segunda-feira, 25 de julho de 2011

Conferências de Assistência Social - Espaço para dar voz à musicoterapia



Recentemente, conquistamos um passo importante na consolidação da musicoterapia nas políticas públicas com a inserção no Sistema Único de Assistência Social - SUAS. Porém, para que essa conquista seja realmente efetivada, torna-se fundamental  apresentar e debater em espaços públicos e relevantes. As conferências de Assistência Social, organizadas primeiro em âmbito municipal (até agosto 2011), seguida da Conferência Estadual (Outubro/2011) e Nacional (Dezembro/2011- Brasília) são espaços fundamentais nos quais o musicoterapeuta apresenta seu trabalho e a recente inserção publicada em Diário Oficial.

O que são as Conferências de Assistência Social

São espaços de caráter propositivo e deliberativo que oportunizam o debate e avaliação da política de assistência social e a proposição de novas diretrizes, no sentido de consolidar e ampliar os direitos socioassistenciais dos seus usuários.

Na cidade de São Paulo, a  IX Conferência Municipal de Assistência Social  é precedida de inúmeras pré conferências,  preparatórias para a Conferência Municipal, e tem o intuito de:
 1) identificar as necessidades relacionadas à política de assistência social nos territórios, avaliar a implementação das deliberações das Conferências anteriores e indicar propostas para o aperfeiçoamento das ações do Sistema Único da Assistência Social, os entraves que dificultam o estruturação da gestão do trabalho no SUAS, bem como para o fortalecimento da participação e do controle social, do reordenamento e qualificação dos serviços socioassistenciais e de sua relação com os benefícios e programas de transferência de renda para erradicar a extrema pobreza no Brasil; e 
 2) organizar a participação e estabelecer a participação organizada nas conferências Estaduais, do DF e municipais.


Quem participa da Conferência Municipal de Assistência Social?

Todos os cidadãos podem participar das conferências municipais, desde que devidamente credenciados, na condição de:

  • Delegados, com direito a voz e voto. 
  • Convidados e observadores, com direito a voz. 
 O que significa participar? 

 A participação significa auto-apresentação, ou seja, a participação é direta, onde o próprio indivíduo se manifesta. Já a representação significa tornar presente, algo que está ausente. Representar implica que alguém tem a delegação para falar, atuar em nome de outro ou de um grupo.

Portanto, ressalto que a participação de musicoterapeutas é fundamental. Com direito a voz, o musicoterapeuta que participar de uma conferência deve se apresentar e levar o Diário Oficial que consta a inserção do musicoterapeuta no SUAS. As conferências terão relatórios e registros das participações , decisões, propostas e manifestos em geral. Os participantes podem ainda participar da Conferência Estadual e posteriormente na Conferência Nacional, sendo que a participação municipal é critério para participações futuras.

Participe! As pré conferências já estão se encerrando, mas ainda há tempo! 
Para moradores de outros municípios, informe-se!

Datas das próximas pré conferências da cidade de São Paulo

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL LAPA
Data: 26.7.2011
Local: UNINOVE BARRA FUNDA
Endereço: Rua Dr. Adolfo Pinto, 109 – Bairro: Barra Funda - Auditório - 12.º andar
Horário: Das 8h00 às 18h00

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL CAMPO LIMPO
Data: 27.7.2011
Local: UNASP
Endereço: Estrada de Itapecerica, 5859 – Bairro: Jd. Alvorada – Capão Redondo
Horário: Das 8h00 às 17h00

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL BUTANTÃ
Data: 28.07.2011
Local: Educandário Dom Duarte – ONG “Liga das Senhoras Católicas de São Paulo”
Endereço: Av. Engenheiro Heitor Eiras Garcia, 5985, Raposo Tavares – Bairro: Jd. Educandário
Horário: Das 8h00 às 18h00

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL JAÇANÃ
Data: 29.07.2011
Local: Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus
Endereço: Av. Guapira, 2005 – Bairro: Jaçanã
Horário: Das 8h00 às 18h00

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL PINHEIROS
Data 01.8.2011
Local: Paróquia São Luis Gonzaga
Endereço: Av. Paulista, 2378 - Tel.: 11 - 32315954 - 
Próximo à Esquina com a Rua Bela Cintra – SP - Ao lado do Metrô Consolação – Bairro: Bela Vista
Horário: Das 8h00 às 18h00

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL VILA MARIA
Data: 02.08.2011
Local: UNINOVE 
Endereço: Rua Diamantina, 302 – Bairro: Vila Maria.
Horário: Das 8h00 às 18h00

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL SANTO AMARO
Data: 03.8.2011
Local: Colégio Adventista
Endereço: R. Professor Delgado de Carvalho, 118 – Bairro: Santo Amaro
Horário: 9h00 às 17h00

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL CIDADE TIRADENTES
Data: 04.8.2011
Local: CEU AGUA AZUL
Endereço: Avenida dos Metalúrgicos, 1.262 
Horário: Das 8h00 às 18h00

PRÉ-CONFERÊNCIA - REGIONAL ARICANDUVA/FORMOSA
Data: 05.8.2011
Local: CENLEP
Endereço: Av. Regente Feijó, 1500 – Bairro: Jd. Anália Franco
Horário: 8h00 às 17h00

Conferência Municipal de São Paulo
Dias 24, 25 e 26 de Agosto de 2011
 Palácio de Convenções do Anhembi – Auditório Celso Furtado, Avenida Olavo Fontoura nº 1209 – Santana. - Veja aqui maiores informações sobre o evento

Conferências Municipais: Saiba mais aqui

Baixe aqui página do Diário Oficial com a resolução que insere a musicoterapia no SUAS

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Competências do Musicoterapeuta - parte 1: introdução




 Sendo a musicoterapia uma profissão relativamente nova, gera muitas vezes, confusões e afirmações equivocadas com respeito a prática e seriedade da profissão devido o desconhecimento da sociedade em geral. Assim, creio que é função dos profissionais  disseminar a importância e seriedade da musicoterapia brasileira, através de uma prática competente e qualificada. Nesta postagem, assim como nas próximas, abordarei as competências do profissional musicoterapeuta, fundamentando-se na bibliografia mundial da musicoterapia e na minha própria experiência e observações.


O musicoterapeuta segundo Bruscia

Kenneth Bruscia, no capítulo 7 do livro Definindo Musicoterapia (2000), discorre especialmente sobre a figura do terapeuta. O autor descreve as competências necessárias de um musicoterapeuta iniciante, ou seja, as qualificações básicas para que um musicoterapeuta possa iniciar sua carreira profissional.

São três as áreas principais que o profissional iniciante deve dominar:

Fundamentos da música: para que possa desempenhar a função adequadamente, o terapeuta deve possuir sólidos conhecimentos e habilidades musicais.

Fundamentos da clínica: Compreensão das diversas excepcionalidades, suas causas e sintomas, compreensão de como se dá o desenvolvimento normal e patológico, dinâmica de grupos relação terapêutica.

Musicoterapia: Diversas competências que vão desde conhecimento sobre os fundamentos e princípios da musicoterapia até a ética profissional (BRUSCIA, 2000).

Em postagens futuras, iremos desenvolver alguns temas:
  • As áreas de conhecimento do musicoterapeuta;
  • A formação acadêmica;
  • Competências segundo o DACUM;
  • O Musicoterapeuta e a produção bibliográfica brasileira. 
Contribua! Deixe um comentário e participe da enquete:
O musicoterapeuta ideal deve: Possuir uma graduação em musicoterapia; Possuir pelo menos um curso de especialização Lato Sensu em musicoterapia; Possuir experiência em educação musical;  Possuir algum conhecimento musical; Possuir um excelente conhecimento musical. Você pode escolher mais de uma opção. Vote!

Referências:

BRUSCIA, K. Definindo Musicoterapia. São Paulo: Enelivros, 2000.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Buena Vista Social Club - De Havana para o Mundo





“De Cuba, retenho na memória o calor humano de um povo que vive com tão pouco e ainda assim consegue sorrir porque não perdeu a capacidade de sonhar. Guardo comigo a multiplicidade de raças que convivem sem problemas, os sorrisos que nos brindam, o som da música sempre presente, a beleza natural de seus olhares, a magia do museu vivo de carros antigos, os cheiros da fruta nos mercados, as sombras das arcadas corroídas pelo tempo e as cores bem vivas que teimam em contrariar o desânimo.” ( De um viajante)

Na década de 40, o clube de dança e música Buena Vista Social Club, da cidade de Havana reunia músicos e compositores cubanos como Manuel "Puntillita" Licea, Compay Segundo, Rubén González, Ibrahim Ferrer  e Omara Portuondo.

Após quase 40 anos do fechamento do clube, o guitarrista e produtor musical americano Ry Cooder viajou à Havana, atraído por uma gravação em fita na qual ele tempos antes tinha escutado e se encantado, em busca de músicos cubanos afim de gravar um disco. Desta iniciativa surge o premiado disco Buena Vista Social Club, nome que faz referência ao saudoso clube fechado nos anos 50.

O filme

Em 1998, juntamente com o diretor alemão Win Wenders,  Cooder volta à Cuba para filmar um documentário, com entrevistas, depoimentos, bastidores da gravação do disco de Ibrahim Ferrer e partes dos shows realizados pelo grupo formado em 96. 

Cooder e Wenders já haviam trabalhado juntos anteriormente conquistando prêmios como a Palma de Ouro no festival de Cannes em 1984 com Paris Texas. Agora Buena Vista recebe uma indicação ao Oscar de melhor documentário e conquista um Grammy . 

O filme revela músicos renascidos, resgatados pela música. Vemos o encontro da música tradicional cubana com a guitarra de Ry Cooder e sua influência havaiana. Velhos músicos de vanguarda e a juventude de Johaquin Cooder, introduzindo novos instrumentos . Vemos a técnica precisa e agilidade de Ruben Gonzales ao piano, a espontaneidade e graça de Puntillita, a postura contida, até certo ponto, de Ibhaim Ferrer, a emoção de Omara Portuondo. Não há conflito. Toda essa diversidade gera um colorido que ilumina e contagia qualquer olhar. 

Através do filme deslumbramos o colorido das ruas de Havana, sua arquitetura, seus carros antigos, seu povo solidário, seus timbres característicos, suas tradições, seus personagens interessantes e tudo isso envolto em uma música envolvente formando uma imensa paisagem.

Saboreie um pouco da paisagem cubana no pequeno trailer abaixo:



“Timbres característicos... maneiras próprias de entoar a voz, tudo isso é responsável por sonoridades locais, que se mesclam com outros sons, ruídos, falas, fazendo surgir verdadeiras paisagens sonoras...
O primeiro impacto sonoro é marcante, é tão delatador quanto a luz peculiar de uma região nova, as suas cores ou os odores que a compõe.”(Tiago de Oliveira Pinto)

A música cubana é marcante, revela um povo que vê a música como formadora de suas próprias identidades, não há como desvinculá-la.

Recomendo mesmo para os não simpatizantes da música latina.


Referências:


Site oficial: http://www.buenavistasocialclub.com/


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Musicoterapia na Educação




Na área da educação, a musicoterapia se insere tanto na escola de ensino regular, especial e projetos da comunidade, tais como oficinas promovidas pelo município. O musicoterapeuta que atua no ambiente educacional poderá ter por objetivo estimular o desenvolvimento de habilidades cognitivas, motoras, sociais e emocionais dos alunos, ampliando suas possibilidades de aprendizado. Nesse sentido, o processo musicoterapêutico poderá incidir sobre o desenvolvimento individual do aluno com vistas a também colaborar com os objetivos gerais da escola e da comunidade.


Musicoterapia na Educação Musical

Embora o processo musicoterapêutico não tenha como objetivo o aprendizado musical, as atividades sonoras apresentam ao indivíduo, principalmente ao não músico, novas experiências, implicando no aprendizado e estímulo de novas habilidades. Essas experiências oferecem ao cérebro a possibilidade de adaptarem-se as novas habilidades, envolvendo uma rede complexa de atividades neurais.

As atividades criativas dentro da educação musical estão estritamente relacionadas ao processo de ensino/aprendizagem. Por outro lado, o musicoterapeuta, apesar de estar atento ao desenvolvimento musical do indivíduo, está muito mais interessado no desenvolvimento deste como pessoa, a fim de que o mesmo tenha uma melhor qualidade de vida. 

A musicoterapia, portanto,  não tem objetivos pedagógicos e sim terapêuticos, pois visa ajudar e tratar um indivíduo de forma a melhorar sua qualidade de vida, cuidando da sua saúde integral nos aspectos físico e mental e no convívio social.  Na musicoterapia, a música é utilizada como um meio para se alcançar objetivos terapêuticos, enquanto que na educação musical, a música é utilizada com um fim estético.

Porém, ao trabalhar aspectos amplos que envolvem o desenvolvimento global do aluno, a musicoterapia contribui com o aprendizado, atuando na melhoria das capacidades não só cognitivas, mas afetivas e sociais.


Referências:

CUNHA, Rosemyriam, VOLPI, Sheila. A Prática Da Musicoterapia Em Diferentes Áreas De Atuação. Revistacient./FAP, Curitiba, v.3, p.85-97, jan./dez. 2008
MEDEIROS, Maria L. L. O processo criativo em Educação Musical e em Musicoterapia.  IX Encontro Regional da ABEM Nordeste, Natal, 2010.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Atividades Musicais com Idosos




“O principal objetivo das medidas preventivas na terceira idade não é  reduzir as taxas de mortalidade, mas melhorar a saúde e a qualidade de vida dos idosos, de modo que eles tenham suas atividades menos afetadas por doenças crônicas (VERAS, 1997)”.

Os idosos têm a necessidade e o direito de sentirem-se bem e importantes no meio em que vivem. Para isso as ações  devem ter como objetivo maior a integração do idoso ao seu meio, procurando mantê-lo com o máximo de capacidade funcional e independência física e mental, na tentativa de evitar ou minimizar as conseqüências das doenças crônicas sobre o organismo.

Muitos idosos, especialmente moradores de Instituições de Longa Permanência ( ILPs), passam grande parte do tempo ociosos, o que pode acarretar sentimentos de melancolia e depressão.

As atividades, além de proporcionar momentos prazerosos e retirar o idoso da ociosidade, envolvem questões importantes como estímulo dos mecanismos cognitivos (memória, atenção, percepção, raciocínio, julgamento, criatividade), integração intra e interpessoal, e possibilita, dependendo da atividade proposta, o estímulo dos movimentos motores. 


Sugestões de Atividades: 

1 - Atividade com balão: Os participantes sentados em círculo, passam, ao som de uma música, um balão de mão em mão. No momento em que a música pára a pessoa que está com o balão o estoura e lê uma pergunta que está escrita dentro dele. Sugestões de perguntas: Como você acha que é sua saúde? O que é ter saúde para você? O que você acha que devemos fazer para ter boa saúde? Você acha que está cuidando bem de sua saúde? Você acha que a brincadeira é uma forma de procurar cuidar da saúde? porquê? Os temas das perguntas podem variar conforme o objetivo. As respostas podem ser seguidas de discussões.

2 - Atividade com palavras e música: Escrever, em pequenos papéis, várias palavras. Ex: ABRAÇO, AMOR, ROSA, VIAGEM,  ESTRADA... Cada um pega um papel e após ler a palavra escrita procura lembrar uma música que contenha a palavra.  

3 -Atividade de ritmo e palavras: Nesta atividade, o musicoterapeuta e o grupo usa palmas ou um instrumento para fazer a marcação rítmica enquanto fala: - Atenção XXX (palmas de todos e/ou instrumentos), Concentração XXX Não Perca o ritmo XXX Vai começar XXX Vamos falar XXX As frutas XXX - e assim cada um fala o nome de uma fruta sem repetir. No lugar fruta, pode-se sugerir outras coisas como: nome de cidades, países, cantor (a)...

É isso, em outras postagens coloco outras sugestões. Essas três atividades foram realizadas com grupos de idosos e o resultado foi muito bom. Lembrem-se que são apenas sugestões, e como tal, podem ser modificadas e adaptadas e acordo com a proposta e objetivo do musicoterapeuta.

Bom trabalho!

Veja mais sugestões de atividades em Atividades Musicais com Idosos II
Referência:

MOURA, L. F. Moura, CAMARGOS, A. T. Atividades educativas como meio de socialização de idosos institucionalizados. UFMG, Belo Horizonte, 2005

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Musicoterapia e Envelhecimento





“Acredita-se que a função da Musicoterapia é criar, manter e fomentar a comunicação, resgatando a espontaneidade perdida pelo homem ao longo de sua existência, estimulando a criatividade e liberando o indivíduo de condutas estereotipadas, de sua rigidez e cristalizações, comportamentos adquiridos durante o processo e envelhecimento” (GODINHO IN PINTO ET AL, 2006).

A velhice não precisa ser um período de inatividade. Ao se libertar dos estereótipos negativos, o indivíduo pode viver uma velhice plena e ativa. Ao estimular a criatividade, o indivíduo desprende-se das atitudes e pensamentos cristalizados, possibilita uma reelaboração da  sua própria existência e compreensão da fase por ele vivenciada.

A comunicação intra e interpessoal é fundamental para o idoso e a musicoterapia mostra-se uma forma terapêutica importante, pois é capaz de abrir canais de comunicação verbal e não verbal,  proporcionando momentos de integração e oferecendo ao idoso a oportunidade de expressar sentimentos e emoções.

O trabalho musicoterapêutico, além de tratar de questões emocionais, estimula as funções cognitivas e motoras, facilita a comunicação assim como a integração intra e interpessoal.

O Setting Musicoterapêutico

O musicoterapeuta se utiliza da música, dos sons, ruídos, enfim, qualquer manifestação sonora, inclusive silêncios. No setting musicoterapêutico, os instrumentos musicais atuam como um importante objeto intermediário, agindo, para o idoso como uma extensão do seu próprio corpo. Além dos instrumentos musicais e da voz, podem ser usados alguns recursos complementares como: microfone com pedestal, microfone de cabeça, aparelho de som e quadro branco. 

É importante que o musicoterapeuta adapte as propostas de acordo com as particularidades de cada cliente/paciente, utilizando os recursos que melhor se mostrarem eficazes, lembrando que os indivíduos apresentam diferentes condições físicas, mentais e emocionais.

É ainda função do terapeuta estimular as potencialidades, promover uma reabilitação funcional e prevenir as perdas próprias da idade. Porém, ao se isolar, o idoso deixa de estimular tanto os movimentos motores como cognitivos e emocionais conduzindo-o à um declínio acelerado.

Um trabalho de re-significação e auto conhecimento pode tirar o idoso do seu lugar de estagnação e leva-lo à uma vida mais ativa e, consequentemente, mais feliz. Ao se conhecer melhor, o idoso pode re-elaborar seus conceitos e aceitar a fase vivenciada com mais tranqüilidade, adequando-se à suas limitações, e desfrutando de tudo que ainda possa realizar.

"Através da experimentação e organização do material sonoro o paciente entra em contato com pensamentos, sentimentos, lembranças e emoções que podem ser partilhados com o musicoterapeuta, e, de alguma forma, elaborados." (BARCELLOS, 1996)



Referências

BARCELLOS, Lia Rejane; SANTOS Marco Antônio Carvalho. A Natureza polissêmica da música e a musicoterapia. Revista Brasileira de Musicoterapia. Rio de Janeiro: Ano I - Número 1, p. 5- 18, 1996

CASTRO PINTO, S. P. L. et al. O Desafio Multidisciplinar: Um Modelo de instituição de Longa Permanência para Idosos. São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2006.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Educação Musical





No post de hoje, falarei um pouco sobre o processo de Educação Musical.

Educação Musical e Desenvolvimento

São inúmeros os estudos que comprovam que o aprendizado musical na infância acarreta em ganhos significativos em diversas áreas, como cognição, percepção auditiva e visual e habilidades motoras.

É comum, hoje, as escolas oferecerem aulas de  musicalização já nas pré-escolas, o que deve ser encarado como um fator extremamente positivo para o desenvolvimento global das crianças:

“... a música é uma actividade demasiado importante para ser negligenciada. É parte integral do desenvolvimento intelectual, cultural, emocional e espiritual das crianças e não deve ser tratada isolada do resto do currículo nem apenas pelos especialistas em música”. (Durrant e Welch, 1995: 3)

Musicalização Infantil

Musicalização é um processo de construção do conhecimento, que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto musical, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção, auto-disciplina, do respeito ao próximo, da socialização e afetividade, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação (Bréscia 2003).

As atividades de musicalização permitem que a criança conheça melhor a si mesma, desenvolvendo sua noção de esquema corporal, e também permitem a comunicação com o outro.

Alfabetização Musical

Enquanto a leitura e escrita musical são muito diferentes da linguagem de leitura e escrita, o desenvolvimento inicial de alfabetização musical também pode ser uma poderosa ferramenta no desenvolvimento de alfabetização. Estudos têm mostrado que o aprendizado  musical aumenta o rendimento escolar em um número de diferentes frentes, incluindo a linguagem escrita. Isso parece dar suporte a idéia de que o desenvolvimento da música e da linguagem de alfabetização em nossos alunos podem se reforçar mutuamente. Talvez as diferenças entre as habilidades de leitura e escrita de música e linguagem não sejam tão grandes como parecem à primeira vista. 

Abaixo, algumas cartelas com atividades de alfabetização musical (clique na imagem para ampliar e imprimir):


Dedoches
Dedoches


Jogo da memória

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Experiências re-criativas em Musicoterapia






 Quando se trabalha em instituições, especialmente com grupos, o ensaio de repertório, embora mais comum na educação musical, também fica, muitas vezes, a cargo do musicoterapeuta. Os ensaios e apresentações podem ser realizados em qualquer época do ano, porém, são mais frequentes em datas comemorativas e nas festividades, como páscoa, natal e festas juninas. Em Musicoterapia, podemos chamar as atividades que envolvem o ensaio de repertório de Experiências Re-criativas.

Experiências re-criativas em Musicoterapia

Para Kenneth Bruscia (2000), as experiências re-criativas envolvem executar, reproduzir, transformar e interpretar qualquer parte ou o todo de um modelo musical existente, com ou sem uma audiência.

Segundo o autor, os objetivos clínicos com tais experiências podem ser:

  • Desenvolver habilidades sensório-motoras;
  • Promover comportamento ritmado e a adaptação;
  • Melhorar a atenção e orientação;
  • Desenvolver a memória;
  • Promover a identificação e a empatia com os outros;
  • Desenvolver habilidades de interpretação e comunicação de idéias e sentimentos;
  • Aprender a desempenhar papéis específicos nas várias situações interpessoais;
  • Melhorar as habilidades interativas e de grupo.
As experiências de re-criação ainda variam em Re-criação Instrumental -  Tocar, ensaiar ou aprender um instrumento musical; Re-criação Vocal - Vocalizar, cantar,ensaiar ou ter aulas que envolvam a reprodução vocal; Produções Musicais -  Envolvimento no planejamento e apresentação musical que envolvem uma audiência; Atividades e Jogos Musicais - Participação de jogos musicais ou qualquer atividade que seja estruturada pela música e Condução -  Quando o cliente dirige através de gestos, uma apresentação musical, tal como um maestro.

Repertório

Pensando em repertório para as festas juninas, hoje trago um disco de  Luiz Gonzaga: São João na Roça.
Algumas canções desse disco estão sendo trabalhadas com um grupo de idosos e o resultado está sendo muito bom. Apesar de antigo (o disco é 1962), as músicas são interessantes e não soam ultrapassadas.
Além disso, tem sido uma boa oportunidade de relembrar e até "(re)descobrir" canções desse ilustre compositor brasileiro.


O Disco


São João na Roça foi lançado em 1962 e é composto de 12 músicas, todas com a temática voltada para a festa de São João.
O disco imortaliza algumas canções juninas antigas e pode ser considerado um verdadeiro registro para as gerações atuais e futuras sobre o que verdadeiramente representa o São João para o povo do nordeste.







Baixe o Disco e  todas as Letras completas (algumas cifradas)

Bom trabalho!



Referências:

BRUSCIA, K. Definindo Musicoterapia. São Paulo: Enelivros, 2000.





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