“De Cuba, retenho na memória o calor humano de um povo que vive com tão pouco e ainda assim consegue sorrir porque não perdeu a capacidade de sonhar. Guardo comigo a multiplicidade de raças que convivem sem problemas, os sorrisos que nos brindam, o som da música sempre presente, a beleza natural de seus olhares, a magia do museu vivo de carros antigos, os cheiros da fruta nos mercados, as sombras das arcadas corroídas pelo tempo e as cores bem vivas que teimam em contrariar o desânimo.” ( De um viajante)
Na década de 40, o clube de dança e música Buena Vista Social Club, da cidade de Havana reunia músicos e compositores cubanos como Manuel "Puntillita" Licea, Compay Segundo, Rubén González, Ibrahim Ferrer e Omara Portuondo.
Após quase 40 anos do fechamento do clube, o guitarrista e produtor musical americano Ry Cooder viajou à Havana, atraído por uma gravação em fita na qual ele tempos antes tinha escutado e se encantado, em busca de músicos cubanos afim de gravar um disco. Desta iniciativa surge o premiado disco Buena Vista Social Club, nome que faz referência ao saudoso clube fechado nos anos 50.
O filme
Em 1998, juntamente com o diretor alemão Win Wenders, Cooder volta à Cuba para filmar um documentário, com entrevistas, depoimentos, bastidores da gravação do disco de Ibrahim Ferrer e partes dos shows realizados pelo grupo formado em 96.
Cooder e Wenders já haviam trabalhado juntos anteriormente conquistando prêmios como a Palma de Ouro no festival de Cannes em 1984 com Paris Texas. Agora Buena Vista recebe uma indicação ao Oscar de melhor documentário e conquista um Grammy .
O filme revela músicos renascidos, resgatados pela música. Vemos o encontro da música tradicional cubana com a guitarra de Ry Cooder e sua influência havaiana. Velhos músicos de vanguarda e a juventude de Johaquin Cooder, introduzindo novos instrumentos . Vemos a técnica precisa e agilidade de Ruben Gonzales ao piano, a espontaneidade e graça de Puntillita, a postura contida, até certo ponto, de Ibhaim Ferrer, a emoção de Omara Portuondo. Não há conflito. Toda essa diversidade gera um colorido que ilumina e contagia qualquer olhar.
Através do filme deslumbramos o colorido das ruas de Havana, sua arquitetura, seus carros antigos, seu povo solidário, seus timbres característicos, suas tradições, seus personagens interessantes e tudo isso envolto em uma música envolvente formando uma imensa paisagem.
Saboreie um pouco da paisagem cubana no pequeno trailer abaixo:
“Timbres característicos... maneiras próprias de entoar a voz, tudo isso é responsável por sonoridades locais, que se mesclam com outros sons, ruídos, falas, fazendo surgir verdadeiras paisagens sonoras... O primeiro impacto sonoro é marcante, é tão delatador quanto a luz peculiar de uma região nova, as suas cores ou os odores que a compõe.”(Tiago de Oliveira Pinto)
A música cubana é marcante, revela um povo que vê a música como formadora de suas próprias identidades, não há como desvinculá-la.
Recomendo mesmo para os não simpatizantes da música latina.
Estamos vivendo a revolução dos computadores, da internet e dos meios de comunicação em massa. O acesso a informação nunca esteve tão abundante e fácil.
Há não muitos anos atrás, quando queríamos conhecer melhor um artista, tínhamos que comprar o disco, ou pedir para um amigo gravar para nós (em fitas cassetes). Hoje, basta realizar uma busca na internet para encontrarmos o disco e fazer o download, não só do disco que queremos, mas até da discografia inteira.
Se por um lado todas essas facilidades nos oferecem maior acesso aos artistas, para os profissionais envolvidos representa uma crise a ser resolvida.
Mas afinal, as crises são sempre negativas?
Se analisada em sua origem, (do grego krisis), crise significa um momento de decisão que pode tornar a vida de uma pessoas muito melhor. Em outras palavras, enquanto alguns vêem problemas, outros enxergam possibilidades.
Para os músicos profissionais, a "crise" que envolve o mercado musical exigem mudanças significativas na maneira de conduzir a carreira, sobrevivendo assim o músico que melhor se adaptar as mudanças impostas.
É neste cenário que o documentário Profissão: Músico foi produzido. Selecionado para o festival de Verão RS de cinema de 2010, o filme foi produzido pelo projeto CCOMA e pelo cineasta colombiano Daniel Vargas entre outubro de 2009 e dezembro de 2010.
Projeto CCOMA: Roberto Scopel e Swami Sagara
Com imagens realizadas no Brasil, Uruguai, Colômbia, Alemanha e Grécia, o documentário conta com depoimentos de músicos de rua da França e Inglaterra, Djs como Anderson Noise e Ravin, músicos como Edgar Scandurra, Fernando Catatau, Naná Vasconcelos e Pedra Branca.
"Agora, não basta só tocar. A profissão de músico mudou muito nos últimos anos. A internet trouxe o artista para perto do público e vice-versa, não importando mais se este músico vive em Londres ou no interior das montanhas do Sul do Brasil".
Assista o filme:
Para saber mais mais sobre o Projeto CCOMA e o documentário acesse:
O novo filme baseado em um estudo de caso do Dr. Oliver Sacks ressalta a importância da musicoterapia na reabilitação de danos neurológicos. Utilizando-se do repertório do paciente, no caso bandas de rock como Beatles e Grateful Dead, a musicoterapeuta mostra que o processo musicoterapêutico pode alcançar onde nada mais alcança.
Dirigido por Jim Kohlberg, " The Music Never Stopped" (A Música Nunca Parou), narra a viagem de um pai que ao saber que seu filho Gabriel sofre de uma grave lesão cerebral, parte em busca de um vínculo à muito perdido. A música é a ponte entre o abismo que separa as gerações da década de 1960.
Em 1967, depois que seu pai Henry Sawyer (JK Simmons) o proíbe de ir ver um concerto do Grateful Dead, Gabriel Sawyer (Lou Taylor Pucci) foge de casa.
Quase 20 anos depois Henry, um engenheiro certinho e amante de Big Bands, fica chocado ao saber que seu filho “alienado” requer uma complexa cirurgia para remover um tumor cerebral.
Após a operação, a extensão do dano deixado pelo tumor é claro: o tumor danificou a parte do cérebro que facilita a criação de novas memórias.
Para Gabriel, passado, presente e futuro tornam-se indistinguíveis. Ele vive fixado na época da guerra do Vietnã, viagens de ácido e música psicodélica. Determinado a não deixar seu filho novamente escapar entre os dedos, Henry e sua esposa Helen (Cara Seymour) decidem lutar para que a comunicação com Gabriel, que mal consegue se comunicar, não se perca. Insatisfeitos com a falta de progressos nos tratamentos do filho, Henry faz sua própria investigação sobre lesões cerebrais, o que o leva à doutora Dianne Daly (Julia Ormond), musicoterapeuta que, através dos seus métodos, tem apresentado progressos significativos com vítimas de tumores cerebrais.
Julia vive uma musicoterapeuta
Diane percebe que Gabriel é mais sensível às músicas do repertório roqueiro como The Beatles, Bob Dylan, e particularmente o Grateful Dead e passa a usá-las em terapia. O efeito é notável e ele começa a ser capaz de conversar e se expressar. Henry, que detesta rock and roll, está determinado a criar novas memórias e salvar seu relacionamento com o filho. Começa então a sua peregrinação através das bandas dos anos sessenta.
Veja o trailer do filme:
Ficaremos no aguardo da estréia do filme no Brasil.
Filmado em Dublin em apenas 17 dias, na maioria das vezes, com a câmera na mão do diretor John Carney, "Apenas uma Vez", ou "Once" (nome original) tem um forte caráter documental. Carney consegue extrair dos protagonistas principais atuações mais do que convincentes, ainda mais por se tratar de dois músicos que, mesmo brilhando na tela, já avisaram que não irão repetir a experiência.
Os atores em questão são Glen Hansard e Markéta Inglová, dois talentosos músicos europeus.
Glen, nascido em Dublin, na Irlanda, em 21 de abril de 1970, é o vocalista, guitarrista e membro fundador do grupo de rock irlandês The Frames. Formada em 1990, a banda passou à gravações e tours desde então, incluindo o produtor John Carney como baixista na última formação. Em setembro de 2006 a banda já lançava ‘The Cost’, o seu sexto álbum (em estúdio) com grande sucesso de crítica, realizando turnês pela Europa e Estados Unidos em 2007.
Glen e Markéta
Em abril de 2006, Hansard divulgou seu primeiro álbum solo, ‘The Swell Season’, em colaboração com a cantora e multi-instrumentista checa Markéta Irglová. Nascida em 28 de fevereiro de 1988, em Valasské Meziricí, na República Tcheca, Markéta é uma multi-instrumentista, compositora, atriz e cantora.
O filme apresenta um recorte na vida de duas pessoas vivendo seus conflitos pessoais mas que se aproximam guiados pela música.
É um filme sutil e leve, sem grandes pretensões, mas é justamente a simplicidade que faz com que Once soe tão convincente.
Um músico, ao assistir o filme, certamente irá se identificar com as rotinas de ensaio e gravações, momentos solitários onde surgem composições, apresentações para um público que nem te nota.
Sessão de ensaio no quarto
A trilha sonora, assim como o filme, também é formada de canções simples, sem grandes complexidades, mas sem deixar de serem belas. Com todas as canções compostas pela dupla, o filme levou oOscar de Melhor Canção Original em 2008, com a música Falling Slowly
Assista um trecho do filme no qual os dois cantam a canção premiada:
Se você ainda não assistiu, recomendo não somente o filme, mas também a trilha sonora. Como já dito no post, não espere um filme grandioso, mas uma história sensível sem ser dramática e previsível. O mesmo para a trilha sonora, que mostra que boas músicas não precisam ser sempre complexas e difíceis.
"Um herege talvez se convertesse ouvindo Bach, porque Bach é Bach, como disse Beethoven, e eu vos diria como Deus é Deus" (BERLIOZ).
Neste mês de março comemora-se o aniversário de um dos maiores gênios da música: Johann Sebastian Bach.
Nascido em março de 1685 na Alemanha, Bach é considerado o ultimo barroco, mas apesar de representar o esgotamento de um período, Bach consegue ser original e único. Suas composições atingiram um grau tão elevado de sofisticação, técnica e beleza, que inspiraram todos àqueles que vieram após ele, e apesar de passado mais de 300 anos de sua morte, continuam fontes de inspiração para a música atual, da música erudita ao rock e jazz.
Bach produziu, ao longo de sua vida (faleceu em 1750 aos 65 anos) um vasto repertório, de peças solo para instrumentos, como cravo e alaúde, até grandes oratórios e missas. É difícil contabilizar a extensão exata de sua obra, mas estima-se mais de mil composições.
No post de hoje, falaremos acerca de um projeto realizado em 1997 com a participação do violoncelista Yo Yo Ma, inspirado nas belíssimas suítes para violoncelo de Bach.
Nesse projeto, cada suíte inspirou uma produção artística original. O resultado do projeto gerou seis filmes de aproximadamente 1 hora de duração, cada um dirigido por um diretor diferente.
Confira uma pequena sinopse de cada filme:
“O Jardim Musical” - Dirigido por Kevin McMahon, Yo Yo Ma e a paisagista Julie Moir Messervy “viajam” entre Boston e Toronto tentando criar um jardim inspirado na suíte no. 1;
“O Som dos Cárceres” - Direção de François Girard. Calcado na suíte no. 2, recursos de tecnologia virtual colocam Ma tocando num dos cárceres imaginados pelo arquiteto italiano Giambattista Piranesi, contemporâneo de Bach;
“Rolando escada abaixo”- Dirigido por Barbara Willis Sweete , este filme registra o longo ano de trabalho do violoncelista Yo-Yo Ma com o coreógrafo Mark Morris e os 14 membros do Mark Morris Dance Group, que culmina numa performance espetacular, concebida especialmente para a Suíte n° 3;
“Sarabanda”- do diretor Atom Egoyan. Personagens e elementos distintos se misturam nesta criação ficcional de Atom para dramatizar a 'Suíte n° 4;
“Lutando por Esperança”- dirigido por Niv Fichmano, ator de kabuki Tamasaburo Bando dança a quinta suíte numa interpretação magistral;
“Seis Gestos”- o casal premiado de patinação no gelo J. Torvill e D. Dean dança a sexta suíte sob a direção de Patricia Rozema.
Assista pequenos trechos de 5 dos seis filmes produzidos:
O Jardim Musical
O Som dos Cárceres
Rolando Escada Abaixo
Lutando por Esperança
Seis Gestos
Recomendo a todos a audição das suítes completas. São realmente belíssimas!
Na 83ª Edição do Oscar, o filme O Discurso do Rei, com 12 indicações, levou 4 das principais estatuetas: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Colin Firth) e Melhor Roteiro Original.
No filme, Firth interpreta “Bertie", apelido familiar do segundo filho do Rei George V da Grã-Bretanha.
Os movimentos do personagem são brilhantemente interpretados por Firth, o qual demonstra com fidelidade todas as aflições vivenciadas por uma pessoa que gagueja e se vê frente ao desafio de enfrentar um pronunciamento público: a face consternada, o andar de quem está prestes a desmaiar, a aceitação passiva da morte nos olhos.
O diretor Tom Hooper conduz a cena de abertura do filme filmando-a a partir da perspectiva opressiva de uma pessoa que vê um humilhante obstáculo onde a grande maioria das pessoas vê apenas palavras corriqueiras. À medida que o personagem de Firth avança lentamente em direção a seu algoz, o microfone, com o ruído apreensivo da multidão ao fundo, sua leal esposa, a futura Rainha Mãe (interpretada por Helena Bonham Carter), oferece apoio incondicional, mas nessa hora não há nada que possa amenizar a extrema solidão de uma pessoa que gagueja.
A sensação de isolamento é irônica, pois tipicamente a dificuldade de comunicação para a pessoa que gagueja é tanto maior quanto maior o número de pessoas à sua volta. A gagueira tende a suavizar quando a pessoa está sozinha, falando para si mesma. Por muito tempo o distúrbio foi considerado um mistério, dando margem a especulações sobre uma possível origem psicológica. Na maioria dos casos, momentos de fala fluente se alternam intermitentemente com repetições, bloqueios e contorções da face.
Gagueira- Um distúrbio que precisa ser melhor compreendido
A gagueira é um distúrbio neurobiológico causado provavelmente pelo mau funcionamento de áreas do cérebro responsáveis pela automatização da fala: os núcleos da base não conseguiriam ajustar adequadamente o tempo de duração de sons ou sílabas, gerando alongamentos, bloqueios ou repetições. Esta disfunção é resultado de uma predisposição genética ou de uma alteração na estrutura do próprio cérebro.
Porém, na maioria dos casos, pais e professores tentam tratar a gagueira apenas como uma pequena dificuldade, não como uma disfunção capaz de alterar completamente a vida de alguém (ainda que, dependendo da severidade, seja exatamente este o tamanho do impacto que ela pode ter). Ainda hoje prevalece a visão da gagueira como algo sem nenhuma gravidade, nenhuma desvantagem, nenhuma deficiência séria. A consequência dessa desinformação é a ausência de qualquer política inclusiva voltada à pessoa que gagueja.
Já que a maioria das crianças que experimentam episódios de bloqueios na fala não se transformam em adultos gagos, há uma suposição de que a gagueira é algo que deve obrigatoriamente ficar para trás, assim como a lancheira da escola. Quando a condição se mostra refratária à remissão, é frequentemente recebida com uma atitude cética e impaciente, como se a pessoa fosse capaz de fazer o problema desaparecer apenas porque seu interlocutor assim o deseja. Para as pessoas que não conseguem tolerar a visão de uma fala levemente fora do padrão, a reação inicial de indagação (por que este pobre garoto não fala direito?) cede lugar a uma reação de intolerância.
Porque a pessoa não gagueja quando canta?
A maior parte das pessoas com gagueira realmente não gagueja quando canta. Entretanto, algumas pessoas com gagueira podem enfrentar dificuldades para iniciar o canto, outras podem gaguejar apenas quando cantam músicas de ritmo quase falado (como o rap, por exemplo) e outras ainda podem gaguejar no canto da mesma forma que gaguejam quando falam. A explicação para a ausência da gagueira durante o canto está em como o cérebro processa esta forma de expressão verbal: processada pelo sistema pré-motor lateral, que tende a estar preservado nas pessoas que gaguejam. Quando a gagueira ocorre durante o canto, significa que o processamento não foi totalmente transferido para o sistema pré-motor lateral ou que também há algum comprometimento neste sistema.
Dependendo do contexto, a fala é processada por diferentes partes do cérebro. As variações situacionais da gagueira - embora possam soar indevidamente como um problema emocional ou de ansiedade social - refletem apenas diferenças no modo como o cérebro processa a fala de acordo com a circunstância, usando um de dois sistemas pré-motores para fazer a temporalização do movimento: o sistema pré-motor medial ou o sistema pré-motor lateral. Na gagueira, o sistema pré-motor medial, responsável pela fala espontânea e integrada pelos núcleos da base, é o que tende a estar comprometido. Por outro lado, o sistema pré-motor lateral, responsável pela fala não-espontânea (como falar sozinho, cantar, ler em coro, representar um personagem e sussurrar) e integrada pelo cerebelo, tende a estar integro. Assim, a melhora da gagueira em situações que não envolvem fala espontânea é esperada e não significa que esta melhora possa ser transferida para a fala espontânea, uma vez que são processamentos distintos.
Tratando a gagueira
Até o momento, não existe nenhum tratamento que realmente cure a gagueira (no sentido de fazer com que a gagueira desapareça completamente sem que o indivíduo precise tomar nenhum cuidado adicional com sua fala). Os tratamentos disponíveis promovem uma diminuição significativa da gagueira, mas poderão persistir alguns resquícios, mesmo que sutis.
Porém, apesar de não existir uma cura, a Fonoaudiologia e algumas especialidades médicas dispõem de técnicas e procedimentos específicos para tratar a gagueira. A Musicoterapia, embora ainda no início dos estudos e pesquisas, também tem sido utilizada como uma forma eficaz de tratamento para a gagueira.
No filme, Geoffrey Rush interpreta Lionel Logue, um fonoaudiólogo australiano conhecido por seus métodos pouco convencionais – o tipo de terapeuta que membros da realeza dificilmente consultariam.
Lionel precisou ganhar a confiança de Bertie (como príncipe e depois como rei). Para fazer isso, ele teve de estabelecer uma relação de igualdade entre eles. E essa não foi uma tarefa simples, já que a confiança de um rei não é algo que se consegue obter de modo fácil ou rápido, ainda mais quando está sendo exigida a remoção da hierarquia. Este foi um teste crucial para a habilidade terapêutica de Lionel.
George VI manteve a amizade com seu tutor e terapeuta Lionel Logue até fim de sua vida (ele morreu de câncer no pulmão em 1952; Logue morreu no ano seguinte). O rei buscava sua ajuda sempre que precisava fazer pronunciamentos públicos e, em 1937, concedeu a Logue o título de nobreza da Ordem Real Vitoriana, que reconhece serviços prestados à monarquia. Diante da história de sucesso da parceria entre os dois, muitos ficam tentados a pensar que o rei superou completamente a gagueira, muito embora a verdade seja um tanto diferente.
Assista o trailer legendado
Aqui, nestes dois pequenos trechos, o verdadeiro George VI demonstra sua dificuldade em falar em público:
Para ler a resenha completa do filme, sob o olhar de uma pessoa que gagueja, acesse o site do Instituto Brasileiro de Fluência: http://www.gagueira.org.br
Referências:
Trechos da resenha do filme " O Discurso do Rei". Por Hugo Silva. Instituto Brasileiro de Fluência.
Vinte e Três Mitos sobre a gagueira. Por Sandra Merlo e Hugo Silva. Instituto Brasileiro de Fluência.
“A vida é criativa porque se organiza e regula a si mesma e está continuamente originando novidades” (Edmund Sinnott).
Podemos dizer que a criatividade regula e é capaz de organizar pensamentos e ações. O ser criativo consegue em meio a problemáticas encontrar novos caminhos, transpondo barreiras e encontrando soluções criativas.
Em Shine - Brilhante, filme dirigido por Scott Hicks (Austrália, 1996), vemos a história real de David Helfgott, um indivíduo dotado de um talento excepcional.
David e seu pai
Instruído pelo pai, David torna-se desde muito jovem, um pianista virtuose com uma carreira muito promissora. Participa de concursos, executando peças difíceis para sua faixa etária.
David e suas irmãs, apesar de gostarem de música e do piano, desejam brincar, ter amigos, se relacionar com outras pessoas, porém a presença opressora da figura paterna é constante. Sua mãe é omissa e submissa as vontades do marido, assim, todos os desejos de David são sufocados pelas vontades e desejos do pai.
Freud já dizia que o artista encontrava na arte um meio de exprimir seus conflitos interiores que de outra maneira se manifestariam como neuroses.
Não é assim com David, a opressão vivida impede que qualquer processo criativo se desenvolva em sua vida, sua arte não era capaz de transpor as vontades de seu pai, na verdade sua arte não lhe pertencia, o pai projetava no filho suas frustrações.
Por volta dos vinte anos, David apresenta seu primeiro colapso mental, ocorrido durante a apresentação do Concerto nº 3 de Sergei Rachmaninoff, é diagnosticado com Esquizofrenia Desorganizada (ou hebefrênica) e passa os próximos 10 anos internado numa clínica psiquiátrica.
Entendendo a esquizofrenia
A esquizofrenia é um dos principais transtornos mentais e acomete 1% da população em idade jovem, entre os 15 e os 35 anos de idade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a terceira causa de perda da qualidade de vida entre os 15 e 44 anos, considerando-se todas as doenças. Apesar do impacto social, a esquizofrenia ainda é uma doença pouco conhecida pela sociedade, sempre cercada de muitos tabus e preconceitos.
No filme, Geoffrey Rush interpretou de maneira brilhante, reproduzindo os trejeitos, os risos, a ecolalia, a fala infantilizada e rápida, características do tipo de esquizofrenia do seu personagem. Também foi Geoffrey que tocou o piano no filme, conquistando merecidamente o Oscar de melhor ator.
Além do Oscar conquistado por Geoffrey, veja as principais indicações e premiações:
Oscar 1997 (EUA)
Venceu na categoria de Melhor Ator (Geoffrey Rush).
Indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Armin Mueller-Stahl), Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora - Drama e Melhor Roteiro Original.
Globo de Ouro 1997 (EUA)
Venceu na categoria de Melhor Ator - Drama (Geoffrey Rush).
Indicado nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora.
BAFTA 1997 (Reino Unido)
Venceu nas categorias de Melhor Ator (Geoffrey Rush) e Melhor Som.
Indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Lynn Redgrave), Melhor Ator Coadjuvante (John Gielgud), Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro Original.
Festival Internacional de Toronto 1996 (Canadá)
Recebeu os prêmios Metro Media e People's Choice.
Fantasporto 1997 (Portugal)
Venceu na categoria de Melhor Diretor.
Festival Internacional de Roterdã 1997 (Holanda)
Recebeu o Prêmio da Audiência.
Assista um pequeno trecho do filme:
Hoje, Helfgott vive no seu mundo, sempre nervoso, fala sem parar e a grande velocidade, apresenta um diálogo pouco coerente, repetindo palavras ou frases.
Durante um concerto, fala, canta ou emite sons estranhos. Mas parece tocar com a alma. Ao terminar uma obra, mostra a sua alegria com gestos de menino que conquistam a simpatia do público.