segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Mês do Musicoterapeuta - Os primórdios



No mês de setembro comemoramos o dia do musicoterapeuta - mais precisamente dia 15 de setembro.

Em comemoração, pretendo postar artigos sobre os pioneiros da musicoterapia no mundo e também no Brasil.

Sei que foram muitos os que contribuíram para que a nossa profissão fosse construída e fundamentada, mas como o espaço, e principalmente o tempo é restrito, escolhi alguns nomes que  não só foram importantes para a solidificação da profissão, mas que marcaram a minha formação como musicoterapeuta.

O escolhido para abrir essa série de artigos é Thayer Gaston.

O Pai da Musicoterapia Norte Americana

Everett Thayer Gaston nasceu  em Woodward, Oklahoma em 4 de julho de 1901.

Gaston pode não ser muito conhecido  fora da educação musical e da musicoterapia, mas suas teorias acompanham muitos dos grandes pioneiros da psicologia. Com  teorias e idéias que foram abordados pelos primeiros filósofos e psicólogos, tais como Platão, Aristóteles, Skinner, Pavlov e Jung, Gaston começou a perceber as grandes realizações que poderiam ser feitas  incorporando a música e psicologia.

Com formação musical, Gaston começou a carreira de professor de música e se tornou respeitado na área.  Após seu doutorado em  psicologia educacional na Universidade de Kansas, no qual  formou-se em 1940,  Gaston finalmente percebeu que havia uma possibilidade de verdade para usar a música em sessões terapêuticas.

Ao longo de sua carreira, a preocupação central de Gaston era a função da música. Era claro para ele que a música era eficaz para satisfazer as necessidades, tanto para a qualidade de vida como na cura de doenças. Gaston concentrou-se profundamente não só na música, mas também sobre os pensamentos relativos de seus antecessores em Psicologia. Foi através de pesquisas sobre a biologia e cultura (ciências médicas e sociais) que Gaston (1968) fundamentou a criação da musicoterapia.


Ao escrever o tratado de Musicoterapia (Gaston, 1968),  diz que "a música e terapia têm sido íntimos companheiros, muitas vezes inseparáveis, durante a maior parte da história do homem." Ele continua na introdução de sua tese sobre o Homem e a Música, declarando , "como em todas as ciências, a musicoterapia se esforça para trazer a organização, classificação e descrição até que surja um sistema, um sistema que é comportamental, lógico e psicológico" (1968).


Com a crença de que a música pode falar onde as palavras falham (Gaston, 1968). Gaston acreditava que a música poderia desempenhar um papel importante no cérebro. Ele sentiu que o principal objetivo da terapia foi de capacitar o indivíduo a viver melhor, vendo a música como um estímulo, assim, terapeutas treinados poderiam utilizar a música para obter determinadas respostas mensuráveis ​​(excitação, relaxamento, associações, etc).

Participação da construção da musicoterapia como profissão

Altshuler, Willem van de Wall e E. Thayer Gaston

Em 1940, três pessoas desempenharam papel chave no desenvolvimento da musicoterapia como profissão: Altshuler, Willem van de Wall e E. Thayer Gaston. 
No ano de 1944, iniciou-se o primeiro plano de estudos destinado a formação de musicoterapeutas. Com a participação de Gaston, em 1946 é fundado na Universidade de Kansas, EUA, o primeiro curso acadêmico de formação de musicoterapeutas. A partir daí, surgiram cursos acadêmicos em vários lugares do mundo.

Até então, as atividades terapêutico-musicais eram desenvolvidas por músicos, voluntários, terapeutas ocupacionais, psicólogos e até mesmo médicos.

Em 1954, depois de uma revisão das aplicações clínicas e investigações, Gaston estabeleceu os princípios da musicoterapia:

  • O estabelecimento ou restabelecimento de relações interpessoais.
  • O alcance da auto-estima através da auto-realização.
  • Emprego do potencial único de ritmo para dotar de energia e organizar.
E. Thayer Gaston faleceu em 1970.

Referências:

GASTON, Thayer. Tratado de Musicoterapia. Traduzido por Marta Fernández. Enrique Díaz, Sara Elena Hassan. de Music in Therapy. Buenos Aires: Paidós, 1968




quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quando a Música faz Mal



Quando se fala dos efeitos da música sobre as pessoas, normalmente se trata dos benefícios, seja para o aprendizado, estímulo cerebral,  diminuição do estresse, e tantos mais.

Porém pouco se fala dos malefícios, ou seja, dos efeitos nocivos que a música pode provocar nas pessoas.

Hoje falaremos de alguns casos em que a música faz mal à saúde, seja na saúde física ou mental, e deve ser evitada. Falaremos também de alguns mitos sobre os efeitos da música, baseando-se em pesquisas científicas recentes.

A overdose musical

A audição demasiada, especialmente pelo uso constante do fone de ouvido, tem preocupado organizações da saúde em todo o mundo.

Vemos na população, especialmente no meio jovem, a audição ininterrupta de música por várias horas. Sabe-se que a audição musical estimula várias áreas cerebrais, o que pode ser tomado como um ponto positivo, já que este estímulo mantém o cérebro em atividade saudável. O problema reside no fato que, embora tal estímulo seja positivo, em demasia pode sobrecarregar o sistema auditivo e as atividades neurais.

 Não que nosso cérebro seja limitado, mas é necessário momentos de descanso, para que os processamentos das diversas atividades requeridas por ele ocorram adequadamente. Ao ouvir música constantemente, o cérebro se mantém em atividade complexa, e isso pode sim ser prejudicial, pois gera cansaço, e após um longo dia de audições, a pessoa pode encontrar dificuldade de concentração, para dormir e relaxar. 

Este efeito nocivo se agrava consideravelmente quando a audição é feita através de fones de ouvido (mp3, ipods), pois estes aparelhos têm um sistema que limita a fuga do som, por isso, a intensidade que atinge o ouvido interno é muito maior.

Segundo alguns médicos, o uso e abuso de MP3 faz com que os jovens tenham um envelhecimento da audição igual a uma pessoa com 60 anos.

Um relatório encomendado pela Comissão Européia alerta que quem ouvir música acima dos 80 decibéis, durante uma hora, todos os dias, tem uma grande probabilidade de ficar surdo após cinco anos. Se a audição de uma hora diária é capaz de todo esse “estrago”, imagine a audição de horas, como é bem comum.

  Earworms e Brainworms 

O neurologista americano Oliver Sacks em seu  livro “Alucinações Musicais”,  relata vários casos que demonstra os efeitos da música no cérebro humano. Dentre eles, há vários em que os efeitos foram considerados nocivos. 

Entre os casos citados, há os chamados Earworms (vermes de ouvido) ou Brainworms (vermes de cérebro). São casos que podem soar comuns a muitas pessoas, porém, são considerados nocivos e até patológicos quando ultrapassam um nível normal.

Os vermes de ouvido/cérebro são aqueles trechos de música que ficam em nossa mente por horas, até dias a fio. Podem ser desde músicas que gostamos até àquelas que abominamos. Ficar com músicas na cabeça é normal quando elas logo passam, e não chegam a incomodar muito. Porém, quando elas “martelam” nossa cabeça por dias sem parar, podem se tornar insuportáveis e atrapalhar o sono, o trabalho, o rendimento escolar.

Ao fim do capítulo, o autor cita a audição constante a que somos expostos, como agravantes dessa problemática.

Epilepsia musicogênica

 Outros casos comuns de efeito nocivo são os ataques epiléticos causados pela audição musical.

 Ainda no livro de Oliver Sacks, o autor cita a Epilepsia musicogênica.  Desenvolvida geralmente à partir dos vinte anos de idade, segundo estudos, os indivíduos acometidos pela epilepsia musicogênica eram “interessados em música”, ou seja, a música fazia parte constante das suas vidas.

Os ataques ocorridos pelos indivíduos acometidos pela epilepsia apresentavam formas variadas: alguns caiam inconscientes, mordiam a língua, e outros apresentavam breves ausências, mal notadas pelas pessoas ao redor. Assim também as músicas que desencadeavam os ataques variavam de uma pessoa para outra e poderiam ser desde o rock até músicas clássicas.

Mitos

Quando procuramos saber mais a respeito dos efeitos nocivos da música, frequentemente encontramos artigos que “acusam” certos estilos musicais. O rock é o estilo mais atacado como música maléfica, enquanto a música erudita e o new age são consideradas ideais e benéficas.

Por sua característica “agressiva”, muitos falam que o rock não é uma música adequada ao relaxamento, incita a violência, promove agitação, rebeldia, baixo rendimento escolar e tantas outras influências nocivas ocasionadas por sua audição e outros estilos com características similares (segundo os autores).

Como musicoterapeuta, nunca encontrei nenhuma base sólida que corrobore com essa afirmação. Ao contrário, em uma tese de doutorado apresentada na USP, foi realizada uma pesquisa utilizando-se da música Trilogy do Malmsteen ( famoso por sua "veloz" guitarra)

No estudo, a intenção era expor crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (hiperativos) à música citada e comparar os efeitos com àquelas que não ouviram.

Ao contrário do que muitos poderiam pensar, os movimentos do hiperativo foram menores durante a música e a análise funcional do movimento revelou que o hiperativo olhou o caderno e escreveu mais enquanto ouvia a música do que em silêncio. O estudo concluiu que a música favorece a diminuiçäo da movimentaçäo em sala de aula e a torna mais atenta.

Segundo a pesquisadora, ouvir a música de Malmsteen contribuiu, não para deixar as crianças mais agitadas, mas para diminuir a agitação e colaborar na concentração.

Como vimos acima, não é o estilo da música que exerce influência negativa ou positiva. Nos casos da epilepsia citada acima, muitos pacientes apresentaram ataques ouvindo peças eruditas e músicas “calmas e relaxantes”. Portanto, representa um mito associar de maneira arbitrária os estilos musicais como bons e ruins. 

Especialmente pelo fato de cada indivíduo reagir diferentemente às músicas ouvidas, não é possível formar "receitas" musicais prontas. Assim, o musicoterapeuta é o  profissional preparado para utilizar a terapeuticamente a música de maneira adequada e evitar que em certos casos, a música possa resultar em efeitos iatrogênicos.


Referências

SACKS, Oliver. Alucinações Musicais: Relatos sobre a Música e o Cérebro. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

SOUZA, Vera Helena Pessôa. Contribuiçöes ao estudo da hiperatividade: determinaçäo de índices para avaliaçäo de comportamento irrequieto e alternativas de tratamento através da música. Tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de Säo Paulo para obtenção do grau de Doutor. Säo Paulo; s.n; 1995. 462 p.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Atividades Musicais com Idosos II



A realização de atividades é um meio privilegiado de o idoso obter bem-estar psicológico e físico.

O termo atividade pode incluir tanto atividades físicas como mentais, sejam estas individuais ou grupais. A atividade, quando praticada regularmente, oferece ao idoso significado e satisfação à existência, quer pelo compromisso e responsabilidade social, quer pela oportunidade de manter convívio social.

Atividades Musicais

As atividades musicais implicam na realização de várias tarefas: tocar um instrumento, cantar, memorizar peças e letras musicais, improvisar. Porém, é necessário ficar atento e conhecer as possíveis limitações dos idosos. Pode ser necessário adaptar as atividades para que mesmo indivíduos com dificuldades motoras possam realizar a proposta. Idosos acamados também podem se beneficiar da musicoterapia e atividades musicais, através de audições e atividades guiadas por um musicoterapeuta.

Abaixo, algumas sugestões de atividades que podem ser realizadas com grupos de idosos ou mesmo em atendimentos individuais:

Atividade 1 - Relaxamento e respiração:

Os exercícios respiratórios facilitam a eliminação de secreções e melhoram a ventilação pulmonar, prevenindo complicações pulmonares e preparando o idoso para as atividades cantadas.

Respiração abdominal - puxar o ar pelo nariz lentamente e soltar pela boca, levando o ar para "barriga".
Respiração profunda - puxar o ar o máximo que conseguir e soltar pela boca devagar.
Respiração em 2 tempos - puxa um pouco de ar, segura, puxa tudo e solta devagar pela boca.

Um musicoterapeuta pode escolher uma música para colocar de fundo enquanto a atividade é realizada. A escolha da música deve ser cuidadosa pois pode provocar sentimentos de melancolia, tristeza e  despertar lembranças. A não ser que este seja o objetivo do terapeuta, este é um momento de relaxamento que precede as atividades.

Atividade 2 - Desenvolvimento Físico/Motor

Escolher uma música com um ritmo bem marcante. Com os idosos sentados em círculo, propor movimentos que sigam o ritmo da música. Os movimentos devem ser suaves e não muito rápidos para não provocar lesões, porém, combinados e sincronizados. Esta atividade baseia-se na Dança Sênior. Criada em 1974, a dança sênior busca inspiração nas danças folclóricas e de salão de todas as partes do mundo. 
No vídeo abaixo, vemos uma atividade com dança sênior ao som de Cidade Maravilhosa:



Atividade 3 - Jogral de Canções

Escolha uma canção curta e bem conhecida pelo grupo. Divida a música em frases e escreva cada frase em um pedaço de papel/cartolina (é bom que as letras sejam grandes; verifique também se todos são capazes de ler). Primeiro distribua as folhas para cada um na ordem em que estão sentados. Assim, a música obedecerá uma sequência mais fácil. A música é então cantada, cada um na sua vez. Se o resultado for bom ou seja, se todos conseguirem cantar na sequência certa, recolha as folhas e distribua novamente, porém aleatoriamente e cante novamente a música cada um na sua vez, seguindo a sequência da música, mas não na ordem dos idosos. 
Se os idosos não forem capaz de ler, (ou mesmo para os que leem), pode-se fazer a atividade apontando ou tocando no ombro do idoso que irá cantar a sequência (verifique se todos conhecem a letra da música ).

Atividade 4 -  Passando a bola

Com uma bola ou uma bexiga, escolha uma música conhecida gravada em CD. Com os idosos sentados, passe a bola ou bexiga de mão em mão enquanto todos cantam. Dê pausa na música e o idoso que ficou com a bola deve continuar a música. Continuar até a música acabar.

É isso amigos. Lembrem-se que são apenas sugestões e podem ser alteradas e adaptadas conforme o grupo e objetivos do musicoterapeuta.

Veja outras atividades em  Atividade Musicais com Idosos.


Referências:

Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina. Cuidando do Cuidador: Guia Prático para cuidadores informais. São Paulo, 2011.

YOKOYAMA Cláudia E., CARVALHO, Renata S., VIZZOTTO, Marília M. Qualidade de vida na velhice segundo a percepção de idosos frequentadores de um centro de referência. inFormação ano 10, nº 10, jan./dez. 2006.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O que é (ou não) Musicoterapia?



A postagem de hoje visa esclarecer questões que cercam a prática da musicoterapia.

"A musicoterapia é um processo sistemático de intervenção em que o terapeuta ajuda o cliente a promover a saúde utilizando experiências musicais e as relações que se desenvolvem através delas como forças dinâmicas de mudança" (BRUSCIA, 2000 p.22)

Assim, a musicoterapia consiste em um processo sistemático com objetivos e propósito, fundamentada em conhecimentos, organizada e regulada. Portanto, a utilização da música de forma aleatória e não estruturada, ainda que traga benefícios a uma pessoa, não pode ser considerada musicoterapia.

A música não é propriedade do musicoterapeuta (ou do músico), longe disso. A utilização da música é, e deve ser, propriedade da humanidade. Porém, a utilização indiscriminada do termo musicoterapia vai na contramão da consolidação da profissão.

Muitos tem utilizado inadequadamente a palavra musicoterapia para definir qualquer utilização benéfica da música sobre o ser humano. Porém, ainda que o efeito de  atividades musicais tragam benefícios para uma pessoa, chamar tal uso de musicoterapia requer alguns critérios.

O que NÃO é musicoterapia


Como vimos acima, o uso da música pode ser feito por todas as pessoas, assim como usufruir dos seus benefícios (que são muitos). Porém, apesar de benefícios, muitos até recomendáveis, não é musicoterapia:

  • o uso da música para relaxar;
  • fazer aula de música; 
  • cantar  uma música ao som de um instrumento;
  • aula de música para pessoas especiais;
  • a audição de uma música no rádio do carro ou em casa;
  • a execução de uma peça instrumental;
  • uso de som ambiente (como em consultórios, elevadores, etc); 
  • canto e música em Hospitais;
Assim, apesar dos efeitos positivos que as atividades acima possam proporcionar, não as consideraremos musicoterapia (embora possam fazer parte da musicoterapia).

Quando É musicoterapia

Para  ser considerado musicoterapia, este processo requer  a intervenção de um musicoterapeuta. Segundo Bruscia, quando a música é utilizada sem um musicoterapeuta, o processo não é qualificado como musicoterapia, então, sem um musicoterapeuta, não há musicoterapia. 

Porque?

Em um processo musicoterapêutico, do ponto de vista dos procedimentos, a musicoterapia constitui-se de três fases: avaliação diagnóstica, tratamento e avaliação. (BRUSCIA 2000, p. 22) Ainda que outros profissionais possam se identificar com as fases citadas por Bruscia, estas tratam de abordagens específicas, nas quais se utilizam de métodos e técnicas próprias da musicoterapia.O ponto chave observado pelo musicoterapeuta é a relação do indivíduo atendido (paciente,/cliente) com a música. Assim, desde a entrevista inicial até a avaliação final, são especialmente as respostas musicais do indivíduo durante as sessões que fornecem os elementos necessários para o musicoterapeuta traçar objetivos, intervenções, abordagens e alta. Segundo o painel de descrição que estabelece as qualificações do musicoterapeuta (DACUM 2010), entre outras capacitações, o musicoterapeuta deve ser capaz de estabelecer diagnóstico musicoterapêutico e efetuar leitura musicoterapêutica. Assim, o único profissional preparado para compreender todas as fases de um processo musicoterapêutico é o musicoterapeuta.

Quem é o musicoterapeuta

É um profissional de nível superior que passa, na graduação, por quatro anos de faculdade e centenas de horas de estágio. Além da graduação em musicoterapia, há também os cursos de pós graduação que formam especialistas em musicoterapia. 

Cursos rápidos (de 80, 40 horas, ou até menos!) e Workshops  não  formam e muito menos qualificam musicoterapeutas!
Nossa profissão é séria e com sólida fundamentação científica. Precisamos batalhar para que o nome Musicoterapia se estabeleça e seja visto com respeito pela sociedade e outros profissionais da saúde.

Então, se você não é um musicoterapeuta e utiliza a música em seu trabalho, tudo bem, continue usando!  Só pedimos, para o bem da profissão musicoterapia, não utilize esse termo, ok?


Abraços!

Referências


BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia.Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.

DACUM. Painéis de Descrição e Validação. São Paulo: UBAM, 2010.



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Jogos Musicais - Jogos Baseados na Confiança



Em continuidade às postagens que abordam os jogos musicais baseados no livro 100 Jogos Musicais - Coleção Práticas Pedagógicas, traremos hoje os Jogos Baseados na Confiança.

São jogos que diferem substancialmente dos jogos anteriores. A qualidade essencial destes jogos é desenvolver o sentimento de autoconfiança a título individual, bem como no grupo. Reforçam igualmente o sentimento de ser aceito enquanto membro de um grupo. Assim, recomenda-se que estes jogos não sejam aplicados em grupos recém formados.

Características

  • Desenvolvem-se frequentemente sem recorrer à palavra, no lugar desta utilizar-se-á o som e movimento (ao evitar-se a fala, suprimem-se os obstáculos);
  • Na ausência do contato verbal, o contato corporal ocupa um lugar importante nestes jogos;
  • Muitos destes jogos são realizados dois a dois;
  • A princípio o grupo ou parte dele assume a responsabilidade de oferecer apoio a um jogador, desenvolvendo um sentimento de responsabilidade recíproca.
Os jogos

1. Quente - Um jogador de olhos vendados é incumbido de encontrar outro jogador recém escolhido e acomodado em um local definido pelo restante do grupo. Os outros membros do grupo tocam instrumentos variados e quando o jogador com olhos vendados se aproxima do membro a ser encontrado o grupo aumenta a intensidade dos instrumentos tocados, ao contrário, quando o jogador se encontra longe, a intensidade diminui. É importante definir antes a intensidade média, a fim de não haver confusões quanto ao Forte e Piano  (fraco). Também pode-se escolher uma pessoa que cuidará para que o jogador vendado não se choque com obstáculos.

2. De onde vem este som? O grupo é dividido em pares. Um membro de cada par fecha os olhos (ou é vendado). O outro guia o companheiro vendado pelo espaço em se encontram. Eventualmente o jogador que guia toca em objetos do espaço produzindo algum som com o objeto tocado. O jogador com olhos vendados deverá, a partir do som do objeto, dizer em qual parte do espaço se encontram. 
Obs: Antes de começar o jogo, todo o grupo pode observar os objetos contidos no espaço ( ou não..)

3.Guiado pelos instrumentos -  Neste jogo, apenas participam seis jogadores,os demais serão espectadores. Um jogador de olhos vendados deverá encontrar um jogador disposto em algum lugar do espaço. Para encontrá-lo, será guiado por quatro instrumentos, cada instrumento com um comando previamente combinado entre todos. Por exemplo:
Triângulo:  para frente
Tambor: para trás
Chocalho: à esquerda
Sino: à direita
Deve-se tocar um instrumento de cada vez. 

 Lembramos que os jogos citados são apenas sugestões, e podem ser adaptados e alterados conforme o objetivo e perfil do grupo. 
Apesar de simples, cada jogo acima envolve uma série de desafios, não só no que diz respeito à confiança, mas desafios motores e cognitivos importantes como equilíbrio, lateralidade, atenção e memória.

Bom trabalho!

sábado, 19 de maio de 2012

A Composição Musical no Processo Musicoterapêutico





De 22 a 25 de maio de 2012, ocorrerá o VIII Simpósio de Cognição e Artes Musicais - SIMCAM8, na cidade de Florianópolis, SC. O tema central do Simpósio é Cognição Musical: trajetórias e perspectivas.


Pela primeira vez vou  participar do evento apresentando o trabalho "A Composição musical no processo musicoterapêutico", escrito por mim e por minha irmã Roberta Soares de Barros Florencio, companheira de vários trabalhos.

No evento passado, (SIMCAM7, 2011), tive um trabalho aprovado e publicado nos anais: "Musicoterapia e Cognição: A importância do fazer musical para estímulo e manutenção das funções executivas de idosos institucionalizados", mas infelizmente não pude comparecer ao evento que foi em Brasília. Nesta edição irei com a família, e apresentarei o artigo no dia 24 (baixe a programação completa aqui).

Veja abaixo o resumo atualizado do artigo que será apresentado:



A composição musical no processo musicoterapêutico
Flávia Barros Nogueira, Roberta Soares de Barros Florencio

RESUMO

A proposta deste trabalho é abordar a relevância da composição musical para o processo musicoterapêutico. A composição musical, segundo Bruscia, é uma técnica utilizada com pacientes que necessitam de melhor organização e planejamento do poder de decisão, de desenvolver a capacidade de identificar e formular temas, aprender a ter compromissos, expor, documentar e comunicar seus pensamentos e sentimentos internos, tornando-os tangíveis. (BRUSCIA 1991 apud BARCELLOS 2004). Assim, a composição oferece um meio do cliente exteriorizar sentimentos e pensamentos muitas vezes reprimidos internamente. Além disso, no processo de composição os mecanismos cognitivos são amplamente estimulados, já que sua produção envolve raciocínio, atenção, memória, pensamento, imaginação, juízo e discurso coerente. Vale destacar que dentro de um processo musicoterapêutico não é necessário que o paciente ou cliente tenha qualquer conhecimento musical, neste caso o musicoterapeuta assume a responsabilidade dos aspectos mais técnicos do processo e tenta adequar à participação do paciente ou cliente de acordo com sua capacidade musical. (BRUSCIA 2000). Assim, este trabalho visa, através de uma abordagem metodológica que envolve um levantamento bibliográfico e breves relatos de casos, apresentar fundamentos que demonstrem os benefícios da composição musical em um processo musicoterapêutico. O levantamento bibliográfico contempla a discussão de publicações de livros e artigos de autores da musicoterapia brasileira e internacional, os quais contemplam, especialmente, a composição musical. Além de autores da musicoterapia, buscamos fontes literárias que abordam a temática da música e sua relação com a mente humana. Os pacientes que tiveram seus casos relatados no trabalho assinaram consentimento livre e esclarecido. Todos encontram-se em processo musicoterapêutico atendidos pelas autoras com diferenças de faixa etária, diagnóstico clínico e gênero, e ilustram os aspectos positivos da composição musical, já que através da composição, acreditamos que o musicoterapeuta pode trabalhar mecanismos importantes para a saúde do seu paciente ou cliente.



Na próxima postagem, confira como foi o evento.
Aguardem também a publicação do trabalho completo.

Maiores informações: http://www.abcogmus.org/simcam/index.php/simcam/simcam8

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Musicoterapia - Cursos e Eventos




A postagem de hoje divulga eventos específicos da musicoterapia que ocorrerão neste mês de maio e junho.

Sabemos o quanto é importante para qualquer bom profissional manter-se atualizado e bem informado, e na nossa profissão não é diferente.

Um musicoterapeuta que busca sempre se atualizar e adquirir novos conhecimentos e experiências, com certeza prestará um melhor atendimento aos seus pacientes e clientes  e, consequentemente, estará ajudando a profissão como um todo, já que os frutos de um bom trabalho são os melhores divulgadores. Por outro lado, maus profissionais podem colaborar para uma imagem negativa e as vezes até equivocada da nossa prática clínica.

Confira abaixo três eventos que ocorrerão em breve. 



Educação Musical e Musicoterapia
São Paulo - SP

Sinopse: A atual conversação entre música, inclusão, educação e terapia em nossa sociedade traz uma  nova demanda escolar e clínica, por um profissional com olhar e prática ampliados,  concretizado na figura do professor-(musico)terapeuta.
O objetivo deste curso introdutório é oferecer ferramentas para atuação do profissional que transita nesse campo.
Programação: Panorama teórico e atividades sonoro-musicais para trabalhar com crianças na primeira infância (0 a 6 anos).
Profissional: Luisiana França Passarini – Musicoterapeuta e Educadora Musical, coordenadora do Projeto Musicando – Música no Desenvolvimento Infantil,  pós-graduanda em Psicopatologia e Saúde Pública com enfoque na Criança e Adolescente – FSP_USP.
Data: 26 de maio
Horário: 14hs às 18hs (Cadastro às 13:30hs)
Público Alvo: Estudantes e profissionais da educação, educação musical, musicoterapia e áreas correlacionadas.
Inscrição: Enviar nome, profissão, contatos telefônicos e comprovante de depósito para cursos@centrobenenzon.com.br . 
Investimento: R$ 140,00
 Data limite para inscrição : 20 de maio
 Dados Bancários: Banco Bradesco/ AG: 1518 / CC:2525 - 9 / CPF:025.936.226.36 / Luisiana B. França
  


Curso Internacional 

“Sistematización de la práctica musicoterapéutica”
Porto Alegre - RS

Descrição do curso:
 As experiências musicais em musicoterapia oferecem uma quantidade de dados que muitas vezes excedem a escuta do musicoterapeuta. Poder realizar registros sistemáticos claros permite não apenas entender com clareza as experiências musicais, mas também possibilita ao musicoterapeuta poder transmitir essa informação de forma específica e clara a outros profissionais. O curso "sistematização da prática musicoterapêutica" oferece a possibilidade de conhecer as diversas formas de registro e análise de sessão, criadas pelo modelo MTD, conhecendo sua aplicação e utilização em áreas de saúde mental e medicina. A formação se realizará desde experiências práticas e análise de protocolos de avaliação de funções musicais, escalas de análise de experiências intra e intermusicais, elaboração de critérios de encaminhamento a musicoterapia e fichas de análise de sessões processuais e focais.

Objetivo do curso: Conhecer diferentes formas de registro e análise das experiências musicais em musicoterapia desenvolvidas pelo modelo MTD, que permitam poder levar a prática, ferramentas de fácil aplicação, as quais poderão ser utilizadas desde qualquer marco teórico.

Musicoterapeuta responsable: Lic. Karina Daniela Ferrari

  



IV Fórum de Musicoterapia - AMT - RS
Musicoterapia, Música e Cognição
São Leopoldo - RS

Para maiores informações e incrições,
acesse:


Programe-se e participe!

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