam a eliminação de secreções e melhoram a ventilação pulmonar, prevenindo complicações pulmonares e preparando o idoso para as atividades cantadas.

Respiração abdominal - puxar o ar pelo nariz lentamente e soltar pela boca, levando o ar para "barriga".
Respiração profunda - puxar o ar o máximo que conseguir e soltar pela boca devagar.
Respiração em 2 tempos - puxa um pouco de ar, segura, puxa tudo e solta devagar pela boca.

Um musicoterapeuta pode escolher uma música para colocar de fundo enquanto a atividade é realizada. A escolha da música deve ser cuidadosa pois pode provocar sentimentos de melancolia, tristeza e  despertar lembranças. A não ser que este seja o objetivo do terapeuta, este é um momento de relaxamento que precede as atividades.

Atividade 2 - Desenvolvimento Físico/Motor

Escolher uma música com um ritmo bem marcante. Com os idosos sentados em círculo, propor movimentos que sigam o ritmo da música. Os movimentos devem ser suaves e não muito rápidos para não provocar lesões, porém, combinados e sincronizados. Esta atividade baseia-se na Dança Sênior. Criada em 1974, a dança sênior busca inspiração nas danças folclóricas e de salão de todas as partes do mundo. 
No vídeo abaixo, vemos uma atividade com dança sênior ao som de Cidade Maravilhosa:



Atividade 3 - Jogral de Canções

Escolha uma canção curta e bem conhecida pelo grupo. Divida a música em frases e escreva cada frase em um pedaço de papel/cartolina (é bom que as letras sejam grandes; verifique também se todos são capazes de ler). Primeiro distribua as folhas para cada um na ordem em que estão sentados. Assim, a música obedecerá uma sequência mais fácil. A música é então cantada, cada um na sua vez. Se o resultado for bom ou seja, se todos conseguirem cantar na sequência certa, recolha as folhas e distribua novamente, porém aleatoriamente e cante novamente a música cada um na sua vez, seguindo a sequência da música, mas não na ordem dos idosos. 
Se os idosos não forem capaz de ler, (ou mesmo para os que leem), pode-se fazer a atividade apontando ou tocando no ombro do idoso que irá cantar a sequência (verifique se todos conhecem a letra da música ).

Atividade 4 -  Passando a bola

Com uma bola ou uma bexiga, escolha uma música conhecida gravada em CD. Com os idosos sentados, passe a bola ou bexiga de mão em mão enquanto todos cantam. Dê pausa na música e o idoso que ficou com a bola deve continuar a música. Continuar até a música acabar.

É isso amigos. Lembrem-se que são apenas sugestões e podem ser alteradas e adaptadas conforme o grupo e objetivos do musicoterapeuta.

Veja outras atividades em  Atividade Musicais com Idosos.


Referências:

Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina. Cuidando do Cuidador: Guia Prático para cuidadores informais. São Paulo, 2011.

YOKOYAMA Cláudia E., CARVALHO, Renata S., VIZZOTTO, Marília M. Qualidade de vida na velhice segundo a percepção de idosos frequentadores de um centro de referência. inFormação ano 10, nº 10, jan./dez. 2006.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O que é (ou não) Musicoterapia?



A postagem de hoje visa esclarecer questões que cercam a prática da musicoterapia.

"A musicoterapia é um processo sistemático de intervenção em que o terapeuta ajuda o cliente a promover a saúde utilizando experiências musicais e as relações que se desenvolvem através delas como forças dinâmicas de mudança" (BRUSCIA, 2000 p.22)

Assim, a musicoterapia consiste em um processo sistemático com objetivos e propósito, fundamentada em conhecimentos, organizada e regulada. Portanto, a utilização da música de forma aleatória e não estruturada, ainda que traga benefícios a uma pessoa, não pode ser considerada musicoterapia.

A música não é propriedade do musicoterapeuta (ou do músico), longe disso. A utilização da música é, e deve ser, propriedade da humanidade. Porém, a utilização indiscriminada do termo musicoterapia vai na contramão da consolidação da profissão.

Muitos tem utilizado inadequadamente a palavra musicoterapia para definir qualquer utilização benéfica da música sobre o ser humano. Porém, ainda que o efeito de  atividades musicais tragam benefícios para uma pessoa, chamar tal uso de musicoterapia requer alguns critérios.

O que NÃO é musicoterapia


Como vimos acima, o uso da música pode ser feito por todas as pessoas, assim como usufruir dos seus benefícios (que são muitos). Porém, apesar de benefícios, muitos até recomendáveis, não é musicoterapia:

  • o uso da música para relaxar;
  • fazer aula de música; 
  • cantar  uma música ao som de um instrumento;
  • aula de música para pessoas especiais;
  • a audição de uma música no rádio do carro ou em casa;
  • a execução de uma peça instrumental;
  • uso de som ambiente (como em consultórios, elevadores, etc)
  • canto e música em Hospitais;
Assim, apesar dos efeitos positivos que as atividades acima possam proporcionar, não as consideraremos musicoterapia (embora possam fazer parte da musicoterapia).

Quando É musicoterapia

Para  ser considerado musicoterapia, este processo requer  a intervenção de um musicoterapeuta. Segundo Bruscia, quando a música é utilizada sem um musicoterapeuta, o processo não é qualificado como musicoterapia, então, sem um musicoterapeuta, não há musicoterapia. 

Porque?

Em um processo musicoterapêutico, do ponto de vista dos procedimentos, a musicoterapia constitui-se de três fases: avaliação diagnóstica, tratamento e avaliação. (BRUSCIA 2000, p. 22) Ainda que outros profissionais possam se identificar com as fases citadas por Bruscia, estas tratam de abordagens específicas, nas quais se utilizam de métodos e técnicas próprias da musicoterapia.O ponto chave observado pelo musicoterapeuta é a relação do indivíduo atendido (paciente,/cliente) com a música. Assim, desde a entrevista inicial até a avaliação final, são especialmente as respostas musicais do indivíduo durante as sessões que fornecem os elementos necessários para o musicoterapeuta traçar objetivos, intervenções, abordagens e alta. Segundo o painel de descrição que estabelece as qualificações do musicoterapeuta (DACUM 2010), entre outras capacitações, o musicoterapeuta deve ser capaz de estabelecer diagnóstico musicoterapêutico e efetuar leitura musicoterapêutica. Assim, o único profissional preparado para compreender todas as fases de um processo musicoterapêutico é o musicoterapeuta.

Quem é o musicoterapeuta

É um profissional de nível superior que passa, na graduação, por quatro anos de faculdade e centenas de horas de estágio. Além da graduação em musicoterapia, há também os cursos de pós graduação que formam especialistas em musicoterapia. 

Cursos rápidos (de 80, 40 horas, ou até menos!) e Workshops  não  formam e muito menos qualificam musicoterapeutas!
Nossa profissão é séria e com sólida fundamentação científica. Precisamos batalhar para que o nome Musicoterapia se estabeleça e seja visto com respeito pela sociedade e outros profissionais da saúde.

Então, se você não é um musicoterapeuta e utiliza a música em seu trabalho, tudo bem, continue usando!  Só pedimos, para o bem da profissão musicoterapia, não utilize esse termo, ok?


Abraços!

Referências


BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia.Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.

DACUM. Painéis de Descrição e Validação. São Paulo: UBAM, 2010.



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Jogos Musicais - Jogos Baseados na Confiança



Em continuidade às postagens que abordam os jogos musicais baseados no livro 100 Jogos Musicais - Coleção Práticas Pedagógicas, traremos hoje os Jogos Baseados na Confiança.

São jogos que diferem substancialmente dos jogos anteriores. A qualidade essencial destes jogos é desenvolver o sentimento de autoconfiança a título individual, bem como no grupo. Reforçam igualmente o sentimento de ser aceito enquanto membro de um grupo. Assim, recomenda-se que estes jogos não sejam aplicados em grupos recém formados.

Características

  • Desenvolvem-se frequentemente sem recorrer à palavra, no lugar desta utilizar-se-á o som e movimento (ao evitar-se a fala, suprimem-se os obstáculos);
  • Na ausência do contato verbal, o contato corporal ocupa um lugar importante nestes jogos;
  • Muitos destes jogos são realizados dois a dois;
  • A princípio o grupo ou parte dele assume a responsabilidade de oferecer apoio a um jogador, desenvolvendo um sentimento de responsabilidade recíproca.
Os jogos

1. Quente - Um jogador de olhos vendados é incumbido de encontrar outro jogador recém escolhido e acomodado em um local definido pelo restante do grupo. Os outros membros do grupo tocam instrumentos variados e quando o jogador com olhos vendados se aproxima do membro a ser encontrado o grupo aumenta a intensidade dos instrumentos tocados, ao contrário, quando o jogador se encontra longe, a intensidade diminui. É importante definir antes a intensidade média, a fim de não haver confusões quanto ao Forte e Piano  (fraco). Também pode-se escolher uma pessoa que cuidará para que o jogador vendado não se choque com obstáculos.

2. De onde vem este som? O grupo é dividido em pares. Um membro de cada par fecha os olhos (ou é vendado). O outro guia o companheiro vendado pelo espaço em se encontram. Eventualmente o jogador que guia toca em objetos do espaço produzindo algum som com o objeto tocado. O jogador com olhos vendados deverá, a partir do som do objeto, dizer em qual parte do espaço se encontram. 
Obs: Antes de começar o jogo, todo o grupo pode observar os objetos contidos no espaço ( ou não..)

3.Guiado pelos instrumentos -  Neste jogo, apenas participam seis jogadores,os demais serão espectadores. Um jogador de olhos vendados deverá encontrar um jogador disposto em algum lugar do espaço. Para encontrá-lo, será guiado por quatro instrumentos, cada instrumento com um comando previamente combinado entre todos. Por exemplo:
Triângulo:  para frente
Tambor: para trás
Chocalho: à esquerda
Sino: à direita
Deve-se tocar um instrumento de cada vez. 

 Lembramos que os jogos citados são apenas sugestões, e podem ser adaptados e alterados conforme o objetivo e perfil do grupo. 
Apesar de simples, cada jogo acima envolve uma série de desafios, não só no que diz respeito à confiança, mas desafios motores e cognitivos importantes como equilíbrio, lateralidade, atenção e memória.

Bom trabalho!

sábado, 19 de maio de 2012

A Composição Musical no Processo Musicoterapêutico





De 22 a 25 de maio de 2012, ocorrerá o VIII Simpósio de Cognição e Artes Musicais - SIMCAM8, na cidade de Florianópolis, SC. O tema central do Simpósio é Cognição Musical: trajetórias e perspectivas.


Pela primeira vez vou  participar do evento apresentando o trabalho "A Composição musical no processo musicoterapêutico", escrito por mim e por minha irmã Roberta Soares de Barros Florencio, companheira de vários trabalhos.

No evento passado, (SIMCAM7, 2011), tive um trabalho aprovado e publicado nos anais: "Musicoterapia e Cognição: A importância do fazer musical para estímulo e manutenção das funções executivas de idosos institucionalizados", mas infelizmente não pude comparecer ao evento que foi em Brasília. Nesta edição irei com a família, e apresentarei o artigo no dia 24 (baixe a programação completa aqui).

Veja abaixo o resumo atualizado do artigo que será apresentado:



A composição musical no processo musicoterapêutico
Flávia Barros Nogueira, Roberta Soares de Barros Florencio

RESUMO

A proposta deste trabalho é abordar a relevância da composição musical para o processo musicoterapêutico. A composição musical, segundo Bruscia, é uma técnica utilizada com pacientes que necessitam de melhor organização e planejamento do poder de decisão, de desenvolver a capacidade de identificar e formular temas, aprender a ter compromissos, expor, documentar e comunicar seus pensamentos e sentimentos internos, tornando-os tangíveis. (BRUSCIA 1991 apud BARCELLOS 2004). Assim, a composição oferece um meio do cliente exteriorizar sentimentos e pensamentos muitas vezes reprimidos internamente. Além disso, no processo de composição os mecanismos cognitivos são amplamente estimulados, já que sua produção envolve raciocínio, atenção, memória, pensamento, imaginação, juízo e discurso coerente. Vale destacar que dentro de um processo musicoterapêutico não é necessário que o paciente ou cliente tenha qualquer conhecimento musical, neste caso o musicoterapeuta assume a responsabilidade dos aspectos mais técnicos do processo e tenta adequar à participação do paciente ou cliente de acordo com sua capacidade musical. (BRUSCIA 2000). Assim, este trabalho visa, através de uma abordagem metodológica que envolve um levantamento bibliográfico e breves relatos de casos, apresentar fundamentos que demonstrem os benefícios da composição musical em um processo musicoterapêutico. O levantamento bibliográfico contempla a discussão de publicações de livros e artigos de autores da musicoterapia brasileira e internacional, os quais contemplam, especialmente, a composição musical. Além de autores da musicoterapia, buscamos fontes literárias que abordam a temática da música e sua relação com a mente humana. Os pacientes que tiveram seus casos relatados no trabalho assinaram consentimento livre e esclarecido. Todos encontram-se em processo musicoterapêutico atendidos pelas autoras com diferenças de faixa etária, diagnóstico clínico e gênero, e ilustram os aspectos positivos da composição musical, já que através da composição, acreditamos que o musicoterapeuta pode trabalhar mecanismos importantes para a saúde do seu paciente ou cliente.



Na próxima postagem, confira como foi o evento.
Aguardem também a publicação do trabalho completo.

Maiores informações: http://www.abcogmus.org/simcam/index.php/simcam/simcam8

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Musicoterapia - Cursos e Eventos




A postagem de hoje divulga eventos específicos da musicoterapia que ocorrerão neste mês de maio e junho.

Sabemos o quanto é importante para qualquer bom profissional manter-se atualizado e bem informado, e na nossa profissão não é diferente.

Um musicoterapeuta que busca sempre se atualizar e adquirir novos conhecimentos e experiências, com certeza prestará um melhor atendimento aos seus pacientes e clientes  e, consequentemente, estará ajudando a profissão como um todo, já que os frutos de um bom trabalho são os melhores divulgadores. Por outro lado, maus profissionais podem colaborar para uma imagem negativa e as vezes até equivocada da nossa prática clínica.

Confira abaixo três eventos que ocorrerão em breve. 



Educação Musical e Musicoterapia
São Paulo - SP

Sinopse: A atual conversação entre música, inclusão, educação e terapia em nossa sociedade traz uma  nova demanda escolar e clínica, por um profissional com olhar e prática ampliados,  concretizado na figura do professor-(musico)terapeuta.
O objetivo deste curso introdutório é oferecer ferramentas para atuação do profissional que transita nesse campo.
Programação: Panorama teórico e atividades sonoro-musicais para trabalhar com crianças na primeira infância (0 a 6 anos).
Profissional: Luisiana França Passarini – Musicoterapeuta e Educadora Musical, coordenadora do Projeto Musicando – Música no Desenvolvimento Infantil,  pós-graduanda em Psicopatologia e Saúde Pública com enfoque na Criança e Adolescente – FSP_USP.
Data: 26 de maio
Horário: 14hs às 18hs (Cadastro às 13:30hs)
Público Alvo: Estudantes e profissionais da educação, educação musical, musicoterapia e áreas correlacionadas.
Inscrição: Enviar nome, profissão, contatos telefônicos e comprovante de depósito para cursos@centrobenenzon.com.br . 
Investimento: R$ 140,00
 Data limite para inscrição : 20 de maio
 Dados Bancários: Banco Bradesco/ AG: 1518 / CC:2525 - 9 / CPF:025.936.226.36 / Luisiana B. França
  


Curso Internacional 

“Sistematización de la práctica musicoterapéutica”
Porto Alegre - RS

Descrição do curso:
 As experiências musicais em musicoterapia oferecem uma quantidade de dados que muitas vezes excedem a escuta do musicoterapeuta. Poder realizar registros sistemáticos claros permite não apenas entender com clareza as experiências musicais, mas também possibilita ao musicoterapeuta poder transmitir essa informação de forma específica e clara a outros profissionais. O curso "sistematização da prática musicoterapêutica" oferece a possibilidade de conhecer as diversas formas de registro e análise de sessão, criadas pelo modelo MTD, conhecendo sua aplicação e utilização em áreas de saúde mental e medicina. A formação se realizará desde experiências práticas e análise de protocolos de avaliação de funções musicais, escalas de análise de experiências intra e intermusicais, elaboração de critérios de encaminhamento a musicoterapia e fichas de análise de sessões processuais e focais.

Objetivo do curso: Conhecer diferentes formas de registro e análise das experiências musicais em musicoterapia desenvolvidas pelo modelo MTD, que permitam poder levar a prática, ferramentas de fácil aplicação, as quais poderão ser utilizadas desde qualquer marco teórico.

Musicoterapeuta responsable: Lic. Karina Daniela Ferrari

  



IV Fórum de Musicoterapia - AMT - RS
Musicoterapia, Música e Cognição
São Leopoldo - RS

Para maiores informações e incrições,
acesse:


Programe-se e participe!

sábado, 21 de abril de 2012

Estresse Infantil e Musicoterapia





Estresse e a criança

Segundo pesquisas recentes, a incidência de estresse na população infantil tem se mostrado bastante elevada. A sociedade atual vivencia a era da globalização, na qual o fácil acesso a informação aliada à velocidade são realidades cotidianas.

Se por um lado tais fatores representam desenvolvimento e oportunidades, por outro geram fatores ambientais significantes na elevada taxa de estresse da população atual, inclusive, da população infantil. A criança, quando exposta a situações excitantes, coloca-se em estado de alerta, que provoca em seu organismo mudanças psicológicas, físicas e químicas. 

Todos vivenciam situações geradoras de tensão e estresse, as quais ameaçam a homeostasia, porém, a resposta de cada indivíduo à situação em questão é diferenciada. Enquanto alguns conseguem superar e adaptar-se a eventos estressores, outros não encontram o equilíbrio necessário para resolver a situação. 
 
 Musicoterapia e Estresse Infantil

A música, como parte do cotidiano da criança, estimula a criatividade, a imaginação e induz atividades motoras, afetiva, intelectual e oportuniza o brincar, o criar e o recriar através de seus elementos constitutivos: o ritmo, a melodia, a harmonia e o timbre. 

 Por meio do cantar, do produzir e escutar música a criança torna-se atuante e criadora de diferentes códigos sonoros, interage com o meio e com ela própria facilitando a comunicação e a expressão, promovendo a elevação da autoestima e a inter-relação entre os aspectos afetivos, cognitivos e fisiológicos. 

Neste contexto, a musicoterapia, ao utilizar-se da música,  atua como facilitadora do equilíbrio interno, para que a criança de hoje e o adulto de amanhã possa agir e atuar de modo mais eficaz e saudável no decorrer de sua vida.

Referência

NOGUEIRA, Flávia B., FLORENCIO, Roberta S. B. Utilização do Potencial da Música no Gerenciamento do Estresse Infantil. Anais do II Congresso Internacional da Saúde da Criança e Adolescente.  USP: São Paulo, 2010.


domingo, 1 de abril de 2012

Chamada para Submissão de Trabalhos para o XIV Simpósio Brasileiro de Musicoterapia e XII Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia



XIV Simpósio Brasileiro de Musicoterapia

XI Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia
“Musicoterapia: Ciência e a Pesquisa Contemporânea”.

12 a 14 de Outubro de 2012, Faculdade de Ciências Humanas de Olinda
Olinda / Recife, PE

A Associação de Musicoterapia do Nordeste (AMTNE) e o Curso de Pós-graduação em Musicoterapia da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO), em parceria com a Associação Baiana de Musicoterapia (ASBAMT) e Associação de Musicoterapia do Piauí (AMT-PI) têm o prazer de convidar a todos os interessados em submeter trabalhos para a décima quarta edição do Simpósio Brasileiro de Musicoterapia e décima segunda edição do Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia (ENPEMT).

A realização destes dois importantes eventos nacionais em Recife foi decidida pela União Brasileira das Associações de Musicoterapia, com o intuito de fortalecer a difusão da musicoterapia na região Nordeste. Desejamos reunir tanto musicoterapeutas como profissionais e pesquisadores de diversas áreas, brasileiros e estrangeiros e já temos confirmada a presença do musicoterapeuta Dr. Prof. Thomas Wosch, pesquisador da Universidade de Ciências Aplicadas de Wuerzburg e Schweinfurt – Alemanha.

Para inscrição de trabalhos, recomenda-se ler atentamente as normas desta convocatória e a ficha de submissão de trabalhos, especificando se serão direcionados ao XIV Simpósio Brasileiro ou ao XII Encontro de Pesquisa em Musicoterapia e escolhendo uma das formas de apresentação.

Documento com as normas de submissão

Ficha de submissão

Para maiores informações acesse aqui o site do evento

sábado, 17 de março de 2012

Musicoterapia Vibroacústica




Hoje falaremos um pouco da musicoterapia vibroacústica, sua aplicação, efeitos, benefícios para a saúde humana  e também suas contra indicações.  

Os textos a seguir foram retirados de trabalhos do musicoterapeuta e maior referência no Brasil da musicoterapia vibroacústica Roger Carrer. 

Roger é músico, graduado em Musicoterapia pela Faculdade Paulista de Artes (SP - 2007), técnico em áudio pelo CDA, Conservatório Souza Lima (2003 - SP). Foi professor de Psicoacústica na Faculdade Paulista de Artes (SP - 2008), coordenador de musicoterapia do PEPA - Projeto Especial para Adolescentes e Adultos (2006-2010 - SP). Possui vários trabalhos publicados sobre  musicoterapia vibroacústica em eventos nacionais e internacionais.

Música e Vibrações
A música e as vibrações sonoras têm grande influência no ser humano, tanto do ponto de vista físico, por meio das ondas sonoras de baixa freqüência que penetram no corpo através da pele, quanto relativamente aos efeitos psíquicos provocados pelo repertório musical e pelas vibrações sonoras selecionadas para a aplicação das práticas musicoterapêuticas. 

A Terapia Vibroacústica e Musicoterapia

As primeiras pesquisas conhecidas e publicadas sobre a aplicação da terapia vibroacústica somada à música como método terapêutico foram realizadas em 1980 na Noruega. O método ficou conhecido como ‘banho musical’ e ‘massagem de sons de baixa freqüência’ (SKILLE, 1982 in: WIGRAM, 2007). Neste processo o corpo recebe um banho de música e vibração sonora. Durante os anos de 1981 e 1982 foram construídas e distribuídas várias unidades vibroacústicas para testes na Noruega.

Para Skille (1982), terapia vibroacústica é a “utilização de ondas sinusoidais, ondas de baixa freqüência e ondas de pressão sonora combinadas com música para uso terapêutico” .

A musicoterapia vibroacústica une ondas sonoras puras de baixa frequência e música, devidamente aplicadas por um musicoterapeuta através de uma “cadeira vibroacústica”

Efeitos da Terapia Vibroacústica

  • Efeitos relaxantes e espasmolíticos (redutores de espasmos);
  • Aumento da circulação sangüínea corporal;
  • Efeitos positivos no sistema vegetativo.


Aplicações
  • Dores abdominais
  • Ansiedade
  • Afasia (terapia vibroacústica combinada com fonoaudiologia)
  • Asma
  • Autismo (promove maior aproximação e contato corporal)
  • Dores nas costas
  • Pressão arterial
  • Insônia
  • Espasticidade (presente em diversas patologias)
  • Fibromialgia
  •  Fibrose cística
  • Cólicas Menstruais e Tensão pré-menstrual
  • Esclerose Múltipla (redução da rigidez)
  •  Parkinson (autonomia e memória)
  • Síndrome de Rett (redução na hiperventilação e tensão)
  •  Dores crônicas e reumáticas
  •  Depressão e Stress

Contra Indicações
  •  condição de inflamação aguda 
  • psicose
  • gravidez
  • hemorragia ou sangramento agudo
  • trombose
  • hipertensão
  • presença de marca-passo



Se quiser conhecer mais a musicoterapia vibroacústica, uma boa oportunidade para quem mora em São Paulo é a oficina que será ministrada pelo Roger Carrer no dia 14 de abril no espaço Essência Terapêutica: Av. Nova Independência, nº 651 , Brooklin Novo, SP.

Inscrições pelos telefones (11) 2825.9306 / (11) 9868.4891
e-mail: marceloperestrelo@hotmail.com
com Marcelo Perestrelo.
Valor R$ 80,00





Para saber mais acesse RogerCarrer.com , e tenha acesso aos  artigos completos. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Vamos Publicar?



A postagem de hoje faz um chamado aos musicoterapeutas brasileiros para escrever!

Duas revistas com conteúdo específico da musicoterapia estão com chamadas para submissões abertas: A Revista do NEPIM - Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Musicoterapia, que receberá até o dia 30 de abril de 2012, artigos para o volume 03, com lançamento em julho de 2012; e a nossa já conhecida   Revista Brasileira de Musicoterapia em seu décimo segundo volume, com prazo para o envio de trabalhos até15 de abril de 2012.

Nossa profissão está ganhando espaço e reconhecimento, e isso se deve ao trabalho sério dos vários profissionais musicoterapeutas que batalham, não apenas no trabalho clínico, atendendo seus clientes/pacientes com qualidade, mas também produzindo material bibliográfico fundamente nossa prática.

Por que publicar?


Alguns motivos para publicar um artigo:

  • Disseminar nosso trabalho
  • Provocar a discussão do nosso trabalho com os pares;
  • Progredir na carreira acadêmica/profissional;
  • Produzir material que fundamente nossa prática;
  • Publish or Perish! ( Publique ou Pereça!)
Além disso, quando escrevemos um artigo, somos levados a ler e pesquisar, aprofundando-nos mais no assunto escolhido, e isso com certeza nos torna profissionais melhores.

Lembramos que a Revista Brasileira de Musicoterapia neste início de ano, foi avaliada pelo sistema WEBQUALIS- CAPES e incluída na lista da área de Artes-Música com classificação B4, ou seja, esta é a primeira revista de Musicoterapia qualizada no país, o que representa muito para a qualidade das pesquisas na área.

O que isto significa?

Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela CAPES  (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) que confere uma classificação qualitativa a cada um dos periódicos. Quanto mais bem avaliado um determinado periódico, o artigo nele publicado tende a ser mais bem recepcionado pela comunidade acadêmica. 
A classificação de periódicos é realizada pelas áreas de avaliação e passa por processo anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade - A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C - com peso zero.

Então, vamos publicar?

  • Revista do NEPIM - Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Musicoterapia 
Acesse aqui as normas de submissão e demais informações.


  • 12ª Revista Brasileira de Musicoterapia 
Acesse aqui as normas de submissão e demais informações.




Bom trabalho!




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Musicoterapia e Educação Musical




Na postagem de hoje, finalzinho de feriado de carnaval, abordaremos sob o olhar de K. Bruscia o tema Musicoterapia versus Educação Musical, na tentativa de cada vez mais, clarear as diferenças e semelhanças que norteiam as fronteiras entre "educação e terapia", "professor de música e musicoterapeuta".

Educação e Terapia


A educação e terapia são semelhantes no sentido de que ambas ajudam a pessoa a adquirir conhecimentos e habilidades. No entanto, nem toda educação é terapia e nem toda terapia é educação. Muitas distinções importantes podem ser feitas:


Educação/professor
Terapia/terapeuta
O objetivo primário é adquirir conhecimento e habilidade
Apenas um meio de alcançar saúde
Enfoca a aquisição de conhecimento
Aborda os déficits educacionais ou os problemas de aprendizagem
A matéria que é o objeto da aprendizagem não é específica do indivíduo
 É sempre pessoal ou autobiográfica
Oferece conhecimento sobre o mundo
 Fornece o acesso de sua própria forma de estar no mundo
O aluno não leva problemas pessoais ou de saúde para o professor, a não ser que afete seu aprendizado
O paciente não leva problemas educacionais ao terapeuta, a não ser que afete a sua saúde
Um professor não investiga a natureza de problemas pessoais ou de saúde do seu aluno, a não ser que afete sua performance
O terapeuta investiga , independente das suas implicações educacionais
O professor motiva o estudante a aprender uma matéria ou dominar uma habilidade
O terapeuta ajuda o paciente a alcançar a saúde, algumas vezes ensinando conhecimentos ou habilidades



 Educação Musical e Musicoterapia

As distinções são as mesmas com relação à educação musical e musicoterapia:


Educação Musical
Musicoterapia
O objetivo último é o aprendizado musical
A música é um meio para atingir um fim
Os objetivos são primeiramente estéticos e musicais e secundariamente funcionais
Os objetivos são primeiramente relacionados com a saúde e secundariamente estéticos ou musicais
A ênfase é dada ao mundo universalmente compartilhado da música
 A ênfase é dada ao mundo musical particular da pessoa
A relação professor/aluno está limitada a questões musicais
 A relação paciente/terapeuta aborda as questões de saúde que podem ser trabalhadas através da música



Assim, o aprendizado  musical é um fim em si, mais do que um meio para um determinado fim. Além disso, a relação que se estrutura entre o estudante e o professor não tem conotação terapêutica. Na realidade, qualquer esforço feito pelo educador musical para atender as necessidades dos estudantes no sentido terapêutico poderia ser visto como uma conduta inapropriada ou invasiva.

Conclui-se que, apesar de muitas vezes se cruzarem, cada campo tem sua importância,  lugar e objetivos próprios, e o profissional atuante em cada área deverá estar instrumentalizado e preparado para ocupar seu lugar, seja na educação, seja na terapia.

Referências:

BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia.Rio de Janeiro: Enelivros, 2000, p. 184 - 187.

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