terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Musicoterapia e Educação Musical




Na postagem de hoje, finalzinho de feriado de carnaval, abordaremos sob o olhar de K. Bruscia o tema Musicoterapia versus Educação Musical, na tentativa de cada vez mais, clarear as diferenças e semelhanças que norteiam as fronteiras entre "educação e terapia", "professor de música e musicoterapeuta".

Educação e Terapia


A educação e terapia são semelhantes no sentido de que ambas ajudam a pessoa a adquirir conhecimentos e habilidades. No entanto, nem toda educação é terapia e nem toda terapia é educação. Muitas distinções importantes podem ser feitas:


Educação/professor
Terapia/terapeuta
O objetivo primário é adquirir conhecimento e habilidade
Apenas um meio de alcançar saúde
Enfoca a aquisição de conhecimento
Aborda os déficits educacionais ou os problemas de aprendizagem
A matéria que é o objeto da aprendizagem não é específica do indivíduo
 É sempre pessoal ou autobiográfica
Oferece conhecimento sobre o mundo
 Fornece o acesso de sua própria forma de estar no mundo
O aluno não leva problemas pessoais ou de saúde para o professor, a não ser que afete seu aprendizado
O paciente não leva problemas educacionais ao terapeuta, a não ser que afete a sua saúde
Um professor não investiga a natureza de problemas pessoais ou de saúde do seu aluno, a não ser que afete sua performance
O terapeuta investiga , independente das suas implicações educacionais
O professor motiva o estudante a aprender uma matéria ou dominar uma habilidade
O terapeuta ajuda o paciente a alcançar a saúde, algumas vezes ensinando conhecimentos ou habilidades



 Educação Musical e Musicoterapia

As distinções são as mesmas com relação à educação musical e musicoterapia:


Educação Musical
Musicoterapia
O objetivo último é o aprendizado musical
A música é um meio para atingir um fim
Os objetivos são primeiramente estéticos e musicais e secundariamente funcionais
Os objetivos são primeiramente relacionados com a saúde e secundariamente estéticos ou musicais
A ênfase é dada ao mundo universalmente compartilhado da música
 A ênfase é dada ao mundo musical particular da pessoa
A relação professor/aluno está limitada a questões musicais
 A relação paciente/terapeuta aborda as questões de saúde que podem ser trabalhadas através da música



Assim, o aprendizado  musical é um fim em si, mais do que um meio para um determinado fim. Além disso, a relação que se estrutura entre o estudante e o professor não tem conotação terapêutica. Na realidade, qualquer esforço feito pelo educador musical para atender as necessidades dos estudantes no sentido terapêutico poderia ser visto como uma conduta inapropriada ou invasiva.

Conclui-se que, apesar de muitas vezes se cruzarem, cada campo tem sua importância,  lugar e objetivos próprios, e o profissional atuante em cada área deverá estar instrumentalizado e preparado para ocupar seu lugar, seja na educação, seja na terapia.

Referências:

BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia.Rio de Janeiro: Enelivros, 2000, p. 184 - 187.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Jogos Musicais - Jogos de Comunicação





A intenção dos jogos de comunicação é "ensinar" os membros de um grupo a reagir reciprocamente num quadro pouco estruturado. Eles aprenderão a pôr -se em contato uns com os outros, numa situação em que o resultado não está pré concebido.

Assim, neste tipo de jogo, o que interessa não é o jogo em si, mas as numerosas interações em que um grupo é confrontado antes de poder colocar-se de acordo com a iniciativa do outro.



Características:

  • Trata-se principalmente de jogos de movimento apresentando uma estrutura pouco rígida;
  • A música atua com um apoio que permite o prosseguimento do jogo, não sendo portanto, o elemento principal;
  • São baseados na comunicação e nas capacidades de reação frente aos outros. Assim, não conta o resultado e nem o fato de haver ou não um vencedor.

Os Jogos

1 - Espelho animado - Os membros do grupo ficam posicionados em pares, frente a frente com cerca de um metro de distância. Cada par escolhe quem comandará o jogo, e ao som de uma música de andamento inicialmente moderado, o membro escolhido realiza movimentos livres de acordo com o andamento da música. Ao mesmo tempo, seu par deve realizar os mesmos movimentos, como num espelho. Ao terminar a música, invertem-se as funções.

2 -  Completemos a canção - Com o grupo sentado em círculo, um membro é escolhido para iniciar e canta  a primeira frase de uma canção. Uma outra pessoa canta a segunda frase, uma outra a terceira a assim por diante, até terminar a canção ou até que um membro não consiga completar a canção. As canções escolhidas devem ser conhecidas por todos os membros do grupo. Este jogo permite inúmeras variações: exemplos - se a música é muito fácil pode-se acelerar o andamento; - a escolha dos participantes que realizam a sequencia das canções podem ser aleatórias utilizando uma bola jogada pelo último jogador; muitas outras.

3 - Que direção tomar? - Este jogo é realizado com apenas três participantes. Dois jogadores posicionam-se a uma distância de 8 a 10 metros, enquanto o terceiro jogador, de olhos vendados e sem conhecer a identidade dos outros dois, se coloca entre eles. O objetivo do jogo é atrair o jogador de olhos vendados para si pela emissão de sons vocais. Cada vez que o jogador vendado escuta um som que, por uma razão ou outra, o atraia, anda em direção ao jogador que emitiu o som. Se ao contrário, o som o repelir, se afasta. Ao ouvir um som que lhe seja indiferente, fica imóvel. Ganha o jogador que conseguir atrair o jogador para perto de si. 
Observação: Após o jogo, deverá seguir-se uma discussão sobre a atividade, abordando a atração e repulsa aos sons, se o jogador vendado reconheceu os participantes e se isso o influenciou a direção dos seus movimentos.
Variação: Pode-se usar instrumentos musicais no lugar de sons vocais.

É isso aí amigos. Lembrando que esta série de jogos é baseada no livro 100 Jogos Musicais - Coleção Práticas Pedagógicas. 

Você pode acessar aqui os outros jogos e atividades já postados no blog. 

Bom trabalho!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Qualificação Musical do Musicoterapeuta

*
No final de 2011 encerrou-se a enquete realizada no blog que levantou algumas questões referente ao profissional musicoterapeuta. Com 113 votos, as questões e seus respectivos resultados seguem abaixo:

O Musicoterapeuta deve:

Ser graduado em musicoterapia
  75 (66%)
 
Ter, pelo menos, uma especialização em musicoterapia
  41 (36%)
 
Ser um professor de música
  11 (9%)
 
Possuir um conhecimento musical básico
  21 (18%)
 
Possuir um excelente conhecimento musical
  39 (34%)
 


Na postagem de hoje (e nas próximas) pretendo abordar tais questões  fundamentando-se em autores da musicoterapia e também na minha experiência e opinião pessoal.

Longe de estabelecer  "verdades", quero aqui abrir espaço para diferentes ponto de vista, pensando assim, colaborar na consolidação da Musicoterapia como uma profissão séria.


Conhecimentos Musicais


Começarei abordando as questões referentes ao conhecimento musical do musicoterapeuta.
Segundo Lia Rejane Mendes Barcelos, sendo a música o objeto de trabalho do musicoterapeuta, a autora coloca a importância primordial do domínio musical:

"[...] em primeiro lugar é preciso que ele domine o seu objeto de trabalho, a música, e, por outro lado, é preciso que ele possa reconhecer que sentidos os sons tem para o paciente que vai tratar, quais as implicações do som e do ritmo, enfim da música , na sua vida (Do paciente) (BARCELLOS, 1999, P. 26)".

Para a britânica Juliette Alvin, pioneira da musicoterapia mundial 

"[...] el musicoterapeuta há de ser ante todo um músico diestro y experimentado [...] pero capaces de aplicar la psicologia de la música em su trabajo. Profesionalmente há de ser buen ejecutante e improvisador, conocedor de todos los tipos e música, capaz de emprender muchas tareas, tais como dirigir conjuntos vocales o instrumentales o enseñar a cantar o tocar instrumentos. También debe poseer um conocimiento básico fisiológico y psicológico, indispensable para que comprenda la contribución que su música puede hacer al trabajo e sus colegas y em el equipo terapêutico, y para llevarla a cabo. (ALVIN, 1984, p. 205)".

Portando para Alvin, o musicoterapeuta não somente deve dominar a música em todas as suas formas,  mas também compreender os efeitos que a música provoca em seu paciente.

Porém, embora o musicoterapeuta deva possuir bons conhecimentos médicos, psicológicos e musicais, não  implica necessariamente ser um médico,  um psicólogo e nem músico. 
As competências de um musicoterapeuta supõem saberem complexos e diversos, que envolvem vários campos do conhecimento, sendo o saber musical a premissa das competências esperadas.

Segundo o meu ponto de vista, baseado na literatura e também na minha experiência clínica, para as questões levantadas na enquete  eu diria:

O musicoterapeuta deve ter sim um excelente conhecimento musical e dominar pelo menos um instrumento harmônico, pois somente um profissional bem qualificado musicalmente é capaz de  oferecer respostas adequadas ao paciente. 

"O musicoterapeuta é o elemento que intervém na “sonosfera” em que vive e dela faz parte para modificá-la. E para isto, ele usa a música como seu principal instrumento de trabalho, visando não apenas o seu uso puro e simples, mas principalmente para fazer acontecer “experiências musicais”.Sua formação deve ser sólida; deve ter abertura para conhecer os mais diversos pontos de vista, os mais diferentes coloridos musicais" ( TORRES , 2008).

Por outro lado, um músico apenas  não será capaz de lidar com as experiências musicais do paciente, e embora possua o domínio musical, não é capacitado para aplicar a música de forma terapêutica - "Não é possível acontecer um processo musicoterapeutico sem a presença de um profissional habilitado, que encaminhe e conduza o paciente para uma relação fecunda com a música ( TORRES, 2008)".

Em outras postagens continuaremos o assunto, continue acompanhando. 

Participe e deixe a sua opinião nos comentários! Sua participação é  muito importante!



Referências:

ALVIN, Juliette. Musicoterapia. Barcelona: Ediciones Paidos, Primeira reedição em Espanã, 1984.

BARCELLOS, Lia Rejane. Cadernos de Musicoterapia 4. Rio de Janeiro: Enelivros, 1999.

TORRES, José. Métodos e Técnicas em Musicoterapia. Texto composto como trabalho na disciplina de Métodos e Técnicas em Musicoterapia, sob a orientação da professora Lia Rejane Barcellos do Curso de Pós-graduação em Musicoterapia da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (FACHO). 2008.

* Tela "Músicos",  de Antônio Medeiros, 1955.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Oficina - Teatro do Oprimido: a arte como instrumento social



Que tal aproveitar as férias para participar de uma oficina de teatro fórum gratuita?

Em Janeiro, o Instituto SufrutoverdeuS ministrará uma Ofina de Teatro Fórum que terá duração de 7 dias e é voltada para líderes comunitários, artistas, terapeutas, professores, políticos, atores e não atores, a todos aqueles que queiram aprender e multiplicar o Teatro do Oprimido.

O Teatro do Oprimido é uma ferramenta de diálogo entre o ator e o espectador, possibilitando ao artista interpretar o homem de seu tempo e ao espectador ser o ator desse momento.
As técnicas utilizadas fazem parte do método que ganhou o mundo por fazer da arte um instrumento social, democratizando e popularizando o fazer teatral.

Teatro do Oprimido

Trata-se de um método teatral que reúne exercícios, jogos e técnicas teatrais elaboradas pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal. Os seus principais objetivos são a democratização dos meios de produção teatrais, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo (tal como Paulo Freire pensou a educação) e do teatro. Ao mesmo tempo, traz toda uma nova técnica para a preparação do ator que tem grande repercussão mundial.

A sua origem remete ao Brasil das décadas de 60 e 70, mas o termo é citado textualmente pela primeira vez na obra: Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Este livro reúne uma série de artigos publicados por Boal entre 1962 e 1973, e pela primeira vez sistematiza o corpo de idéias desse teatrólogo.


Teatro-Fórum

A dramaturgia simultânea era uma espécie de tradução feita por artistas sobre os problemas vividos pelo povo. Aí nasceu o Teatro-Fórum, onde a barreira entre palco e platéia é destruída e o Diálogo implementado. Produz-se uma encenação baseada em fatos reais, na qual personagens oprimidos e opressores entram em conflito, de forma clara e objetiva, na defesa de seus desejos e interesses. No confronto, o oprimido fracassa e o público é estimulado, pelo Curinga (o facilitador do Teatro do Oprimido), a entrar em cena, substituir o protagonista (o oprimido) e buscar alternativas para o problema encenado.

Conteúdo da Oficina

  • Dramaturgia
  • Jogos
  • Técnicas do Teatro Fórum
  • Estética do Oprimido
  • Montagem do Espetáculo
  • Apresentação


Serão duas turmas no período de 23 a 29 de Janeiro, a primeira turma, para jovens, das 14:00H às 17:00H e a segunda turma, para adultos, das 19:00H às 22:00H.

Os interessados deverão enviar um e-mail com nome completo, número de contato e idade. 
A oficina é gratuita.


sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo!



Mais um ano se passou e um novo está prestes a iniciar trazendo novos projetos, planos e a expectativa da realização de sonhos ainda não concretizados...

2011 foi o primeiro ano do Blog Música & Saúde e  aproveito para agradecer a participação de todos aqueles nos acompanharam, seja comentando, votando nas enquetes ou simplesmente acessando e lendo. O objetivo do blog é ser, sem grandes pretensões, um veículo que compartilha  informações sobre Música e Saúde, tendo como tema central a Musicoterapia, embora não pretenda se limitar a musicoterapeutas e músicos, mas alcançar todos àqueles se interessam por música e seus benefícios.

Apesar do próximo ano prometer ser ainda mais corrido, o blog continuará postando artigos com conteúdo atualizado e relevante, procurando sempre aprimorar e melhorar  e para isso, conta com a participação de todos seus leitores e amigos. Sejam bem vindos a mais um ano de muita música e claro, saúde!!!

Feliz 2012!!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Leituras para as férias



Neste período do ano muitos podem desfrutar de momentos de descanso, sejam de férias do trabalho ou dos estudos. Para aqueles que tem esse privilégio mas, assim como eu, aproveitam para ler livros que muitas vezes não dão tempo de ler durante o ano, disponibilizo quatro livros para download.

Os livros parecem interessantes e tanto podem ser usados em pesquisas acadêmicas, como para simplesmente agregar  conhecimento a qualquer pessoa que se interesse por música.

O primeiro livro Como Ouvir e Entender Música, de Aaron Copland, pretende abrir o caminho do ouvinte para uma melhor compreensão da audição musical, mas avisa logo no ínicio do livro - "Se você quiser entender música melhor, não há coisa mais importante a fazer do que ouvir música. Não há nada que possa substituir esse hábito. Tudo o que eu tenho a dizer nesse livro refere-se a uma experiência que você só pode obter fora desse livro. Você perderá tempo, provavelmente, ao lê-lo, se não tomar a resolução de ouvir mais música do que ouvira anteriormente. Todos nós, profissionais e não profissionais, estamos sempre tentando aprofundar o nosso conhecimento da música. Ler um livro às vezes ajuda. Mas nada pode substituir a experiência direta da música."


Baixe aqui o livro completo em pdf (81 páginas)



No livro O Futuro da Música Depois da Morte do CD,  organizado por Irineu Franco Perpétuo e Sérgio Amadeu da Silveira, os 16 autores partem da perspectiva da engenharia da produção, da sociologia, da teoria da comunicação, da musicologia, da filosofia e da interpretação e composição musicais, além da própria atividade empresarial. A única base comum dos textos é o reconhecimento das profundas mudanças que a digitalização e as redes informacionais trouxeram para o universo da música. Um dos objetivos da coletânea é mostrar a complexidade e as grandes diferenças teóricas, analíticas e prospectivas que existem entre aqueles que estão pensando o tema.


Já os livros da Série Pesquisa em Música no Brasil, volume I e II  fazem parte de um projeto da ANPPOM  - Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música, e tem o objetivo de oferecer perspectivas para o desenvolvimento de novas áreas, examinando a aplicabilidade de novas teorias e lançando novos olhares sobre teorias e objetos de pesquisa já não tão novos.


Pesquisa em Música no Brasil: Métodos, Domínios, Perspectivas. Série Pesquisa em Música no Brasil. Volume 1. organizado por Rogério Budasz 









Criação Musical e Tecnologias: Teoria e Prática Interdisciplinar. Série Pesquisa em Música no Brasil. Volume II. organizado por  Damián Keller e Rogério Budasz.








Lembro que os livros disponibilizados tem acesso autorizado e gratuito para download.

Boa leitura!!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Clive Robbins 1927-2011



Dia 07 de dezembro de 2011 faleceu Clive Robbins, musicoterapeuta, pesquisador e diretor fundador do Centro Nordoff-Robbins de Musicoterapia.


Breve História

Dr. Clive Robbins foi co-autor da Musicoterapia Criativa e o Diretor Fundador do Centro Nordoff-Robbins Music Therapy na Universidade de Nova York. 

Paul e Clive
De 1954 a 1959 ele trabalhou como professor de Classe Especial em casas de crianças na Inglaterra. Em 1959, unindo a experiência em educação especial e anterior estudo musical, iniciou sua colaboração com Paul Nordoff, pioneiro na aplicação de técnicas de improvisação e composição em musicoterapia criando a “Musicoterapia Criativa” mais comumente referido como a abordagem Nordoff-Robbins - que se baseia na filosofia de que "todos possuem uma sensibilidade para a música que pode ser utilizada para o crescimento e desenvolvimento pessoal". Como co-terapeuta, ele participou na exploração de abordagens inovadoras para a terapia individual e de grupo. Compôs músicas, atividades instrumentais, jogos e teatro musical para cumprir as metas de desenvolvimento com crianças de variadas deficiências e patologias.

Ao longo dos dezesseis anos de trabalho em equipe com Paul Nordoff, Dr. Robbins foi continuamente ativo na prática, documentação, estudo, pesquisa e demonstração da musicoterapia criativa com crianças e adolescentes, trabalhando com crianças que apresentavam uma ampla gama de condições incapacitantes: leve a profunda deficiência de desenvolvimento, autismo, distúrbio emocional, esquizofrenia, afasia, dificuldades de aprendizagem, deficiências visuais e auditivas, deficiências físicas e múltiplas.

Em 1974, a saúde de Paul Nordoff começou a declinar vindo então a falecer em 1977. Em 1975, Clive Robbins formou uma nova equipe com sua esposa Carol para continuar o desenvolvimento e a disseminação de trabalho de sua vida. Carol Robbins havia começado seus estudos com Nordoff -Robbins em 1966. Todos os projetos subseqüentes foram feitos em colaboração com Carol Robbins até sua morte em 1996.

Clive Robbins viajou e ensinou extensivamente, adicionando a sua experiência clínica no tratamento, treinamento e projetos de demonstração com crianças e adolescentes na Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Ele também ensinou na Austrália, Inglaterra, Alemanha, Grécia, Irlanda, Nova Zelândia e EUA. Durante estes anos,  ministrou cursos para musicoterapeutas, educadores musicais, músicos e estudantes.

Através de sua prática clínica, ensino, supervisão, palestras, workshops, escritos e apresentações com Paul Nordoff, 1959-1974; Carol Robbins, 1975-1996 e, posteriormente, em colaboração com membros da sua equipe, Clive Robbins tornou-se internacionalmente reconhecido por seu ensinamento de recursos clínicos, sua pesquisa sobre processos musicoterapeuticos, e por seu compromisso com altos padrões de prática clínica, criatividade e musicalidade em musicoterapia.

A nós musicoterapeutas, só nos cabe agradecer o legado deixado pelo Dr. Clive Robbins!

"Com a morte, fecha-se um ciclo, finalmente, depois de tensões e resoluções, síncopes e contratempos, cadências e silêncios, a música da vida encerra-se. Ela, porém, deixa seu legado e continua a soar nos corações e mentes, espalhando mensagens e influenciando as gerações futuras."


Assista um vídeo com uma breve entrevista legendada do Dr. Clive




Para saber mais sobre a abordagem Nordoff-Robbins acesse:
http://gabrielapelosi.blogspot.com/2011/09/amor-primeira-vista-e-o-que-e-nordoff.html

Referências


http://steinhardt.nyu.edu/music/nordoff/staff

Flávia B. Nogueira e Roberta S. B. Florencio. Morte e Espiritualidade na Velhice.  

domingo, 4 de dezembro de 2011

Jogos Musicais - Jogos de aproximação e de apresentação


Em continuidade da série Jogos Musicais, baseados no livro 100 Jogos Musicais - Coleção Práticas Pedagógicas, apresentamos hoje os jogos de desenvolvimento da sociabilidade.

Como nos grupos apresentados anteriormente, os Jogos de Desenvolvimento da Sociabilidade são formados por um conjunto de jogos, subdivididos em:
  • Jogos de aproximação e de apresentação
  • Jogos de comunicação
  • Jogos baseados na confiança
São jogos que buscam reforçar e favorecer a unidade do grupo, bem como a comunicação. De acordo com o jogos escolhido, poder-se-á assistir e desenvolver os processos de dinâmica de grupo e visam:

  • aprender a conhecer-se (auto conhecimento);
  • a pôr-se a vontade (espontaneidade);
  • vencer a timidez;
  • criar um sentimento de segurança;
  • desenvolver a auto confiança;
  • compartilhar os próprios sentimentos assim como dos outros;
  • assumir risco;
  • e tantos outros objetivos que o educador ou musicoterapeuta puder traçar.
Embora estes jogos sejam especialmente concebidos para os primeiros encontros, poderão ser realizados posteriormente, sempre que se considerar a necessidade de um reforço na harmonia do grupo.

Jogos de aproximação e de apresentação
 

São jogos que estimulam a espontaneidade e o prazer  dos participantes, dando-lhes a oportunidade de se aproximarem uns dos outros, evoluindo em uma situação livre e natural.

Caracteriza-se por sua estrutura simples e de curta duração. Normalmente baseiam-se em jogos conhecidos,  como o jogo da cadeira e sempre requerem a participação de todos.

Os jogos

  • Estação pirata -  Materiais Utilizados: instrumentos diversos e um apito - Os participantes são divididos em três grupos - Os emissores, os receptores e os "piratas". Os grupos de receptores e emissores ficarão dispostos em paredes opostas da sala separados pelo grupo de piratas. Os emissores combinam entre si uma canção conhecida que deverá ser transmitida aos receptores dispostos do outro lado, somente a melodia, sem letra. Com a ajuda de um apito, o educador ou musicoterapeuta dá o comando para iniciar a transmissão, ao mesmo tempo, os "piratas" passam a tocar seus instrumentos que somente eles dispõem, afim de que a mensagem não seja reconhecida pelos receptores. Após alguns segundos (cerca de 30 seg.) o apito novamente é tocado dando fim a transmissão. Só então os receptores demonstram se conseguiram reconhecer a canção entoada pelos emissores. Trocam-se os papéis até que todos participem dos três grupos.
  • À Procura da própria canção - Material: Folhas de papel. Antecipadamente, o educador/musicoterapeuta escreve o título de três canções bem conhecidas (Ex Marcha Soldado, Atirei o pau no gato, Cai cai balão) dividindo nos papéis em partes iguais (se possível). É importante que cada canção seja escrita mais de uma vez. Distribui-se as folhas dobradas para cada participante e ao comando do mediador, todos passam a cantar a canção escrita na folha recebida ao mesmo tempo que caminham pela sala. O objetivo é reconhecer  quais estão cantando a mesma canção, e ao fim do jogo, três grupos deverão estar reunidos.
  • Apanhemo-nos com música - Material: Apito ou flauta. Este jogo deverá ser realizado em um espaço amplo, de preferencia em campo aberto como uma quadra ou jardim. O espaço deve ser delimitado e divido em dois, como num campo de queimada. Divide-se os participantes em dois grupos. Um participante é escolhido para iniciar o jogo tocando a flauta ou apito. Este jogador deve tomar folego e sustentar uma nota pelo máximo de tempo sem pausas. Enquanto soa a nota, lhe é permitido passar ao campo 'adversário' e apanhar o máximo de 'inimigos' que conseguir (os inimigos tocados sairão do jogo).  Aos inimigos é permitido fugir, porém, sem sair do seu campo. Quando o participante que está tocando o instrumento sentir que não aguenta mais soar a nota, deve imediatamente voltar para a segurança do seu campo, caso não consiga chegar ao seu campo a tempo, será desclassificado e seus prisioneiros poderão voltar aos seus próprios campos e continuar o jogo.

Os jogos propostos são apenas sugestões e podem ser alterados e adaptados, conforme a clientela, o número de participantes, a faixa etária e os objetivos.

É isso, bom trabalho a todos!
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