sábado, 21 de abril de 2012

Estresse Infantil e Musicoterapia





Estresse e a criança

Segundo pesquisas recentes, a incidência de estresse na população infantil tem se mostrado bastante elevada. A sociedade atual vivencia a era da globalização, na qual o fácil acesso a informação aliada à velocidade são realidades cotidianas.

Se por um lado tais fatores representam desenvolvimento e oportunidades, por outro geram fatores ambientais significantes na elevada taxa de estresse da população atual, inclusive, da população infantil. A criança, quando exposta a situações excitantes, coloca-se em estado de alerta, que provoca em seu organismo mudanças psicológicas, físicas e químicas. 

Todos vivenciam situações geradoras de tensão e estresse, as quais ameaçam a homeostasia, porém, a resposta de cada indivíduo à situação em questão é diferenciada. Enquanto alguns conseguem superar e adaptar-se a eventos estressores, outros não encontram o equilíbrio necessário para resolver a situação. 
 
 Musicoterapia e Estresse Infantil

A música, como parte do cotidiano da criança, estimula a criatividade, a imaginação e induz atividades motoras, afetiva, intelectual e oportuniza o brincar, o criar e o recriar através de seus elementos constitutivos: o ritmo, a melodia, a harmonia e o timbre. 

 Por meio do cantar, do produzir e escutar música a criança torna-se atuante e criadora de diferentes códigos sonoros, interage com o meio e com ela própria facilitando a comunicação e a expressão, promovendo a elevação da autoestima e a inter-relação entre os aspectos afetivos, cognitivos e fisiológicos. 

Neste contexto, a musicoterapia, ao utilizar-se da música,  atua como facilitadora do equilíbrio interno, para que a criança de hoje e o adulto de amanhã possa agir e atuar de modo mais eficaz e saudável no decorrer de sua vida.

Referência

NOGUEIRA, Flávia B., FLORENCIO, Roberta S. B. Utilização do Potencial da Música no Gerenciamento do Estresse Infantil. Anais do II Congresso Internacional da Saúde da Criança e Adolescente.  USP: São Paulo, 2010.


domingo, 1 de abril de 2012

Chamada para Submissão de Trabalhos para o XIV Simpósio Brasileiro de Musicoterapia e XII Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia



XIV Simpósio Brasileiro de Musicoterapia

XI Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia
“Musicoterapia: Ciência e a Pesquisa Contemporânea”.

12 a 14 de Outubro de 2012, Faculdade de Ciências Humanas de Olinda
Olinda / Recife, PE

A Associação de Musicoterapia do Nordeste (AMTNE) e o Curso de Pós-graduação em Musicoterapia da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO), em parceria com a Associação Baiana de Musicoterapia (ASBAMT) e Associação de Musicoterapia do Piauí (AMT-PI) têm o prazer de convidar a todos os interessados em submeter trabalhos para a décima quarta edição do Simpósio Brasileiro de Musicoterapia e décima segunda edição do Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia (ENPEMT).

A realização destes dois importantes eventos nacionais em Recife foi decidida pela União Brasileira das Associações de Musicoterapia, com o intuito de fortalecer a difusão da musicoterapia na região Nordeste. Desejamos reunir tanto musicoterapeutas como profissionais e pesquisadores de diversas áreas, brasileiros e estrangeiros e já temos confirmada a presença do musicoterapeuta Dr. Prof. Thomas Wosch, pesquisador da Universidade de Ciências Aplicadas de Wuerzburg e Schweinfurt – Alemanha.

Para inscrição de trabalhos, recomenda-se ler atentamente as normas desta convocatória e a ficha de submissão de trabalhos, especificando se serão direcionados ao XIV Simpósio Brasileiro ou ao XII Encontro de Pesquisa em Musicoterapia e escolhendo uma das formas de apresentação.

Documento com as normas de submissão

Ficha de submissão

Para maiores informações acesse aqui o site do evento

sábado, 17 de março de 2012

Musicoterapia Vibroacústica




Hoje falaremos um pouco da musicoterapia vibroacústica, sua aplicação, efeitos, benefícios para a saúde humana  e também suas contra indicações.  

Os textos a seguir foram retirados de trabalhos do musicoterapeuta e maior referência no Brasil da musicoterapia vibroacústica Roger Carrer. 

Roger é músico, graduado em Musicoterapia pela Faculdade Paulista de Artes (SP - 2007), técnico em áudio pelo CDA, Conservatório Souza Lima (2003 - SP). Foi professor de Psicoacústica na Faculdade Paulista de Artes (SP - 2008), coordenador de musicoterapia do PEPA - Projeto Especial para Adolescentes e Adultos (2006-2010 - SP). Possui vários trabalhos publicados sobre  musicoterapia vibroacústica em eventos nacionais e internacionais.

Música e Vibrações
A música e as vibrações sonoras têm grande influência no ser humano, tanto do ponto de vista físico, por meio das ondas sonoras de baixa freqüência que penetram no corpo através da pele, quanto relativamente aos efeitos psíquicos provocados pelo repertório musical e pelas vibrações sonoras selecionadas para a aplicação das práticas musicoterapêuticas. 

A Terapia Vibroacústica e Musicoterapia

As primeiras pesquisas conhecidas e publicadas sobre a aplicação da terapia vibroacústica somada à música como método terapêutico foram realizadas em 1980 na Noruega. O método ficou conhecido como ‘banho musical’ e ‘massagem de sons de baixa freqüência’ (SKILLE, 1982 in: WIGRAM, 2007). Neste processo o corpo recebe um banho de música e vibração sonora. Durante os anos de 1981 e 1982 foram construídas e distribuídas várias unidades vibroacústicas para testes na Noruega.

Para Skille (1982), terapia vibroacústica é a “utilização de ondas sinusoidais, ondas de baixa freqüência e ondas de pressão sonora combinadas com música para uso terapêutico” .

A musicoterapia vibroacústica une ondas sonoras puras de baixa frequência e música, devidamente aplicadas por um musicoterapeuta através de uma “cadeira vibroacústica”

Efeitos da Terapia Vibroacústica

  • Efeitos relaxantes e espasmolíticos (redutores de espasmos);
  • Aumento da circulação sangüínea corporal;
  • Efeitos positivos no sistema vegetativo.


Aplicações
  • Dores abdominais
  • Ansiedade
  • Afasia (terapia vibroacústica combinada com fonoaudiologia)
  • Asma
  • Autismo (promove maior aproximação e contato corporal)
  • Dores nas costas
  • Pressão arterial
  • Insônia
  • Espasticidade (presente em diversas patologias)
  • Fibromialgia
  •  Fibrose cística
  • Cólicas Menstruais e Tensão pré-menstrual
  • Esclerose Múltipla (redução da rigidez)
  •  Parkinson (autonomia e memória)
  • Síndrome de Rett (redução na hiperventilação e tensão)
  •  Dores crônicas e reumáticas
  •  Depressão e Stress

Contra Indicações
  •  condição de inflamação aguda 
  • psicose
  • gravidez
  • hemorragia ou sangramento agudo
  • trombose
  • hipertensão
  • presença de marca-passo



Se quiser conhecer mais a musicoterapia vibroacústica, uma boa oportunidade para quem mora em São Paulo é a oficina que será ministrada pelo Roger Carrer no dia 14 de abril no espaço Essência Terapêutica: Av. Nova Independência, nº 651 , Brooklin Novo, SP.

Inscrições pelos telefones (11) 2825.9306 / (11) 9868.4891
e-mail: marceloperestrelo@hotmail.com
com Marcelo Perestrelo.
Valor R$ 80,00





Para saber mais acesse RogerCarrer.com , e tenha acesso aos  artigos completos. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Vamos Publicar?



A postagem de hoje faz um chamado aos musicoterapeutas brasileiros para escrever!

Duas revistas com conteúdo específico da musicoterapia estão com chamadas para submissões abertas: A Revista do NEPIM - Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Musicoterapia, que receberá até o dia 30 de abril de 2012, artigos para o volume 03, com lançamento em julho de 2012; e a nossa já conhecida   Revista Brasileira de Musicoterapia em seu décimo segundo volume, com prazo para o envio de trabalhos até15 de abril de 2012.

Nossa profissão está ganhando espaço e reconhecimento, e isso se deve ao trabalho sério dos vários profissionais musicoterapeutas que batalham, não apenas no trabalho clínico, atendendo seus clientes/pacientes com qualidade, mas também produzindo material bibliográfico fundamente nossa prática.

Por que publicar?


Alguns motivos para publicar um artigo:

  • Disseminar nosso trabalho
  • Provocar a discussão do nosso trabalho com os pares;
  • Progredir na carreira acadêmica/profissional;
  • Produzir material que fundamente nossa prática;
  • Publish or Perish! ( Publique ou Pereça!)
Além disso, quando escrevemos um artigo, somos levados a ler e pesquisar, aprofundando-nos mais no assunto escolhido, e isso com certeza nos torna profissionais melhores.

Lembramos que a Revista Brasileira de Musicoterapia neste início de ano, foi avaliada pelo sistema WEBQUALIS- CAPES e incluída na lista da área de Artes-Música com classificação B4, ou seja, esta é a primeira revista de Musicoterapia qualizada no país, o que representa muito para a qualidade das pesquisas na área.

O que isto significa?

Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela CAPES  (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) que confere uma classificação qualitativa a cada um dos periódicos. Quanto mais bem avaliado um determinado periódico, o artigo nele publicado tende a ser mais bem recepcionado pela comunidade acadêmica. 
A classificação de periódicos é realizada pelas áreas de avaliação e passa por processo anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade - A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C - com peso zero.

Então, vamos publicar?

  • Revista do NEPIM - Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Musicoterapia 
Acesse aqui as normas de submissão e demais informações.


  • 12ª Revista Brasileira de Musicoterapia 
Acesse aqui as normas de submissão e demais informações.




Bom trabalho!




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Musicoterapia e Educação Musical




Na postagem de hoje, finalzinho de feriado de carnaval, abordaremos sob o olhar de K. Bruscia o tema Musicoterapia versus Educação Musical, na tentativa de cada vez mais, clarear as diferenças e semelhanças que norteiam as fronteiras entre "educação e terapia", "professor de música e musicoterapeuta".

Educação e Terapia


A educação e terapia são semelhantes no sentido de que ambas ajudam a pessoa a adquirir conhecimentos e habilidades. No entanto, nem toda educação é terapia e nem toda terapia é educação. Muitas distinções importantes podem ser feitas:


Educação/professor
Terapia/terapeuta
O objetivo primário é adquirir conhecimento e habilidade
Apenas um meio de alcançar saúde
Enfoca a aquisição de conhecimento
Aborda os déficits educacionais ou os problemas de aprendizagem
A matéria que é o objeto da aprendizagem não é específica do indivíduo
 É sempre pessoal ou autobiográfica
Oferece conhecimento sobre o mundo
 Fornece o acesso de sua própria forma de estar no mundo
O aluno não leva problemas pessoais ou de saúde para o professor, a não ser que afete seu aprendizado
O paciente não leva problemas educacionais ao terapeuta, a não ser que afete a sua saúde
Um professor não investiga a natureza de problemas pessoais ou de saúde do seu aluno, a não ser que afete sua performance
O terapeuta investiga , independente das suas implicações educacionais
O professor motiva o estudante a aprender uma matéria ou dominar uma habilidade
O terapeuta ajuda o paciente a alcançar a saúde, algumas vezes ensinando conhecimentos ou habilidades



 Educação Musical e Musicoterapia

As distinções são as mesmas com relação à educação musical e musicoterapia:


Educação Musical
Musicoterapia
O objetivo último é o aprendizado musical
A música é um meio para atingir um fim
Os objetivos são primeiramente estéticos e musicais e secundariamente funcionais
Os objetivos são primeiramente relacionados com a saúde e secundariamente estéticos ou musicais
A ênfase é dada ao mundo universalmente compartilhado da música
 A ênfase é dada ao mundo musical particular da pessoa
A relação professor/aluno está limitada a questões musicais
 A relação paciente/terapeuta aborda as questões de saúde que podem ser trabalhadas através da música



Assim, o aprendizado  musical é um fim em si, mais do que um meio para um determinado fim. Além disso, a relação que se estrutura entre o estudante e o professor não tem conotação terapêutica. Na realidade, qualquer esforço feito pelo educador musical para atender as necessidades dos estudantes no sentido terapêutico poderia ser visto como uma conduta inapropriada ou invasiva.

Conclui-se que, apesar de muitas vezes se cruzarem, cada campo tem sua importância,  lugar e objetivos próprios, e o profissional atuante em cada área deverá estar instrumentalizado e preparado para ocupar seu lugar, seja na educação, seja na terapia.

Referências:

BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia.Rio de Janeiro: Enelivros, 2000, p. 184 - 187.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Jogos Musicais - Jogos de Comunicação





A intenção dos jogos de comunicação é "ensinar" os membros de um grupo a reagir reciprocamente num quadro pouco estruturado. Eles aprenderão a pôr -se em contato uns com os outros, numa situação em que o resultado não está pré concebido.

Assim, neste tipo de jogo, o que interessa não é o jogo em si, mas as numerosas interações em que um grupo é confrontado antes de poder colocar-se de acordo com a iniciativa do outro.



Características:

  • Trata-se principalmente de jogos de movimento apresentando uma estrutura pouco rígida;
  • A música atua com um apoio que permite o prosseguimento do jogo, não sendo portanto, o elemento principal;
  • São baseados na comunicação e nas capacidades de reação frente aos outros. Assim, não conta o resultado e nem o fato de haver ou não um vencedor.

Os Jogos

1 - Espelho animado - Os membros do grupo ficam posicionados em pares, frente a frente com cerca de um metro de distância. Cada par escolhe quem comandará o jogo, e ao som de uma música de andamento inicialmente moderado, o membro escolhido realiza movimentos livres de acordo com o andamento da música. Ao mesmo tempo, seu par deve realizar os mesmos movimentos, como num espelho. Ao terminar a música, invertem-se as funções.

2 -  Completemos a canção - Com o grupo sentado em círculo, um membro é escolhido para iniciar e canta  a primeira frase de uma canção. Uma outra pessoa canta a segunda frase, uma outra a terceira a assim por diante, até terminar a canção ou até que um membro não consiga completar a canção. As canções escolhidas devem ser conhecidas por todos os membros do grupo. Este jogo permite inúmeras variações: exemplos - se a música é muito fácil pode-se acelerar o andamento; - a escolha dos participantes que realizam a sequencia das canções podem ser aleatórias utilizando uma bola jogada pelo último jogador; muitas outras.

3 - Que direção tomar? - Este jogo é realizado com apenas três participantes. Dois jogadores posicionam-se a uma distância de 8 a 10 metros, enquanto o terceiro jogador, de olhos vendados e sem conhecer a identidade dos outros dois, se coloca entre eles. O objetivo do jogo é atrair o jogador de olhos vendados para si pela emissão de sons vocais. Cada vez que o jogador vendado escuta um som que, por uma razão ou outra, o atraia, anda em direção ao jogador que emitiu o som. Se ao contrário, o som o repelir, se afasta. Ao ouvir um som que lhe seja indiferente, fica imóvel. Ganha o jogador que conseguir atrair o jogador para perto de si. 
Observação: Após o jogo, deverá seguir-se uma discussão sobre a atividade, abordando a atração e repulsa aos sons, se o jogador vendado reconheceu os participantes e se isso o influenciou a direção dos seus movimentos.
Variação: Pode-se usar instrumentos musicais no lugar de sons vocais.

É isso aí amigos. Lembrando que esta série de jogos é baseada no livro 100 Jogos Musicais - Coleção Práticas Pedagógicas. 

Você pode acessar aqui os outros jogos e atividades já postados no blog. 

Bom trabalho!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Qualificação Musical do Musicoterapeuta

*
No final de 2011 encerrou-se a enquete realizada no blog que levantou algumas questões referente ao profissional musicoterapeuta. Com 113 votos, as questões e seus respectivos resultados seguem abaixo:

O Musicoterapeuta deve:

Ser graduado em musicoterapia
  75 (66%)
 
Ter, pelo menos, uma especialização em musicoterapia
  41 (36%)
 
Ser um professor de música
  11 (9%)
 
Possuir um conhecimento musical básico
  21 (18%)
 
Possuir um excelente conhecimento musical
  39 (34%)
 


Na postagem de hoje (e nas próximas) pretendo abordar tais questões  fundamentando-se em autores da musicoterapia e também na minha experiência e opinião pessoal.

Longe de estabelecer  "verdades", quero aqui abrir espaço para diferentes ponto de vista, pensando assim, colaborar na consolidação da Musicoterapia como uma profissão séria.


Conhecimentos Musicais


Começarei abordando as questões referentes ao conhecimento musical do musicoterapeuta.
Segundo Lia Rejane Mendes Barcelos, sendo a música o objeto de trabalho do musicoterapeuta, a autora coloca a importância primordial do domínio musical:

"[...] em primeiro lugar é preciso que ele domine o seu objeto de trabalho, a música, e, por outro lado, é preciso que ele possa reconhecer que sentidos os sons tem para o paciente que vai tratar, quais as implicações do som e do ritmo, enfim da música , na sua vida (Do paciente) (BARCELLOS, 1999, P. 26)".

Para a britânica Juliette Alvin, pioneira da musicoterapia mundial 

"[...] el musicoterapeuta há de ser ante todo um músico diestro y experimentado [...] pero capaces de aplicar la psicologia de la música em su trabajo. Profesionalmente há de ser buen ejecutante e improvisador, conocedor de todos los tipos e música, capaz de emprender muchas tareas, tais como dirigir conjuntos vocales o instrumentales o enseñar a cantar o tocar instrumentos. También debe poseer um conocimiento básico fisiológico y psicológico, indispensable para que comprenda la contribución que su música puede hacer al trabajo e sus colegas y em el equipo terapêutico, y para llevarla a cabo. (ALVIN, 1984, p. 205)".

Portando para Alvin, o musicoterapeuta não somente deve dominar a música em todas as suas formas,  mas também compreender os efeitos que a música provoca em seu paciente.

Porém, embora o musicoterapeuta deva possuir bons conhecimentos médicos, psicológicos e musicais, não  implica necessariamente ser um médico,  um psicólogo e nem músico. 
As competências de um musicoterapeuta supõem saberem complexos e diversos, que envolvem vários campos do conhecimento, sendo o saber musical a premissa das competências esperadas.

Segundo o meu ponto de vista, baseado na literatura e também na minha experiência clínica, para as questões levantadas na enquete  eu diria:

O musicoterapeuta deve ter sim um excelente conhecimento musical e dominar pelo menos um instrumento harmônico, pois somente um profissional bem qualificado musicalmente é capaz de  oferecer respostas adequadas ao paciente. 

"O musicoterapeuta é o elemento que intervém na “sonosfera” em que vive e dela faz parte para modificá-la. E para isto, ele usa a música como seu principal instrumento de trabalho, visando não apenas o seu uso puro e simples, mas principalmente para fazer acontecer “experiências musicais”.Sua formação deve ser sólida; deve ter abertura para conhecer os mais diversos pontos de vista, os mais diferentes coloridos musicais" ( TORRES , 2008).

Por outro lado, um músico apenas  não será capaz de lidar com as experiências musicais do paciente, e embora possua o domínio musical, não é capacitado para aplicar a música de forma terapêutica - "Não é possível acontecer um processo musicoterapeutico sem a presença de um profissional habilitado, que encaminhe e conduza o paciente para uma relação fecunda com a música ( TORRES, 2008)".

Em outras postagens continuaremos o assunto, continue acompanhando. 

Participe e deixe a sua opinião nos comentários! Sua participação é  muito importante!



Referências:

ALVIN, Juliette. Musicoterapia. Barcelona: Ediciones Paidos, Primeira reedição em Espanã, 1984.

BARCELLOS, Lia Rejane. Cadernos de Musicoterapia 4. Rio de Janeiro: Enelivros, 1999.

TORRES, José. Métodos e Técnicas em Musicoterapia. Texto composto como trabalho na disciplina de Métodos e Técnicas em Musicoterapia, sob a orientação da professora Lia Rejane Barcellos do Curso de Pós-graduação em Musicoterapia da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO). 2008.

* Tela "Músicos",  de Antônio Medeiros, 1955.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Oficina - Teatro do Oprimido: a arte como instrumento social



Que tal aproveitar as férias para participar de uma oficina de teatro fórum gratuita?

Em Janeiro, o Instituto SufrutoverdeuS ministrará uma Ofina de Teatro Fórum que terá duração de 7 dias e é voltada para líderes comunitários, artistas, terapeutas, professores, políticos, atores e não atores, a todos aqueles que queiram aprender e multiplicar o Teatro do Oprimido.

O Teatro do Oprimido é uma ferramenta de diálogo entre o ator e o espectador, possibilitando ao artista interpretar o homem de seu tempo e ao espectador ser o ator desse momento.
As técnicas utilizadas fazem parte do método que ganhou o mundo por fazer da arte um instrumento social, democratizando e popularizando o fazer teatral.

Teatro do Oprimido

Trata-se de um método teatral que reúne exercícios, jogos e técnicas teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal. Os seus principais objetivos são a democratização dos meios de produção teatrais, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo (tal como Paulo Freire pensou a educação) e do teatro. Ao mesmo tempo, traz toda uma nova técnica para a preparação do ator que tem grande repercussão mundial.

A sua origem remete ao Brasil das décadas de 60 e 70, mas o termo é citado textualmente pela primeira vez na obra: Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Este livro reúne uma série de artigos publicados por Boal entre 1962 e 1973, e pela primeira vez sistematiza o corpo de idéias desse teatrólogo.


Teatro-Fórum

A dramaturgia simultânea era uma espécie de tradução feita por artistas sobre os problemas vividos pelo povo. Aí nasceu o Teatro-Fórum, onde a barreira entre palco e platéia é destruída e o Diálogo implementado. Produz-se uma encenação baseada em fatos reais, na qual personagens oprimidos e opressores entram em conflito, de forma clara e objetiva, na defesa de seus desejos e interesses. No confronto, o oprimido fracassa e o público é estimulado, pelo Curinga (o facilitador do Teatro do Oprimido), a entrar em cena, substituir o protagonista (o oprimido) e buscar alternativas para o problema encenado.

Conteúdo da Oficina

  • Dramaturgia
  • Jogos
  • Técnicas do Teatro Fórum
  • Estética do Oprimido
  • Montagem do Espetáculo
  • Apresentação


Serão duas turmas no período de 23 a 29 de Janeiro, a primeira turma, para jovens, das 14:00H às 17:00H e a segunda turma, para adultos, das 19:00H às 22:00H.

Os interessados deverão enviar um e-mail com nome completo, número de contato e idade. 
A oficina é gratuita.


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